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Cerca de 1.800 japoneses puxam cordas de 30 metros e conseguem deslocar torre de 360 toneladas por mais de 2 metros, usando técnica tradicional que move edifícios inteiros sobre rolos ou trilhos sem desmontá-los, enquanto castelo histórico inicia retorno ao local original após restauração

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 31/08/2026 às 14:43 Atualizado em 31/08/2026 às 15:02
Cerca de 1.800 voluntários movimentam torre de 360 toneladas do Castelo Hirosaki com cordas de 30 metros e técnica tradicional japonesa antes da conclusão do retorno ao local original.
Cerca de 1.800 voluntários movimentam torre de 360 toneladas do Castelo Hirosaki com cordas de 30 metros e técnica tradicional japonesa antes da conclusão do retorno ao local original.
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Cerca de 1.800 voluntários moveram a torre de 360 toneladas do Castelo Hirosaki por mais de dois metros usando cordas de 30 metros e a técnica tradicional hikiya. A estrutura inicia o retorno ao ponto original após restauração da muralha, enquanto máquinas completarão parte do trajeto histórico restante em 2026.

Cerca de 1.800 pessoas participaram do deslocamento manual da torre do Castelo Hirosaki, na província de Aomori, no norte do Japão. A estrutura de 360 toneladas avançou pouco mais de dois metros enquanto grupos de voluntários puxavam longas cordas, em uma operação ligada ao retorno da construção para sua localização original.

As informações foram publicadas pelo UOL, em conteúdo da Deutsche Welle, em 26 de agosto de 2026, assinado por Felipe Espinosa Wang. A operação utiliza o hikiya, técnica tradicional japonesa capaz de deslocar edifícios inteiros sobre rolos ou trilhos sem desmontar a construção.

Torre de 360 toneladas foi puxada pela própria população

Kensuke Hayasaka, chefe do projeto de restauração, afirmou que a participação pública foi incentivada. - Foto: AFP
Kensuke Hayasaka, chefe do projeto de restauração, afirmou que a participação pública foi incentivada. – Foto: AFP

A movimentação ocorreu com participação direta dos voluntários, que puxaram a construção enquanto entoavam o chamado “so-re, so-re”.

A torre pesa 360 toneladas e integra o Castelo Hirosaki, patrimônio histórico cuja estrutura atual foi reconstruída no início do século XIX.

Cordas usadas na operação tinham 30 metros

Os voluntários não atuaram todos simultaneamente na linha de tração.

Segundo informações do The Guardian citadas na fonte, foram organizados grupos rotativos de 80 pessoas, responsáveis por puxar cordas de 30 metros durante o deslocamento.

Torre avançou 1,13 metro no primeiro dia

Após a conclusão de trabalhos de restauração no telhado de cobre e nas fachadas do castelo, a reabertura completa ao público está prevista para 2033. - Foto: AFP
Após a conclusão de trabalhos de restauração no telhado de cobre e nas fachadas do castelo, a reabertura completa ao público está prevista para 2033. – Foto: AFP

O movimento foi realizado gradualmente.

No sábado, os participantes conseguiram deslocar a estrutura em 1,13 metro, mantendo a operação dentro de um ritmo controlado para preservar a construção histórica.

Outros 1,09 metro foram percorridos no domingo

A atividade continuou no dia seguinte.

No domingo, a torre avançou mais 1,09 metro, levando o deslocamento acumulado do fim de semana para pouco mais de dois metros.

Hikiya permite mover construções sem desmontá-las

1.800 pessoas movem o Castelo de Hirosaki, de 396 toneladas, no Japão. Fotografia: (X| Japan News)
1.800 pessoas movem o Castelo de Hirosaki, de 396 toneladas, no Japão. 
Fotografia: (X| Japan News)

O método utilizado é conhecido no Japão como hikiya.

A técnica possibilita transferir uma construção inteira de um ponto para outro utilizando rolos ou trilhos, evitando a necessidade de desmontar previamente o edifício e reconstruí-lo depois.

Técnica já foi usada para abrir espaço a estradas e obras

O hikiya não surgiu exclusivamente como recurso de preservação histórica.

Durante muito tempo, o método foi empregado para transferir construções e liberar áreas destinadas ao desenvolvimento urbano, ampliação de estradas e outras intervenções.

No Japão, a mesma técnica ganhou também uma função ligada à conservação de edifícios históricos.

Status cultural da torre influenciou escolha da operação

Cerca de 1.800 voluntários movimentam torre de 360 toneladas do Castelo Hirosaki com cordas de 30 metros e técnica tradicional japonesa antes da conclusão do retorno ao local original.
video: redes sociais/X

As autoridades optaram pelo processo lento e controlado devido à importância histórica da estrutura.

A torre é considerada um bem cultural de importância nacional, condição que exige atenção especial durante intervenções e deslocamentos.

Torre já havia sido deslocada em 2015

A operação atual não é a primeira experiência do Castelo Hirosaki com o hikiya.

Em 2015, a torre foi afastada de sua posição original para permitir reparos em uma muralha danificada por um forte terremoto.

A movimentação anterior também marcou uma mudança na forma como o método era realizado.

Segundo o Guardian, aquela foi a primeira vez que a população participou de um hikiya e a primeira vez em um século que alguma variante da técnica foi empregada para deslocar um castelo.

Muralha precisou ser reconstruída pedra por pedra

Depois que a torre foi afastada, os trabalhos se concentraram na recuperação do muro.

A restauração exigiu a recolocação de 2.185 pedras em suas posições originais, em um processo concluído em dezembro de 2024.

Restauração da muralha terminou em dezembro de 2024

A conclusão dessa etapa permitiu iniciar o retorno da torre.

Com a muralha novamente restaurada, a estrutura de 360 toneladas começou em 2026 a percorrer o caminho de volta até o ponto de onde havia sido retirada.

Oito mil pessoas disputaram 1.800 vagas

O interesse em participar da operação superou amplamente a capacidade disponível.

Kensuke Hayasaka, responsável pelos parques e áreas verdes da Prefeitura de Hirosaki, afirmou ao Guardian que cerca de 8.000 inscrições foram recebidas em apenas dois dias para 1.800 vagas.

Inscrições chegaram de diferentes continentes

A procura não ficou restrita aos moradores próximos ao castelo.

Os pedidos para participar vieram de diferentes regiões do Japão e também do Sudeste Asiático, Europa e América do Norte.

Homem de 61 anos voltou após participar do deslocamento anterior

Alguns voluntários já tinham experiência com a movimentação do castelo.

Motoharu Nakata, de 61 anos, viajou de Hiroshima depois de ter participado também da transferência anterior. Ele relatou que poder integrar novamente a operação tinha significado especial.

O esforço dos primeiros 1.800 voluntários corresponde apenas a uma pequena parte do percurso completo.

A participação popular deveria continuar até o final de agosto, com cerca de 4.100 pessoas ainda previstas para contribuir para completar cinco metros do deslocamento.

Máquinas farão os 73 metros restantes

A força humana não será utilizada durante toda a movimentação.

Depois do trecho reservado aos voluntários, os 73 metros restantes deverão ser percorridos com auxílio de máquinas antes do fim do ano, de acordo com as informações citadas pelo Guardian.

Castelo Hirosaki foi concluído originalmente em 1611

A história da fortificação antecede em séculos a torre atualmente deslocada.

O Castelo Hirosaki foi concluído em 1611, mas sua torre original tinha uma configuração diferente daquela preservada hoje.

Torre original de cinco andares desapareceu em 1627

A primeira torre de menagem tinha cinco andares.

Em 1627, um raio provocou um incêndio que destruiu aquela estrutura, deixando o castelo sem a torre original.

Estrutura atual de três andares foi reconstruída em 1811

A torre que participa da operação atual foi erguida quase dois séculos depois.

A construção atual possui três andares e foi reconstruída em 1811, permanecendo como uma das estruturas históricas preservadas do Japão.

Apenas 12 torres de menagem históricas permanecem de pé

A raridade da construção ajuda a explicar os cuidados adotados durante a movimentação.

Segundo o Guardian, somente 12 torres de menagem históricas permanecem preservadas no Japão.

A de Hirosaki é a única remanescente na região de Tohoku.

Castelo entrou em lista dos 100 melhores do Japão em 2006

O reconhecimento histórico também aparece em classificações nacionais.

Em 2006, o Castelo Hirosaki foi incluído pela Fundação de Castelos do Japão na lista dos “100 melhores castelos” do país.

Retorno ao local original não encerrará restauração

A chegada da torre ao ponto de origem será apenas mais uma etapa.

Depois de reposicionada, a construção deverá passar por novos trabalhos de conservação, período durante o qual ficará coberta e inacessível aos visitantes.

Castelo prevê receber visitantes novamente em 2033

O cronograma de conservação se estende por vários anos.

Segundo Kensuke Hayasaka, a previsão atual é que a torre volte a receber visitantes em 2033, depois da conclusão das etapas que seguirão ao retorno para sua localização original.

Na sua opinião, o que mais chama atenção nessa operação: mover 360 toneladas com voluntários e cordas, preservar uma técnica tradicional como o hikiya ou reconstruir a muralha com 2.185 pedras antes de devolver a torre ao lugar original? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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