1. Início
  2. Curiosidades
  3. Catando reciclável nas ruas de Ahmedabad por 5 rúpias ao dia até 1981, uma indiana se juntou a outras 40 mulheres e fundou uma cooperativa de limpeza que reúne 400 pessoas, atende 45 instituições e fatura 1 crore de rúpias por ano, e ainda pagou a faculdade de medicina do filho
Faça um comentário 6 min de leitura

Catando reciclável nas ruas de Ahmedabad por 5 rúpias ao dia até 1981, uma indiana se juntou a outras 40 mulheres e fundou uma cooperativa de limpeza que reúne 400 pessoas, atende 45 instituições e fatura 1 crore de rúpias por ano, e ainda pagou a faculdade de medicina do filho

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 17/07/2026 às 20:03 Atualizado em 17/07/2026 às 20:10
Uma indiana que catava lixo por 5 rúpias ao dia fundou uma cooperativa de limpeza que fatura 1 crore por ano e pagou a faculdade de medicina do filho.
Uma indiana que catava lixo por 5 rúpias ao dia fundou uma cooperativa de limpeza que fatura 1 crore por ano e pagou a faculdade de medicina do filho.
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Uma indiana que catava lixo reciclável nas ruas por 5 rúpias ao dia se uniu a outras 40 mulheres e fundou uma cooperativa de limpeza. O negócio cresceu, passou a reunir 400 pessoas e a faturar 1 crore de rúpias por ano, e ela ainda bancou a faculdade de medicina do filho.

Uma indiana escreveu uma história de superação que parte, literalmente, da pobreza à prosperidade. Até 1981, ela sobrevivia catando material reciclável nas ruas de Ahmedabad, na Índia, ganhando apenas 5 rúpias por dia, uma quantia ínfima. Décadas depois, ela se tornou a orgulhosa líder de uma cooperativa de limpeza que reúne centenas de pessoas e movimenta um faturamento anual expressivo, provando que uma origem humilde não precisa definir o destino de alguém.

A trajetória de Manjula Vaghela foi contada pelo portal indiano The Better India e é um retrato de como a união entre mulheres pode transformar realidades. O que começou com um grupo de 40 ex-catadoras de lixo se transformou em uma organização robusta, com 400 integrantes e serviços prestados a dezenas de instituições. A mesma mulher que revirava o lixo alheio ao amanhecer conseguiu, com o tempo, pagar a faculdade de medicina do próprio filho. É a prova de que dignidade e oportunidade podem mudar o rumo de uma família inteira.

A dura rotina de catadora de lixo

Antes de qualquer conquista, a vida de Manjula era marcada pela sobrevivência diária nas ruas. Como catadora de lixo, seu trabalho começava ao raiar do dia. Ela pegava um grande saco de juta e saía para vasculhar o lixo de outras pessoas em busca de materiais recicláveis que pudessem ser vendidos. No fim da jornada, entregava tudo o que havia coletado a um ferro-velho, recebendo em troca uma quantia mínima.

Apesar da precariedade, havia um elemento que já apontava para o futuro. Segundo o relato, uma das poucas vantagens daquele trabalho era que os catadores costumavam formar seus próprios grupos, criando laços de solidariedade entre pessoas que enfrentavam a mesma realidade. Essa capacidade de se organizar em coletivo seria, mais tarde, a semente de tudo o que viria a seguir. O que parecia apenas uma estratégia de sobrevivência nas ruas acabou se revelando a base de uma virada de vida.

O encontro que mudou tudo

Uma indiana que catava lixo por 5 rúpias ao dia fundou uma cooperativa de limpeza que fatura 1 crore por ano e pagou a faculdade de medicina do filho.
Uma indiana que catava lixo por 5 rúpias ao dia fundou uma cooperativa de limpeza que fatura 1 crore por ano e pagou a faculdade de medicina do filho.

A grande transformação começou a partir de um encontro decisivo. Manjula e as mulheres de seu coletivo conheceram a fundadora de uma conhecida associação de mulheres autônomas da Índia, um contato que abriu novos horizontes para o grupo. Foi a partir dessa aproximação que nasceu a ideia de transformar a informalidade das ruas em algo estruturado e digno.

Assim surgiu a cooperativa de limpeza, inicialmente formada por 40 mulheres. A organização, batizada com um longo nome em referência ao trabalho e à autonomia feminina, representou uma ruptura com o passado de catação de lixo. Deixar de revirar o lixo para prestar serviços profissionais de limpeza foi um salto de dignidade para todas elas. O grupo passou a se enxergar não mais como catadoras à margem, mas como trabalhadoras organizadas em busca de reconhecimento e renda estável.

A tragédia que a tornou única provedora

O caminho, no entanto, não foi isento de dor. Quando a cooperativa foi formada, Manjula já era casada e tinha um filho. Mas uma tragédia repentina abalou sua família, deixando-a como a única responsável pelo sustento de casa. De um momento para o outro, o peso de prover sozinha recaiu inteiramente sobre seus ombros.

Foi justamente nesse cenário adverso que a força da cooperativa se mostrou fundamental. O trabalho na organização deu a Manjula os meios para seguir em frente e sustentar a família mesmo diante da perda. A cooperativa deixou de ser apenas um empreendimento e se tornou a tábua de salvação de uma mãe sozinha. A necessidade, longe de paralisá-la, parece ter impulsionado ainda mais sua dedicação ao projeto que ajudara a construir.

O crescimento de uma cooperativa de sucesso

Com o tempo, a cooperativa cresceu de forma consistente por meio de vários níveis de treinamento. As primeiras oportunidades vieram de instituições de peso: segundo o relato, um renomado instituto de design foi o primeiro a oferecer trabalho ao grupo, seguido por um laboratório de pesquisa que contratou 15 das mulheres. Aos poucos, a organização foi conquistando espaço e credibilidade.

O alcance se expandiu para muito além daqueles primeiros contratos. A cooperativa passou a prestar serviços de limpeza a instituições de renome nacional, condomínios residenciais e até em grandes eventos e cúpulas empresariais da região. De um grupo de 40 mulheres, a organização chegou a reunir 400 integrantes, a maioria ex-catadores de lixo. Prestando serviços a 45 instituições e associações em Ahmedabad, o negócio alcançou um faturamento anual de 1 crore de rúpias, unidade que, no sistema indiano, equivale a dez milhões de rúpias, um marco impressionante para quem começou catando reciclável nas ruas.

Tecnologia, novos desafios e o próximo passo

O avanço da cooperativa também se refletiu na modernização do trabalho. As mulheres, que antes dependiam apenas das próprias mãos e de um saco de juta, passaram a utilizar equipamentos modernos, como lavadoras de rua, aspiradores de pó, máquinas de lavagem de alta pressão, esfregões de microfibra e máquinas de limpeza de pisos e carpetes. A profissionalização transformou completamente a natureza do serviço prestado.

Ainda assim, novos obstáculos surgiram com os tempos. Uma das metas do grupo passou a ser capacitar as integrantes analfabetas no uso de tecnologia, para que pudessem entender processos como as licitações eletrônicas. A dificuldade com a tecnologia virou o novo desafio a ser superado por quem já venceu tantos outros. Conforme relatado por uma das associadas mais antigas, muitas dessas licitações digitais eram difíceis de preencher, mas o grupo demonstrava confiança de que superaria também essa barreira, fiel ao histórico de perseverança que sempre o marcou.

O maior orgulho: o filho médico

Entre todas as conquistas, uma se destaca como símbolo máximo da virada de vida de Manjula. Com o trabalho na cooperativa, ela conseguiu ganhar o suficiente para pagar os estudos do filho, incluindo a cara e concorrida faculdade de medicina. O menino, filho de uma ex-catadora de lixo, tornou-se médico.

O reconhecimento por essa trajetória extraordinária veio de forma tocante. Segundo o relato, a própria faculdade onde o filho estudou prestou uma homenagem a Manjula e ao jovem médico, celebrando a história de superação que uniu mãe e filho. A mulher que começou revirando o lixo por 5 rúpias por dia formou um médico e virou exemplo de dignidade. É o desfecho que resume o significado de toda a sua jornada, mostrando o poder transformador do trabalho, da organização coletiva e da determinação.

E você, o que essa história de superação, que partiu das ruas e chegou à liderança de uma cooperativa de sucesso, despertou em você? Conta aqui nos comentários o que mais te inspirou na trajetória dessa mulher e se você conhece histórias parecidas de gente que virou o jogo pela força de vontade.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x