A previsão indica uma tempestade de inverno potencialmente explosiva, com risco de bombogênese, neve acima de 15 centímetros, rajadas fortes e temperaturas extremas que podem paralisar grandes cidades da Costa Leste
O inverno segue mostrando força total no leste dos Estados Unidos e, ao que tudo indica, não pretende dar trégua nos próximos dias. Uma combinação perigosa de ar ártico intenso, águas oceânicas mais quentes e instabilidade atmosférica coloca a região sob alerta para a formação de um chamado ciclone bomba, um fenômeno raro e altamente destrutivo durante o inverno.
A informação foi divulgada por Associated Press, conforme reportagem publicada nesta semana, com base em dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), além de análises de meteorologistas do Weather Channel e especialistas independentes.
Frio extremo avança e cria cenário perfeito para um ciclone bomba
Antes de tudo, é importante entender o contexto meteorológico atual. O leste dos EUA enfrenta um período prolongado de frio intenso, com temperaturas abaixo de zero persistindo pelo menos até a primeira semana de fevereiro. Esse cenário cria as condições ideais para o surgimento de uma tempestade de inverno de grande escala.
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Segundo o meteorologista Peter Mullinax, do Centro de Previsão do Tempo da NOAA, uma forte tempestade começa a se formar entre a noite de sexta-feira e o sábado, com maior impacto inicial nas Carolinas. Caso a pressão atmosférica caia rapidamente, o sistema poderá se transformar em um ciclone bomba, também chamado de bombogênese.
Esse tipo de tempestade ocorre quando a pressão do sistema cai de forma abrupta — pelo menos 24 milibares em 24 horas — resultando em um fenômeno comparável, em intensidade, a um furacão de força moderada, porém em pleno inverno.
Como consequência direta, os meteorologistas alertam para nevascas severas, ventos violentos e sensação térmica extremamente baixa.
Nevascas intensas, ventos fortes e risco de apagões
Em seguida, os impactos previstos chamam atenção pela gravidade. Nas Carolinas, no norte da Geórgia e no sul da Virgínia, a tempestade pode despejar pelo menos 6 polegadas de neve, o equivalente a cerca de 15 centímetros, com condições de apagão total devido à baixa visibilidade.
Além disso, há incerteza sobre a trajetória exata do sistema. Caso o ciclone siga pelo corredor da Interestadual 95, poderá atingir diretamente grandes centros urbanos, incluindo Washington, Filadélfia, Nova York e até Boston, provocando uma paralisação significativa.
James Belanger, vice-presidente de meteorologia do Weather Channel, destacou que a confiança é alta quanto à ocorrência de neve significativa nas áreas costeiras das Carolinas e da Virgínia. No entanto, segundo ele, uma variação de apenas 50 milhas (80 quilômetros) no centro da tempestade será decisiva para determinar a extensão dos impactos mais ao norte.
Mesmo que a neve não atinja determinadas regiões, os ventos serão um fator crítico. Rajadas podem alcançar 40 milhas por hora, cerca de 65 km/h, derrubando árvores, danificando redes elétricas e ampliando o risco de quedas de energia em larga escala.
Tempestade mais explosiva do que a anterior e frio persistente
Diferentemente da última grande tempestade registrada, que apresentou pouca intensidade de vento, este novo sistema tende a ser muito mais agressivo. Meteorologistas explicam que a tempestade atual contará com um aporte maior de energia, impulsionado pelo contraste entre o ar ártico extremamente frio e as águas mais quentes do Golfo do México e da Corrente do Golfo no Atlântico.
De acordo com Bernadette Woods Placky, meteorologista-chefe da organização Climate Central, águas mais quentes — em parte influenciadas pelas mudanças climáticas causadas pelo ser humano — fornecem mais umidade e energia ao sistema, intensificando sua força.
Caso o ciclone bomba se consolide ao se aproximar das Carolinas, sua pressão cairá drasticamente, gerando ventos comparáveis aos de um furacão moderado, além de acúmulo extremo de neve, capaz de formar bancos tão altos que podem enterrar veículos, segundo alertou o meteorologista Ryan Maue.
Enquanto isso, o frio ártico não deve recuar tão cedo. Especialistas indicam que o padrão atmosférico manterá o leste dos EUA preso a um ciclo de frio intenso e tempestades de neve, com apenas breves períodos de aquecimento que ainda ficarão abaixo da média histórica.
“Estamos entrando em um período brutalmente frio”, afirmou Maue, reforçando que novos sistemas podem se formar já no fim da primeira semana de fevereiro.
Fonte: Science Alert

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