Nick Drummond e Patrick Bakker compraram em 2019 uma casa de 1915 no pequeno vilarejo de Ames, no estado de Nova York, e ouviram uma história difícil de comprovar sobre o antigo proprietário. Durante a reforma, pacotes envolvidos em papel e palha começaram a surgir dentro das paredes e sob o assoalho. O conteúdo levou o casal diretamente aos anos da Lei Seca e a um homem conhecido na região como “The Count”.
Uma reforma iniciada em uma casa centenária no interior do estado de Nova York acabou revelando algo que permanecia escondido havia quase um século. Ao retirar partes deterioradas da estrutura, Nick Drummond e Patrick Bakker encontraram dezenas de garrafas de uísque da época da Lei Seca americana, cuidadosamente ocultadas entre paredes e tábuas do piso.
A primeira contagem divulgada em novembro de 2020 apontava mais de 66 garrafas, algumas ainda completamente fechadas.
O achado chamou atenção principalmente por uma história que o casal escutava desde que comprou o imóvel: a casa teria sido construída por um homem ligado ao contrabando de bebidas alcoólicas.
-
Família compra bilhetes premiados de verdadeiros ganhadores, apresenta mais de 14 mil apostas como próprias, movimenta US$ 20 milhões e leva loteria a revisar licenças de 40 estabelecimentos
-
Jovem de 20 anos sai para pescaria de dez dias no Canadá, desaparece por 50 dias sob temperaturas de até -20 °C e é encontrado por trabalhadores do setor de petróleo e gás
-
Carta escrita em 1916 chega ao endereço original em Londres com mais de 100 anos de atraso e é aberta pelo morador atual, de 27 anos
-
Aos 8 anos, menino sai para vender geladinho na rua pela missão de pagar os dois meses de aluguel atrasado da avó que estava prestes a ser despejada, comove a internet ao explicar que queria retribuir quem sempre o ajudou e a corrente de doações termina com ele ganhando uma casa nova
Reforma começou a revelar pacotes escondidos dentro da estrutura da casa
Drummond e Bakker compraram a propriedade em Ames, no condado de Montgomery, em 2019. Segundo a FOX 5 New York, o imóvel custou aproximadamente US$ 183 mil e havia sido construído em 1915, o que significa que já tinha cerca de 105 anos quando as garrafas foram encontradas.
A descoberta começou durante obras em uma área anexa da residência. Drummond, que trabalha com design e preservação histórica, retirava peças de madeira deterioradas próximas à base do cômodo quando palha e um pacote começaram a aparecer atrás das tábuas.
Ao examinar o espaço, percebeu vidro entre o material. Dentro estavam garrafas antigas. Logo surgiram outros pacotes, todos montados de maneira semelhante, com as garrafas envolvidas em papel e protegidas por palha, numa forma de armazenamento que também ajudava a evitar impactos.
O primeiro ponto, porém, não era o único esconderijo.
Sob o assoalho havia outro compartimento com mais uísque

Depois das primeiras garrafas nas paredes, os proprietários passaram a examinar outros espaços da casa. Uma abertura no piso do mesmo cômodo permitiu acesso à área sob as tábuas, onde novos lotes de bebida estavam escondidos.
Drummond contou à CNN que inicialmente encontrou sete conjuntos com seis garrafas, o equivalente a 42 unidades. Depois apareceram mais quatro conjuntos e outros recipientes durante a continuidade das obras.
As garrafas tinham rótulos de Old Smuggler Gaelic, um uísque escocês cuja marca continua no mercado. O nome acabou ganhando um significado incomum diante da história da propriedade, já que “Old Smuggler” pode ser traduzido como “velho contrabandista”.
Em novembro de 2020, o casal informou que 13 das 66 garrafas então catalogadas ainda estavam cheias. Outras haviam perdido parte ou todo o líquido ao longo das décadas, provavelmente porque a vedação não resistiu ao tempo e à posição em que foram armazenadas.
Contagem continuou aumentando conforme a reforma avançou
As 66 garrafas divulgadas inicialmente não encerraram a descoberta. Em janeiro de 2021, a Spectrum News informou que Drummond e Bakker já haviam recuperado mais de 70 unidades do uísque escondido na residência.
Uma reportagem posterior do Times Union, publicada em março daquele ano, registrou uma contagem ainda maior: 88 garrafas encontradas, das quais 13 estariam cheias. Isso mostra que os números variaram nas reportagens porque novos compartimentos eram abertos à medida que a restauração prosseguia.
O Inside Edition chegou a acompanhar os proprietários dentro do espaço sob o piso e registrou a busca por outras garrafas. O programa informou em dezembro de 2020 que parte do líquido havia evaporado, enquanto outras unidades continuavam com quantidade significativa de uísque quase um século depois de terem sido escondidas.
História antiga da casa levou a um homem conhecido como Count Humpfner
Antes mesmo da reforma, havia uma história circulando sobre a propriedade. O homem associado à construção da casa era Adolph Humpfner, um alemão conhecido localmente como “Count”, ou “Conde” Humpfner.
Depois de comprar o imóvel, Drummond começou a consultar jornais antigos, documentos e registros relacionados ao antigo proprietário. As pesquisas mostraram um personagem conhecido na região, envolvido em controvérsias e cercado por histórias sobre comércio clandestino de bebidas durante os anos da proibição.
A descoberta física das garrafas deu força à antiga versão ouvida pelo casal sobre a ligação da casa com o contrabando. Há, porém, uma diferença entre a tradição local e uma condenação criminal comprovada. Reportagens posteriores sobre a história registraram que Humpfner era apontado como contrabandista, mas não há registro apresentado nessas fontes de que tenha sido condenado por bootlegging.
O que ficou comprovado dentro do imóvel foi outra coisa: alguém escondeu grandes quantidades de uísque produzido e comercializado na época da Lei Seca em espaços preparados nas paredes e sob o assoalho da propriedade ligada a Humpfner.
Lei Seca proibia fabricação, venda e transporte de bebidas alcoólicas
A época à qual as garrafas pertencem começou oficialmente no início de 1920. A 18ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, ratificada em 16 de janeiro de 1919, determinava a proibição da fabricação, venda e transporte de bebidas alcoólicas para consumo. A regra passou a valer um ano depois e foi regulamentada pelo Volstead Act.
A proibição, entretanto, não eliminou o consumo. Ela abriu espaço para redes clandestinas de fabricação, distribuição e transporte de álcool, dando origem à figura dos chamados bootleggers. Registros preservados pelo National Archives mostram investigações federais relacionadas a violações da legislação e operações de contrabando durante os anos 1920.
Humpfner morreu em 1932, ainda durante a Lei Seca. A proibição nacional terminou no ano seguinte, quando a 21ª Emenda revogou formalmente a 18ª em 5 de dezembro de 1933.
Assim, caso as garrafas tenham sido escondidas durante os anos 1920 ou início da década de 1930, permaneceram intocadas dentro da estrutura da casa durante várias gerações de moradores.
Garrafas fechadas chegaram a ser avaliadas em cerca de US$ 1 mil cada
Além do valor histórico, algumas unidades apresentavam possível interesse para colecionadores. Na época da descoberta, Drummond afirmou que avaliadores estimavam que determinadas garrafas intactas poderiam valer cerca de US$ 1 mil cada.
O plano anunciado pelo casal era preservar no imóvel algumas das embalagens vazias ou com o conteúdo evaporado e vender parte das unidades fechadas. Eles também disseram que pretendiam guardar uma garrafa para experimentar o uísque.
O restante da reforma ganhou outro significado. O que começou como a restauração de uma residência de 1915 passou a envolver também a investigação sobre quem viveu ali e por que dezenas de garrafas foram escondidas em lugares que aparentemente não deveriam ser reabertos.
Você imaginaria encontrar dezenas de garrafas da época da Lei Seca ao abrir a parede de uma casa antiga durante uma reforma?
