1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientista que previu onda de instabilidade global faz novo alerta e diz que o mundo vive uma fase de risco de desintegração
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 2 comentários

Cientista que previu onda de instabilidade global faz novo alerta e diz que o mundo vive uma fase de risco de desintegração

Escrito por Ana Alice
Publicado em 05/04/2026 às 19:39
Entenda o alerta de Peter Turchin sobre instabilidade global, desigualdade e riscos sociais em um cenário de tensão crescente no mundo atual.
Entenda o alerta de Peter Turchin sobre instabilidade global, desigualdade e riscos sociais em um cenário de tensão crescente no mundo atual.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
323 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Modelos históricos, instabilidade política e desigualdade voltam ao centro do debate com a nova repercussão das análises de Peter Turchin, pesquisador que relaciona crises sociais a pressões estruturais acumuladas ao longo de décadas.

Peter Turchin, pesquisador conhecido por aplicar modelos matemáticos ao estudo de crises históricas, voltou a chamar atenção ao sustentar que várias democracias atravessam um período de instabilidade estrutural que pode se estender pelos próximos anos.

A associação entre seu nome e a ideia de que ele teria “previsto” a pandemia, porém, exige precisão: em 2010, Turchin escreveu na revista Nature que a década seguinte tenderia a registrar avanço da instabilidade política nos Estados Unidos e na Europa Ocidental.

O que é cliodinâmica e por que Peter Turchin voltou ao debate

Professor e pesquisador, Turchin trabalha com a chamada cliodinâmica, área dedicada a identificar padrões históricos de longo prazo com apoio de bases de dados, séries temporais e modelos comparativos.

Segundo a definição apresentada por ele em textos e materiais de divulgação, a proposta não é antecipar eventos isolados, mas observar fatores que, em conjunto, elevam o risco de crises políticas, conflitos internos e desgaste institucional.

No centro dessa formulação aparecem três vetores recorrentes: perda de bem-estar material, fragilidade fiscal do Estado e aumento da disputa entre grupos que buscam poder, influência e prestígio.

Em artigo publicado na PLOS ONE, Turchin e Andrey Korotayev retomaram a previsão feita anos antes e afirmaram que o modelo considerava, entre outros fatores, empobrecimento relativo, competição intraelite e enfraquecimento estatal como motores da instabilidade.

Cientista e Professor Peter Turchin (Foto: Reprodução/Complexity Science Hub)
Cientista e Professor Peter Turchin (Foto: Reprodução/Complexity Science Hub)

Superprodução de elites e desigualdade no centro da análise

Entre os conceitos mais associados ao pesquisador está o de “superprodução de elites”.

Na formulação usada por Turchin, a expressão descreve situações em que cresce o número de pessoas ou grupos que disputam espaço nas camadas dirigentes sem que haja posições suficientes para acomodar essa disputa.

Quando esse movimento coincide com pressões econômicas e polarização, o ambiente político pode se tornar mais tenso, segundo a interpretação apresentada por ele em textos acadêmicos e entrevistas.

Outra noção recorrente em sua argumentação é a de wealth pump, termo que aparece em materiais do próprio pesquisador e costuma ser traduzido, em parte da cobertura, como “bomba de riqueza”.

A ideia, segundo Turchin, é a de um processo em que renda e ganhos econômicos se concentram no topo da pirâmide social, enquanto grupos mais amplos perdem participação relativa.

Em sua análise, essa dinâmica amplia desigualdades e pressiona a coesão social.

Por que 2020 aparece como marco nas previsões

A projeção feita em 2010 ganhou repercussão maior porque situava em torno de 2020 um pico de tensões sociopolíticas.

Anos depois, ao revisar o tema, Turchin e Korotayev escreveram que a estimativa original apontava a década de 2010 a 2020 como um período provável de crescimento da instabilidade nos Estados Unidos e na Europa Ocidental.

A leitura passou a ser citada com frequência após a sequência de pandemia, retração econômica, protestos e polarização registrada naquele período em vários países.

Ao tratar do alcance desses modelos, o próprio pesquisador faz uma distinção importante.

Em seus textos, Turchin indica que a utilidade da cliodinâmica está em medir pressões estruturais acumuladas, e não em identificar com antecedência o gatilho exato de cada crise.

Nesse sentido, a proposta é trabalhar com tendências históricas e fatores de risco, não com a previsão detalhada de acontecimentos específicos.

Base de dados histórica e padrões de crise

Para sustentar esse tipo de análise, o pesquisador também se apoia no projeto Seshat: Global History Databank, base de dados criada para reunir informações históricas e arqueológicas de diferentes sociedades.

De acordo com a descrição do projeto, o banco foi estruturado para permitir testes comparativos sobre formação de Estados, desenvolvimento institucional e transformação de sociedades complexas ao longo do tempo.

A leitura proposta por Turchin parte da comparação entre momentos de estabilidade e fases de crise observadas em diferentes contextos históricos.

Em seus trabalhos, ele argumenta que períodos de integração social podem ser seguidos, com o passar das décadas, por cenários de maior desigualdade, competição entre grupos dirigentes e perda de confiança institucional.

O pesquisador trata esse movimento como um padrão recorrente, sujeito a variações conforme cada sociedade.

Reformas, riscos e críticas à teoria de Peter Turchin

Ao mesmo tempo, Turchin não apresenta o colapso como resultado inevitável.

Na divulgação de End Times e em outros materiais públicos, ele afirma que sociedades podem reduzir riscos quando enfrentam desequilíbrios distributivos, ampliam mecanismos de inclusão e adotam reformas antes do agravamento das tensões.

Nessa linha, o alerta aparece como um diagnóstico de pressões acumuladas e de possíveis respostas institucionais, e não como anúncio de um desfecho obrigatório.

As teses do pesquisador, no entanto, também encontram resistência.

Parte das críticas parte de historiadores e estudiosos de ciências sociais que questionam o grau de precisão possível em modelos matemáticos aplicados a processos históricos complexos.

Entre as ressalvas mais frequentes estão a qualidade e a abrangência dos dados, a escolha das variáveis e o peso de fatores que variam de país para país, como cultura política, desenho institucional e contexto internacional.

Mesmo com essas objeções, o trabalho de Turchin segue mobilizando debate porque tenta transformar sinais históricos dispersos em indicadores mensuráveis de risco político.

O ponto central de sua formulação é que crises profundas tendem a ser precedidas por pressões estruturais identificáveis, ainda que a forma concreta dessas crises dependa de circunstâncias específicas.

Inscreva-se
Notificar de
guest
2 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
SoldadoSolo
SoldadoSolo
07/04/2026 13:34

Espero msm que venha logo essa pandemia principalmente no brasil e que seja mais letal

Julio
Julio
07/04/2026 10:04

Peter Turchin não previu nenhuma pandemia. Ele não previu nada sobre a terra somente criou uma teoria ****.

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
2
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x