O complexo do Planalto de Loess, com 4,5 GW de energia eólica e 1,5 GW de energia solar, entrou em operação em abril de 2026 no noroeste da China; a fabricante das turbinas diz que é o maior do mundo no formato
A China pôs para funcionar, em abril de 2026, um gigante de vento e sol num dos terrenos mais difíceis do país. Em publicação de 13 de abril de 2026 no LinkedIn, a fabricante chinesa Envision informou que o projeto no Planalto de Loess, no noroeste chinês, está em operação com 6 GW de potência somada: 4,5 GW de energia eólica e 1,5 GW de energia solar.
A Envision chama o conjunto de “o maior projeto do mundo de vento e sol no mesmo lugar”. A empresa forneceu as turbinas, e a promessa é gerar mais de 12 TWh por ano. Essa energia segue por linhas de ultra-alta tensão até as regiões industriais da costa leste da China, como registrou o site australiano RenewEconomy em 16 de abril de 2026.
Onde fica o Planalto de Loess e por que é tão difícil construir lá?
O Planalto de Loess fica a sudeste do deserto de Gobi. São cerca de 635 mil quilômetros quadrados, perto de 6,6% do território chinês, onde vivem mais de 100 milhões de pessoas, de acordo com o RenewEconomy. O tamanho muda um pouco conforme a fonte: a revista especializada Recharge fala em 640 mil km² espalhados por quatro províncias.
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Para ter uma ideia, é mais que a área inteira de Minas Gerais, que tem 586,5 mil km², pelos dados do IBGE.
O nome vem do próprio chão. Loess é um sedimento fino, amarelado, trazido e depositado pelo vento ao longo de milhares de anos, explica a enciclopédia Britannica. A palavra é alemã e quer dizer “solto”. Esse pó compactado aguenta paredões quase verticais: no Planalto de Loess há barrancos de 150 metros de altura.
O resultado é um relevo de vales fundos, morros recortados e beira de deserto. A Envision descreve uma obra com janelas curtas para construir e condições duras. Foi nesse sobe e desce de morros que as turbinas tiveram de chegar inteiras.
Como uma pá de 99 metros sobe uma estrada de montanha?
Cada pá das turbinas da usina mede 99 metros. É quase o comprimento de um campo de futebol, e cada uma viajou deitada sobre uma carreta por estradas íngremes e cheias de curvas até o alto dos morros, contou a Envision.

A conta do tamanho impressiona. Duas pás de 99 metros, uma de cada lado do cubo central, desenham um círculo de quase 200 metros de diâmetro quando a turbina gira. O modelo, um EN-200 de 5,56 MW feito sob medida para vento fraco e terreno montanhoso, aposta nesse rotor grande para gastar menos turbinas e acelerar a entrega.
Para não perder tempo, a fabricante diz que reservou um conjunto de transporte e um de içamento para cada turbina, na proporção de um para um. Assim a montagem seguiu sem parar dentro de uma janela de construção de cerca de 150 dias.
As pás também subiram uma por vez, em vez de o rotor inteiro ser erguido de uma só vez. Segundo a empresa, a instalação de pá única deu mais velocidade e se adaptou melhor aos morros.
Quanta energia 6 GW de vento e sol entregam por ano?
Mais de 12 TWh, ou 12 bilhões de quilowatts-hora, por ano. Dá para fazer uma conta simples com esse número. Um ano tem 8.760 horas; dividindo 12 TWh por elas, a usina entrega em média 1,37 GW a cada hora, dia e noite.

Se os 6 GW funcionassem no máximo o ano inteiro, a usina geraria 52,6 TWh (6 x 8.760). Os 12 TWh prometidos são 23% disso. É o chamado fator de capacidade, e ele é normal para quem depende do vento e do sol, que nunca sopram nem brilham o tempo todo.
Juntar energia eólica e energia solar no mesmo terreno ajuda nisso. As duas fontes podem dividir a mesma linha de saída, e de noite, quando o painel para, a turbina ainda pode girar.
| Usina do Planalto de Loess | Número |
|---|---|
| Energia eólica | 4,5 GW |
| Energia solar | 1,5 GW |
| Total | 6 GW |
| Geração prometida | mais de 12 TWh por ano |
| Média por hora (12 TWh ÷ 8.760 h) | cerca de 1,37 GW |
| Turbina | Envision EN-200, de 5,56 MW |
| Pá | 99 metros |
| Janela de obra | cerca de 150 dias |
Para onde vai a energia do noroeste da China?
Para o outro lado do país. A eletricidade sai do Planalto de Loess por linhas de ultra-alta tensão até os polos industriais da costa leste, onde ficam as grandes fábricas e cidades.
Esse é o modelo que a China repete há uma década: gerar onde sobra vento e sol, longe de tudo, e levar a energia por linha de transmissão de longa distância até quem consome, lembra a Recharge.
A própria Envision resume a virada do lugar. “Antes visto como uma paisagem dura e de poucos recursos, o Planalto de Loess agora está se transformando em fonte de energia verde estável e em grande escala”, escreveu a empresa na publicação oficial.
A usina do Planalto de Loess é mesmo a maior do mundo?
O título de maior é da própria Envision, e há disputa. A Recharge lembra que outros projetos reclamam a mesma coroa. O principal é o parque de Khavda, na Índia, planejado com 26 GW de energia solar e 4 GW de energia eólica.
A diferença está no que já funciona, somando energia eólica e energia solar. Em abril de 2026, Khavda tinha cerca de 4 GW ligados à rede, informou a revista. A usina chinesa já opera com os 6 GW, enquanto o parque indiano promete ser muito maior quando estiver pronto.
Na prática, a disputa depende da régua: o maior já em operação ou o maior no papel. Pela primeira régua, a Envision tem o argumento a seu favor.
