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China ergueu no Planalto de Loess usina de 6 GW que junta vento e sol, com pás de 99 metros levadas por estradas de montanha, e manda 12 TWh por ano para a costa

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 30/10/2026 às 20:51 Atualizado em 30/10/2026 às 20:52
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Vista aérea de duas carretas vermelhas levando pás brancas de turbina eólica por uma estrada estreita entre morros com neve.
Pás de 99 metros sobem em carretas as estradas de montanha do Planalto de Loess, no noroeste da China. Foto: Divulgação/Envision Energy
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O complexo do Planalto de Loess, com 4,5 GW de energia eólica e 1,5 GW de energia solar, entrou em operação em abril de 2026 no noroeste da China; a fabricante das turbinas diz que é o maior do mundo no formato

A China pôs para funcionar, em abril de 2026, um gigante de vento e sol num dos terrenos mais difíceis do país. Em publicação de 13 de abril de 2026 no LinkedIn, a fabricante chinesa Envision informou que o projeto no Planalto de Loess, no noroeste chinês, está em operação com 6 GW de potência somada: 4,5 GW de energia eólica e 1,5 GW de energia solar.

A Envision chama o conjunto de “o maior projeto do mundo de vento e sol no mesmo lugar”. A empresa forneceu as turbinas, e a promessa é gerar mais de 12 TWh por ano. Essa energia segue por linhas de ultra-alta tensão até as regiões industriais da costa leste da China, como registrou o site australiano RenewEconomy em 16 de abril de 2026.

Onde fica o Planalto de Loess e por que é tão difícil construir lá?

O Planalto de Loess fica a sudeste do deserto de Gobi. São cerca de 635 mil quilômetros quadrados, perto de 6,6% do território chinês, onde vivem mais de 100 milhões de pessoas, de acordo com o RenewEconomy. O tamanho muda um pouco conforme a fonte: a revista especializada Recharge fala em 640 mil km² espalhados por quatro províncias.

Para ter uma ideia, é mais que a área inteira de Minas Gerais, que tem 586,5 mil km², pelos dados do IBGE.

O nome vem do próprio chão. Loess é um sedimento fino, amarelado, trazido e depositado pelo vento ao longo de milhares de anos, explica a enciclopédia Britannica. A palavra é alemã e quer dizer “solto”. Esse pó compactado aguenta paredões quase verticais: no Planalto de Loess há barrancos de 150 metros de altura.

O resultado é um relevo de vales fundos, morros recortados e beira de deserto. A Envision descreve uma obra com janelas curtas para construir e condições duras. Foi nesse sobe e desce de morros que as turbinas tiveram de chegar inteiras.

Como uma pá de 99 metros sobe uma estrada de montanha?

Cada pá das turbinas da usina mede 99 metros. É quase o comprimento de um campo de futebol, e cada uma viajou deitada sobre uma carreta por estradas íngremes e cheias de curvas até o alto dos morros, contou a Envision.

Guindaste de treliça amarela ao lado de uma torre eólica em montagem, diante de morros cobertos de neve com degraus escavados nas encostas.
Montagem de uma torre no Planalto de Loess: cada turbina teve guindaste e transporte próprios durante a obra. Foto: Divulgação/Envision Energy

A conta do tamanho impressiona. Duas pás de 99 metros, uma de cada lado do cubo central, desenham um círculo de quase 200 metros de diâmetro quando a turbina gira. O modelo, um EN-200 de 5,56 MW feito sob medida para vento fraco e terreno montanhoso, aposta nesse rotor grande para gastar menos turbinas e acelerar a entrega.

Para não perder tempo, a fabricante diz que reservou um conjunto de transporte e um de içamento para cada turbina, na proporção de um para um. Assim a montagem seguiu sem parar dentro de uma janela de construção de cerca de 150 dias.

As pás também subiram uma por vez, em vez de o rotor inteiro ser erguido de uma só vez. Segundo a empresa, a instalação de pá única deu mais velocidade e se adaptou melhor aos morros.

Quanta energia 6 GW de vento e sol entregam por ano?

Mais de 12 TWh, ou 12 bilhões de quilowatts-hora, por ano. Dá para fazer uma conta simples com esse número. Um ano tem 8.760 horas; dividindo 12 TWh por elas, a usina entrega em média 1,37 GW a cada hora, dia e noite.

Turbina eólica de torre verde e branca no alto de uma serra alaranjada, com outras turbinas espalhadas pelos morros até o horizonte.
Turbinas da Envision espalhadas pelas serras do Planalto de Loess, onde o projeto soma 4,5 GW de energia eólica. Foto: Divulgação/Envision Energy

Se os 6 GW funcionassem no máximo o ano inteiro, a usina geraria 52,6 TWh (6 x 8.760). Os 12 TWh prometidos são 23% disso. É o chamado fator de capacidade, e ele é normal para quem depende do vento e do sol, que nunca sopram nem brilham o tempo todo.

Juntar energia eólica e energia solar no mesmo terreno ajuda nisso. As duas fontes podem dividir a mesma linha de saída, e de noite, quando o painel para, a turbina ainda pode girar.

Usina do Planalto de LoessNúmero
Energia eólica4,5 GW
Energia solar1,5 GW
Total6 GW
Geração prometidamais de 12 TWh por ano
Média por hora (12 TWh ÷ 8.760 h)cerca de 1,37 GW
TurbinaEnvision EN-200, de 5,56 MW
Pá99 metros
Janela de obracerca de 150 dias

Para onde vai a energia do noroeste da China?

Para o outro lado do país. A eletricidade sai do Planalto de Loess por linhas de ultra-alta tensão até os polos industriais da costa leste, onde ficam as grandes fábricas e cidades.

Esse é o modelo que a China repete há uma década: gerar onde sobra vento e sol, longe de tudo, e levar a energia por linha de transmissão de longa distância até quem consome, lembra a Recharge.

A própria Envision resume a virada do lugar. “Antes visto como uma paisagem dura e de poucos recursos, o Planalto de Loess agora está se transformando em fonte de energia verde estável e em grande escala”, escreveu a empresa na publicação oficial.

A usina do Planalto de Loess é mesmo a maior do mundo?

O título de maior é da própria Envision, e há disputa. A Recharge lembra que outros projetos reclamam a mesma coroa. O principal é o parque de Khavda, na Índia, planejado com 26 GW de energia solar e 4 GW de energia eólica.

A diferença está no que já funciona, somando energia eólica e energia solar. Em abril de 2026, Khavda tinha cerca de 4 GW ligados à rede, informou a revista. A usina chinesa já opera com os 6 GW, enquanto o parque indiano promete ser muito maior quando estiver pronto.

Na prática, a disputa depende da régua: o maior já em operação ou o maior no papel. Pela primeira régua, a Envision tem o argumento a seu favor.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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