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Casal constrói sozinho ilha flutuante em local isolado com madeira, isopor e cordas e vive por 31 anos sem eletricidade, em área acessível apenas por barco

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 23/12/2025 às 06:28
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Catherine King e Wayne Adams dedicaram décadas à construção modular de uma ilha flutuante isolada, sustentando moradia contínua, trabalho artístico e rotina fora da rede elétrica

Durante 31 anos, Catherine King e Wayne Adams viveram em uma ilha flutuante em Freedom Cove, a 16 quilômetros de barco de Tofino, após iniciarem o projeto em 1987 e concluírem a mudança em fevereiro de 1992, mantendo moradia fora da rede elétrica.

Catherine King, de 64 anos, afirma que conheceu Wayne Adams no verão de 1987, na casa de um amigo, quando ambos identificaram o objetivo comum de viver fora da rede elétrica.

Naquele período, King trabalhava como massoterapeuta em Toronto, onde cresceu, enquanto Adams atuava como escultor em Victoria, e a conversa inicial evoluiu para a decisão de morarem juntos.

Segundo King, a motivação compartilhada vinha da infância marcada por experiências de bullying, e a natureza foi entendida como espaço de cura e refúgio, elemento que passou a orientar escolhas posteriores.

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Encontro em 1987 e a decisão por uma enseada isolada acessível apenas por barco, fator considerado essencial para o modelo de vida planejado pelo casal

O casal decidiu construir a casa definitiva em uma pequena enseada próxima à costa de Tofino, conhecida localmente como Freedom Cove, definida por King como isolada e acessível apenas por viagem de barco.

King relata que se sentiu atraída pela enseada por razões práticas e pessoais, citando isolamento, sensação de magia e a percepção de que o local exigia sinceridade e adaptação constante.

Ao encontrarem Freedom Cove, decidiram construir uma casa flutuante próxima à costa para estarem inseridos na natureza sem interferir diretamente nela, evitando ocupação fixa em terra.

No mesmo verão, uma tempestade deixou peças de madeira descartadas na praia, material interpretado pelo casal como sinal favorável e utilizado na base dos primeiros módulos.

Transferência em fevereiro de 1992 marca início de três décadas de moradia contínua sobre estruturas flutuantes ancoradas por cordas

Em fevereiro de 1992, King e Adams concluíram a construção inicial e transferiram a casa flutuante para a enseada, iniciando um período de moradia contínua que se estendeu por três décadas.

A estrutura flutua com isopor e é amarrada por cordas em formação semelhante a uma teia de aranha, configuração descrita como base de conexão e estabilização.

Relatos descrevem a formação de plataformas conectadas e múltiplas edificações, incluindo estufas, galeria e área de dança, compondo uma ilha-residência ampliada ao longo do tempo.

O projeto também funcionou como espaço de trabalho artístico e de vida cotidiana, com componentes criados conforme necessidades práticas, sem um plano único fechado desde o início.

Materiais reaproveitados e expansão gradual por módulos construídos conforme disponibilidade e necessidades cotidianas do casal

Adams reunia materiais por meio de pedidos em comunidades locais, e King relata que ele organizava o que recebia em pilhas antes de decidir o que construir.

O crescimento ocorreu por adições graduais, incluindo estruturas ligadas aos interesses do casal, com destaque para a primeira pista de dança, considerada essencial por King.

Com o tempo, além de madeira, foram incorporados equipamentos metálicos descartados da piscicultura, ampliando possibilidades construtivas e permitindo novas áreas funcionais.

A ilha passou a incluir várias estufas, um galinheiro, uma grande cozinha e um sistema de purificação de água, sustentando rotina de produção e manutenção integrada.

Registros anteriores descrevem plataformas conectadas com anexos como oficina, galeria, estufas e farol, reforçando que a expansão ocorreu por módulos acoplados ao núcleo inicial.

Em determinado período, o casal operou uma fábrica de velas, destruída por um incêndio em 2011 após Adams deixar acidentalmente um fogão a lenha aceso.

Após o incêndio, King relata que Adams construiu uma galeria no local e reconstruiu a fábrica do lado externo, permitindo soltar as cordas em caso de novo erro.

Rotina de manutenção anual, impactos de tempestades, custos fixos e instalação de internet em 2013

King afirma que tempestades de inverno causam destruição todos os anos, derrubando partes inteiras das construções, e a resposta recorrente sempre foi reconstruir.

Ela relata ter reconstruído o piso da pista de dança quatro vezes devido ao apodrecimento da madeira, descrevendo um cotidiano baseado em manutenção contínua.

Além dos danos naturais, o casal lidou com custos de reposição de sistemas como painéis solares, que exigiam pagamentos periódicos mesmo fora da rede elétrica.

Sete anos após construírem a ilha, foram identificados pelo governo municipal e passaram a pagar impostos anuais, adicionando despesa fixa ao modelo de vida.

Em 2013, instalaram internet na ilha e, segundo King, o custo foi mais alto do que na cidade, conectando Freedom Cove ao mundo online.

King relata que, como artistas, viveram com orçamento muito apertado, passando anos ganhando apenas 6.000 dólares por ano, situação que mudou parcialmente com a aposentadoria.

Moradora atual após março de 2023 mantém funcionamento diário da ilha flutuante construída ao longo de 31 anos

Wayne Robert Adams nasceu em 25 de abril de 1948 e morreu em 15 de março de 2023, conforme obituário que também registra os 31 anos ligados a Freedom Cove.

Após oito anos de luta contra câncer retal, King passou a manter a rotina sozinha, operando geradores, sistemas de propano e deslocamentos de barco.

Ela afirma que o luto trouxe momentos em que tudo pareceu difícil, mas diz que não pretende sair e recebe apoio de amigos e familiares.

A história da ilha flutuante construída pelo casal permanece centrada em Freedom Cove, com Catherine King como moradora atual e responsável pela manutenção diária.

Com informações de Busines Insider.

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Romário Pereira de Carvalho

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