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Depois de atravessar a fronteira na Partição da Índia aos 5 anos e estudar sob a luz dos postes por falta de dinheiro, um engenheiro aposentado virou aos 77 anos um dos PhDs mais velhos do IIT Delhi, somando vários mestrados ao longo de seis décadas trabalhando e estudando ao mesmo tempo

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 17/07/2026 às 20:00 Atualizado em 17/07/2026 às 20:05
Refugiado da Partição aos 5 anos, um engenheiro indiano estudou sob postes de luz e virou, aos 77, um dos doutores mais velhos do IIT Delhi. Veja a história
Refugiado da Partição aos 5 anos, um engenheiro indiano estudou sob postes de luz e virou, aos 77, um dos doutores mais velhos do IIT Delhi. Veja a história
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Um engenheiro aposentado de 77 anos se tornou um dos doutores mais velhos a se formar pelo IIT Delhi, um dos institutos mais prestigiados da Índia. Refugiado da Partição aos 5 anos e obrigado a estudar sob postes de luz por falta de dinheiro, ele nunca parou de aprender.

Aos 77 anos, um engenheiro aposentado da Índia provou que a busca pelo conhecimento não tem idade para acabar ao se tornar um dos doutores mais velhos a receber um PhD do IIT Delhi, um dos institutos de tecnologia mais respeitados do país. A conquista, porém, é apenas mais um capítulo de uma vida extraordinária, marcada por atravessar a fronteira ainda criança durante a Partição da Índia e por estudar sob a luz de postes públicos por falta de dinheiro em casa.

A história do engenheiro SK Dhawan foi contada pelo portal indiano The Better India e é um testemunho de perseverança que atravessa seis décadas. Ao longo da vida, ele acumulou diploma atrás de diploma, quase sempre estudando e trabalhando em tempo integral ao mesmo tempo, sem jamais se dar por satisfeito com o que já havia alcançado. Para ele, cada dia continua sendo uma oportunidade de agregar valor e aprender algo novo. É a trajetória de alguém que transformou a dificuldade em combustível para nunca parar.

Da fronteira da Partição à primeira certificação

A vida de Dhawan foi moldada por um dos episódios mais dramáticos da história indiana. Nascido em 1942 em uma pequena vila na região de Punjab, no território que hoje é o Paquistão, ele tinha apenas cinco anos quando sua família precisou migrar para a Índia durante a Partição, o violento processo de divisão que separou os dois países. Segundo o relato, seu pai deixou para trás propriedades e pertences e recomeçou do zero com a esposa e os filhos.

Esse recomeço forçado teve consequências profundas na trajetória do menino. As dificuldades financeiras da família tornaram imprescindível que ele arrumasse um emprego logo após concluir o ensino médio. Em vez de sufocar seu desejo de estudar, a adversidade só o intensificou. Ele concluiu um curso técnico profissionalizante e, aos 18 anos, em 1961, começou a trabalhar como desenhista em um departamento de obras públicas do governo, já com a certeza de que queria ir além e se tornar engenheiro.

O engenheiro que estudava enquanto trabalhava

Refugiado da Partição aos 5 anos, um engenheiro indiano estudou sob postes de luz e virou, aos 77, um dos doutores mais velhos do IIT Delhi. Veja a história
Refugiado da Partição aos 5 anos, um engenheiro indiano estudou sob postes de luz e virou, aos 77, um dos doutores mais velhos do IIT Delhi. Veja a história

O que define a trajetória de Dhawan é a capacidade de conciliar o trabalho em tempo integral com os estudos, uma rotina que ele repetiria por décadas. Ainda jovem funcionário público, ele prestou o exame para associação da instituição de engenheiros do país, foi aprovado e se tornou engenheiro júnior graduado aos 22 anos, dando o primeiro grande passo rumo ao sonho profissional.

A ascensão continuou nos anos seguintes. Em 1971, ele foi aprovado em um concorrido exame de serviços de engenharia e foi selecionado como oficial de primeira classe no governo indiano, um cargo que o levou a trabalhar em diferentes regiões do país. O trabalho o levou de um extremo ao outro da Índia, sempre acompanhado da vontade de aprender mais. Mesmo com um cargo importante e uma carreira consolidada, ele seguia insatisfeito e determinado a buscar novas qualificações.

Seis semestres de mestrado sem largar o emprego

Em 1979, Dhawan deu um passo que exigiria um esforço quase sobre-humano: ingressou no IIT Delhi para cursar um mestrado em engenharia estrutural, sem abrir mão do emprego de tempo integral no governo nem das responsabilidades com a família. A combinação das três frentes transformou os anos seguintes em uma maratona de disciplina.

O relato dele sobre esse período impressiona. Segundo conta, era preciso dedicar de seis a sete horas extras por dia ao curso, ficando acordado até tarde, levantando cedo e trabalhando sete dias por semana durante seis semestres, incluindo a conclusão de um projeto de pesquisa. Ele descreve o esforço como um pequeno desconforto, não como um fardo. Sua explicação para essa resiliência remete à infância: por já ter estudado sob a luz de postes públicos quando criança, encarar dificuldades acadêmicas não lhe parecia um peso. Ele recebeu o diploma em 1982.

Uma coleção de diplomas dentro e fora da Índia

A sede de conhecimento de Dhawan não se esgotou com o mestrado no IIT Delhi. Depois de conquistar uma bolsa de estudos internacional, ele viajou ao Reino Unido para cursar outro mestrado, dessa vez em gestão de desenvolvimento urbano, na Universidade de Birmingham, ampliando sua formação para além das fronteiras indianas.

A lista de qualificações seguiu crescendo ao longo dos anos. Ele também obteve um mestrado em administração pública, concluído com distinção em uma instituição de Nova Delhi, além de um mestrado em filosofia por outra universidade indiana. Ao todo, foram vários diplomas de pós-graduação somados ao longo da vida, obtidos em instituições da Índia e do exterior. Cada nova formação se encaixava em uma carreira que já era, por si só, bastante diversa e cheia de realizações no serviço público.

Uma carreira de obras que moldou a pesquisa

A vida profissional de Dhawan como engenheiro do serviço público foi tão ampla quanto sua formação. Ao longo das décadas, seu trabalho abrangeu o planejamento, a construção e a manutenção de faculdades, rodovias, projetos de hidrovias e sistemas de transporte urbano, entre muitas outras áreas. Ele chegou até a elaborar diretrizes para o governo voltadas à avaliação de imóveis de cidadãos comuns.

Essa bagagem prática se revelaria fundamental mais tarde. Depois de se aposentar como engenheiro-chefe em 2002, ele ainda atuou como consultor por alguns anos antes de dar aulas em uma escola de planejamento e arquitetura. Foi a experiência de décadas construindo estradas, prédios e pontes que deu base à sua futura pesquisa de doutorado. Esse conhecimento acumulado sobre como as estruturas se comportam diante de ventos, terremotos e cargas diversas viria a alimentar diretamente seu trabalho acadêmico anos depois.

O doutorado aos 77 e a pesquisa sobre a vida dos prédios

O desejo de continuar estudando falou mais alto novamente. Em 2013, já aposentado e após anos lecionando, Dhawan se matriculou no programa de doutorado do IIT Delhi. Foram seis anos de dedicação até que, em novembro de 2019, ele se tornasse o aluno mais velho a receber um doutorado da instituição naquele ano, aos 77 anos.

O tema de sua tese dialoga diretamente com toda a sua carreira. A pesquisa aborda por quanto tempo um edifício de concreto armado já existente pode permanecer seguro ou ser reformado para aumentar sua durabilidade. O trabalho propõe uma metodologia para orientar decisões sobre reparar, reabilitar, demolir ou ampliar construções existentes. Segundo ele, o método também poderia ajudar compradores e vendedores a tomarem decisões mais bem informadas na hora de negociar imóveis, unindo o rigor acadêmico à utilidade prática.

O apoio da família e os planos para o futuro

Por trás de toda essa jornada, Dhawan faz questão de reconhecer o papel da família. Embora suas decisões tenham sido movidas sobretudo por motivações pessoais, ele se diz imensamente grato ao apoio recebido em casa, destacando o incentivo constante da esposa ao longo de sua busca pelo conhecimento, sempre lhe dando suporte moral e emocional, assim como os filhos.

Mesmo com o doutorado conquistado, ele não pensa em parar. Seus planos incluem participar de conferências internacionais, escrever artigos e orientar estudantes de mestrado e doutorado, continuando a compartilhar o que aprendeu. Ele afirma que sempre sente que pode fazer algo mais, e é justamente aí que encontra sua motivação. Acostumado a trabalhar mais de doze horas por dia ao longo da vida, seu objetivo, agora, é manter a disciplina, permanecer engajado e, acima de tudo, continuar sendo útil.

E você, o que essa história de alguém que nunca parou de estudar, mesmo diante de tantas dificuldades, despertou em você? Conta aqui nos comentários até onde você iria para realizar um sonho de aprendizado e se acredita que nunca é tarde para voltar aos estudos.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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