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Cientistas analisam rocha em Marte que caiu na Terra e descobrem água escondida há bilhões de anos dentro do meteorito

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 06/02/2026 às 11:33
Atualizado em 06/02/2026 às 11:34
Descubra a importância da rocha em Marte com o meteorito NWA 7034. Evidências de água no passado marciano são reveladas.
Descubra a importância da rocha em Marte com o meteorito NWA 7034. Evidências de água no passado marciano são reveladas.
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Cientistas analisaram uma rocha em Marte ao estudar o meteorito NWA 7034, conhecido como Black Beauty, usando tomografia computadorizada não destrutiva, identificando clastos ricos em hidrogênio que concentram parte relevante da água da amostra e reforçam evidências de água abundante no passado marciano.

Origem e importância do meteorito Black Beauty

O meteorito NWA 7034, apelidado de Black Beauty, é um fragmento de Marte que caiu na Terra após um grande impacto no planeta. O material tem cerca de 4,48 bilhões de anos, sendo um dos mais antigos já identificados de origem marciana no sistema solar.

Parte de sua relevância científica vem do fato de preservar registros geológicos primitivos de uma rocha em Marte. Estudos anteriores exigiram cortes, trituração ou dissolução de amostras, procedimentos que comprometiam a integridade do meteorito e limitavam novas análises futuras.

Novas ferramentas de tomografia computadorizada

O estudo descreve o uso de duas técnicas de tomografia computadorizada para examinar o Black Beauty de forma não destrutiva.

A tomografia por raios X, amplamente usada na medicina, é eficaz na detecção de materiais densos como ferro e titânio.

Já a tomografia computadorizada de nêutrons utiliza nêutrons em vez de raios X.

Esse método apresenta maior capacidade de penetrar materiais densos e detectar hidrogênio, elemento fundamental na identificação de água dentro de uma rocha em Marte e em outros corpos planetários.

Clastos encontrados na rocha em Marte

Os pesquisadores analisaram uma pequena amostra polida do meteorito, com aproximadamente o tamanho de uma unha. Dentro dela, identificaram clastos, fragmentos de rocha incorporados em uma matriz maior, algo já conhecido na composição do Black Beauty.

A novidade foi o tipo específico de clasto identificado. Denominados clastos de oxihidróxido de ferro rico em hidrogênio, ou H-Fe-ox, esses aglomerados representaram cerca de 0,4% do volume total da amostra analisada pelos tomógrafos.

Água concentrada em fragmentos microscópicos

Embora ocupem uma fração reduzida do volume, os clastos H-Fe-ox concentram aproximadamente 11% de todo o conteúdo de água presente na amostra do meteorito.

Esse dado revela uma distribuição altamente localizada da água dentro da rocha em Marte analisada.

A composição química da amostra indica uma concentração estimada de 6.000 partes por milhão de água. O valor é considerado elevado diante da escassez atual de água observada no planeta e reforça a importância do Black Beauty como registro hidrológico antigo.

Relação com outras amostras marcianas

As descobertas obtidas com o meteorito complementam análises de amostras aquosas identificadas na cratera Jezero. Apesar de o Black Beauty ter origem em uma região completamente diferente de Marte, os resultados convergem para um cenário de água abundante no passado.

Essa ligação entre amostras de regiões distintas sugere que a presença de água, provavelmente líquida, não era um fenômeno isolado.

A evidência fortalece interpretações sobre condições ambientais mais úmidas na superfície marciana bilhões de anos atrás, mesmo com difrenças regionais.

Implicações para futuras pesquisas

O Black Beauty funciona como uma espécie de missão de retorno de amostras concentrada em uma única rocha. As técnicas de tomografia não destrutiva demonstraram capacidade de examinar o interior do meteorito sem comprometer sua estrutura.

Os cientistas pretendem aplicar os mesmos métodos a futuras amostras de Marte, já que a tomografia consegue atravessar estruturas de titânio usadas na coleta.

Com o recente cancelamento de programas específicos, essa aplicação direta pode demorar a ocorrer.

Ainda há previsão de uma missão chinesa de retorno de amostras, o que pode antecipar novas análises.

Até lá, repetir exames não destrutivos em outros meteoritos marcianos é visto como uso eficiente da experiência adquirida e dos equipamentos disponíveis, ampliando o conhecimento sobre a água preservada em cada rocha em Marte.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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