Projeto em alta altitude combina geração eólica e baterias para reduzir oscilações e ampliar estabilidade do fornecimento elétrico em Xinjiang, reunindo escala industrial, desafios extremos de operação e estratégia chinesa de interiorização da energia renovável em áreas remotas com grande potencial natural.
A China conectou à rede as primeiras turbinas de um parque eólico de 300 megawatts em Aheqi, em Xinjiang, no noroeste do país, em uma área que chega a 3.700 metros de altitude e exige operação adaptada a condições naturais severas.
O empreendimento, informado pela CGTN com base em dados da China Huaneng Group, combina geração eólica de grande porte com uma estação eletroquímica de armazenamento, desenhada para reduzir oscilações da fonte renovável e dar mais previsibilidade ao fornecimento elétrico regional.
Quando estiver completo, o parque terá 45 turbinas de 6,7 megawatts cada, além de um sistema de armazenamento com 30 megawatts de potência e capacidade de 60 megawatt-hora, estrutura que permite guardar energia e liberá-la conforme a demanda.
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Parque eólico em Xinjiang opera em altitude extrema
Localizado no condado de Aheqi, na Prefeitura Autônoma Quirguiz de Kizilsu, o projeto foi descrito como o parque eólico operacional de maior altitude no noroeste da China, fator que amplia a complexidade técnica da instalação e da manutenção dos equipamentos.
A primeira conexão à rede marca a entrada do empreendimento em uma fase operacional, na qual turbinas, subestações e baterias começam a atuar de forma integrada, depois de uma etapa de implantação marcada por desafios logísticos em região montanhosa.
A altitude elevada impõe obstáculos específicos a projetos desse tipo, porque ar mais rarefeito, baixas temperaturas e variações meteorológicas podem afetar transporte de componentes, montagem de torres, operação de guindastes e desempenho dos sistemas auxiliares.
Ainda assim, a escolha de Aheqi indica a tentativa chinesa de ampliar o aproveitamento de áreas remotas com bom potencial eólico, desde que a conexão à rede e a escala industrial tornem viável o investimento em infraestrutura renovável.
Armazenamento de energia melhora estabilidade da geração eólica

Segundo a CGTN, a produção anual média prevista é de 610 milhões de quilowatt-hora, volume suficiente para atender a demanda anual de cerca de 20 mil residências, conforme estimativa atribuída a Dong Guoqiang, gerente do projeto na China Huaneng Group.
O mesmo balanço aponta que a usina poderá evitar mais de 500 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, caso opere conforme o planejado, ao substituir parte da eletricidade que poderia ser gerada por fontes mais intensivas em carbono.
O armazenamento de energia é um dos pontos centrais do projeto porque a geração eólica depende da intensidade e da regularidade dos ventos, o que pode criar diferenças entre o momento de maior produção e o período de maior consumo.
Com baterias integradas, parte da eletricidade gerada pode ser retida temporariamente e entregue à rede de forma mais controlada, recurso importante em regiões que ampliam rapidamente a participação de fontes renováveis intermitentes.
Essa configuração não elimina a variabilidade da energia eólica, mas ajuda a suavizar variações de despacho, melhora a absorção da eletricidade pelo sistema e reduz perdas associadas a momentos em que a geração supera a capacidade de consumo ou transmissão.
Turbinas de grande porte e expansão para áreas remotas
O uso de turbinas de 6,7 megawatts também mostra uma tendência de concentrar mais capacidade por equipamento, estratégia que pode reduzir o número de máquinas necessárias para atingir a potência total prevista no empreendimento.
Em áreas de difícil acesso, essa escolha ganha relevância porque cada componente exige transporte especializado, preparação de terreno, montagem em altura e manutenção compatível com um ambiente menos favorável do que planícies e zonas costeiras.
Xinjiang tem sido uma das regiões estratégicas para a expansão de energia renovável na China, especialmente em projetos eólicos e solares instalados em áreas de deserto, planalto e zonas afastadas dos principais centros consumidores.
Nesse cenário, a infraestrutura de transmissão e o armazenamento passam a ter papel tão importante quanto a construção de novas usinas, já que a eletricidade precisa chegar ao sistema de forma estável e em condições seguras de operação.
A conexão das primeiras turbinas em Aheqi, portanto, não representa apenas aumento de capacidade instalada, mas um teste prático para modelos de geração renovável em ambientes extremos, com integração entre aerogeradores de grande porte e baterias.
O projeto também reforça a interiorização da infraestrutura limpa chinesa, movimento em que bases de energia renovável avançam para áreas mais remotas, desde que tenham recursos naturais suficientes e suporte técnico para operar em escala industrial.
Embora a CGTN não tenha detalhado todas as soluções de engenharia usadas para lidar com altitude, frio e logística, os dados divulgados indicam que o parque foi planejado para combinar capacidade elevada, armazenamento e maior estabilidade no fornecimento.
A etapa inicial de operação deve permitir a avaliação do desempenho dos equipamentos em campo, especialmente na integração entre geração, controle elétrico e sistema de baterias, antes da plena entrega da capacidade prevista de 300 megawatts.
Para o setor energético, o caso de Aheqi ilustra como a expansão renovável passa cada vez mais por projetos híbridos, nos quais a geração limpa é acompanhada de mecanismos capazes de reduzir instabilidade e melhorar o uso da eletricidade produzida.

