1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Cidade dos cupins está no Brasil e pode ser vista do espaço: 200 milhões de montes milenares formam padrão geométrico gigante no Nordeste, maior que a Grã-Bretanha e comparável a milhares de pirâmides
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 0 comentários

Cidade dos cupins está no Brasil e pode ser vista do espaço: 200 milhões de montes milenares formam padrão geométrico gigante no Nordeste, maior que a Grã-Bretanha e comparável a milhares de pirâmides

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 30/01/2026 às 20:15
Assista o vídeoMontes de cupins no Nordeste do Brasil formam um padrão gigante visível por satélite e revelam uma das maiores obras naturais já estudadas.
Montes de cupins no Nordeste do Brasil formam um padrão gigante visível por satélite e revelam uma das maiores obras naturais já estudadas.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
14 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Padrão geométrico no semiárido brasileiro revela obra silenciosa de cupins que movimentaram volumes gigantescos de terra por milhares de anos, formando milhões de montes espaçados de forma regular e visíveis em imagens de satélite quando a vegetação é removida.

Uma extensa rede de montes de terra espalhada pelo Nordeste brasileiro forma um desenho tão regular que pode ser reconhecido em imagens aéreas e em plataformas de satélite.

O que, à distância, parece uma espécie de malha geométrica no terreno não foi planejado por máquinas nem por obras humanas: trata-se do resultado de milhares de anos de atividade de cupins que vivem sob o solo e movimentam terra em escala monumental, segundo pesquisadores que estudaram o fenômeno na Caatinga.

Cidade de cupins visível por satélite no Nordeste

As estimativas reunidas por cientistas apontam para cerca de 200 milhões de montes distribuídos em uma área vasta do semiárido, com estruturas cônicas que, em muitos pontos, chegam a ficar com aproximadamente 2,5 metros de altura e cerca de 9 metros de largura.

Em conjunto, o campo de montes cobre uma região comparada ao tamanho da Grã-Bretanha em reportagens científicas internacionais, e seu padrão chama atenção por manter espaçamento relativamente uniforme entre uma formação e outra.

Embora o volume de terra sugira “ninhos” gigantes, a interpretação apresentada por pesquisadores é diferente.

Os montes seriam, principalmente, depósitos de solo retirado durante a escavação lenta e contínua de um sistema subterrâneo de túneis interligados.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Como os cupins constroem montes e túneis subterrâneos

A lógica, conforme explicado por cientistas envolvidos na pesquisa, é funcional: os cupins precisariam se deslocar sob proteção do solo para acessar folhas secas espalhadas na superfície da floresta sazonal, recolhendo alimento sem se expor tanto a predadores e ao calor extremo do ambiente.

A espécie associada a essa engenharia é o Syntermes dirus, um cupim de grande porte para os padrões do grupo, que se alimenta de material vegetal morto e vive em galerias subterrâneas.

A construção, no entanto, não ocorre como um canteiro concentrado em um único ponto.

Ao longo do tempo, a terra retirada das escavações é empurrada para fora e vai se acumulando em “montes de descarte”, que endurecem sob o sol e podem permanecer preservados por longos períodos, especialmente em condições ambientais estáveis e secas.

Caatinga e desmatamento expõem o padrão geométrico

Esse detalhe ajuda a entender por que a “cidade de cupins” passou tanto tempo fora do radar do público.

Na paisagem original, os montes ficam amplamente escondidos pela vegetação típica da Caatinga, com arbustos espinhosos e árvores que perdem folhas na estação seca.

O conjunto ganhou visibilidade mais ampla quando trechos foram desmatados para abertura de pastagens e áreas de cultivo, expondo o relevo repetitivo e permitindo que o padrão fosse percebido por quem sobrevoava a região ou analisava imagens do alto.

Pesquisa científica com satélite e datação de montes

Montes de cupins no Nordeste do Brasil formam um padrão gigante visível por satélite e revelam uma das maiores obras naturais já estudadas.
Montes de cupins no Nordeste do Brasil formam um padrão gigante visível por satélite e revelam uma das maiores obras naturais já estudadas.

A investigação científica combinou observação por satélite e trabalho de campo.

Amostras de solo coletadas no interior de montes específicos foram analisadas para estimar a idade das formações e indicar há quanto tempo aquele material foi depositado.

De acordo com dados divulgados em materiais de imprensa científica ligados ao estudo, a datação de amostras retiradas do centro de 11 montes apontou que eles foram preenchidos em diferentes momentos, com idades estimadas entre cerca de 690 e 3.820 anos.

O resultado reforçou a ideia de um processo cumulativo, no qual a paisagem atual é uma “fotografia” de um esforço de escavação e deposição que atravessou muitas gerações de insetos.

Por que os montes de cupins ficam tão espaçados

Além da idade, outra questão intrigava os pesquisadores: por que os montes aparecem com espaçamento tão regular?

Em ecologia, padrões geométricos repetitivos podem surgir por competição entre indivíduos ou colônias vizinhas, que estabelecem “fronteiras” e mantêm distância.

Para testar se esse mecanismo poderia explicar a distribuição dos montes, os cientistas avaliaram o comportamento dos cupins e a interação entre grupos.

Os testes descritos por comunicados relacionados ao trabalho indicaram pouca agressividade entre cupins em escala de montes próximos, em contraste com respostas mais agressivas quando indivíduos eram coletados em distâncias maiores.

Esse tipo de observação foi usado para discutir que a regularidade pode ter origem em processos de organização espacial associados ao uso do ambiente, sem depender necessariamente de confrontos diretos entre colônias vizinhas.

Volume de terra escavado e comparação com pirâmides

Montes de cupins no Nordeste do Brasil formam um padrão gigante visível por satélite e revelam uma das maiores obras naturais já estudadas.
Montes de cupins no Nordeste do Brasil formam um padrão gigante visível por satélite e revelam uma das maiores obras naturais já estudadas.

Os números ajudam a dimensionar o que isso significa em termos físicos.

Pesquisadores citados em comunicados científicos relacionados ao estudo calcularam que o volume total de solo escavado ao longo do tempo ultrapassa 10 quilômetros cúbicos.

Para tornar a escala mais compreensível, cientistas chegaram a comparar essa quantidade de material com milhares de pirâmides de Gizé.

Ainda que comparações desse tipo sejam aproximações pedagógicas, elas indicam por que o caso passou a ser apresentado como um dos maiores exemplos de bioengenharia atribuída a uma única espécie de inseto.

Impacto ecológico dos cupins no solo e na água

O impacto, porém, não se resume a uma curiosidade visual.

Cupins são conhecidos por modificar a estrutura do solo, influenciar a infiltração de água e a distribuição de matéria orgânica, além de interferirem na dinâmica de nutrientes.

Em ecossistemas secos, onde pequenos ganhos de umidade podem mudar a sobrevivência de plantas e a disponibilidade de alimento para outros organismos, estruturas persistentes e escavações subterrâneas podem ter efeitos ecológicos relevantes.

No caso da Caatinga, a presença do megacampo de montes oferece uma oportunidade rara de observar, em escala regional, como a atividade contínua de um animal pequeno pode deixar marcas na paisagem por períodos comparáveis aos de grandes civilizações humanas.

Como o sensoriamento remoto identifica os montes

Montes de cupins no Nordeste do Brasil formam um padrão gigante visível por satélite e revelam uma das maiores obras naturais já estudadas.
Montes de cupins no Nordeste do Brasil formam um padrão gigante visível por satélite e revelam uma das maiores obras naturais já estudadas.

Do ponto de vista do sensoriamento remoto, o fenômeno também tem um componente particular: a “assinatura” só fica nítida em certas condições.

Onde a cobertura vegetal está preservada, a camada de arbustos e árvores reduz o contraste.

Já em áreas abertas, o conjunto aparece com clareza em imagens aéreas e pode ser identificado até por usuários comuns que navegam em mapas de satélite.

Para a ciência, essa combinação de escala gigantesca e visibilidade facilita levantamentos e mapeamentos, mas também levanta debates sobre preservação, já que parte do que tornou o padrão evidente foi justamente a conversão de áreas naturais.

Montanhas de terra, vida rural e um arquivo da natureza

Na rotina local, os montes são conhecidos e, em alguns casos, vistos como obstáculo por proprietários rurais, porque o solo compactado e “cozido” pelo sol pode dificultar o uso da terra e a mecanização.

Para pesquisadores, essas formações funcionam como arquivo geológico e biológico: cada monte registra uma etapa do transporte de sedimentos e da escavação dos túneis, tornando possível reconstruir aspectos do comportamento do inseto e do ambiente em que vive.

A “cidade” de montes no Nordeste brasileiro, portanto, não é uma ruína abandonada nem uma obra concluída.

Trata-se de uma paisagem moldada por um processo lento, persistente e distribuído, que continua a chamar atenção por unir três elementos raros na mesma história: números fora do comum, uma marca visível do espaço e a confirmação, em campo, de que estruturas aparentemente enigmáticas podem ter explicação prática ligada ao modo de vida de um animal que passa quase toda a existência no subsolo.

Se uma espécie tão pequena consegue reorganizar o terreno em escala continental, que outras “obras invisíveis” de animais ainda podem estar escondidas em ecossistemas que quase ninguém observa de perto?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x