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Casa própria de 200 m² foi construída com até 60% de economia, começou com menos de R$ 100 mil e virou vitrine de soluções baratas, sustentáveis e inteligentes na construção

Escrito por Carla Teles
Publicado em 25/03/2026 às 14:05
Atualizado em 27/03/2026 às 23:55
Assista o vídeoCasa própria de 200 m² foi construída com até 60% de economia, começou com menos de R$ 100 mil e virou vitrine de soluções baratas, sustentáveis e inteligentes na construção
Casa própria com economia na construção usa tijolo ecológico e contêiner para reduzir custos e ampliar conforto.
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A casa própria construída em etapas reuniu soluções de baixo custo, técnicas sustentáveis e escolhas inteligentes que, segundo os moradores, permitiram alcançar até 60% de economia em diferentes partes da obra.

A casa própria do casal começou com um passo básico, mas decisivo: a compra do terreno por R$ 55 mil, cerca de cinco anos atrás. A partir daí, o projeto foi sendo executado em fases, com prioridades bem definidas, parcelamentos, adaptações e decisões pensadas para reduzir custos sem abrir mão de conforto, funcionalidade e identidade arquitetônica.

O resultado foi uma moradia de 200 m² que se transformou em uma espécie de vitrine de soluções econômicas e sustentáveis. Em vez de tentar levantar tudo de uma vez, os moradores optaram por construir o mínimo viável primeiro e expandir a casa aos poucos, conforme o dinheiro permitia, combinando reaproveitamento de materiais, sistemas construtivos racionais e acabamento simplificado.

A casa própria foi dividida em etapas para caber no orçamento

Uma das chaves do projeto foi a divisão da obra em fases. Com menos de R$ 100 mil no início, o casal precisou equilibrar compra do terreno, poço, esgoto e a construção da primeira parte da residência.

Isso exigiu uma lógica de crescimento progressivo, em que a casa própria foi sendo completada conforme surgiam novas condições financeiras.

Essa estratégia evitou o peso de uma obra integral logo de saída e permitiu transformar a primeira etapa em uma base funcional para viver, enquanto as expansões eram planejadas com mais calma.

Depois vieram a parte dois da casa e, mais recentemente, o avanço para uma terceira etapa, já ligada à necessidade de ampliar a área por causa do crescimento da família.

Tijolo ecológico virou protagonista da economia

Entre as soluções mais destacadas do projeto está o uso do tijolo ecológico. Segundo a base, ele foi aplicado majoritariamente nas paredes da casa e ajudou a reduzir consumo de concreto, argamassa, formas de madeira e acabamento.

Em vários pontos, a própria estrutura já ficou embutida no sistema, transformando a alvenaria em solução estrutural e de vedação ao mesmo tempo.

O tijolo ecológico também ajudou a cortar etapas tradicionais da obra, já que parte das superfícies dispensou revestimentos mais caros. Em alguns trechos, a parede nem chegou a receber rejunte ou impermeabilização, enquanto em outros bastou reboco mais fino.

A lógica foi sempre a mesma: eliminar camadas, reduzir material e aproveitar ao máximo a própria construção como acabamento final.

Radiê polido concentrou fundação, contrapiso e piso final

Outro ponto forte da casa própria foi a escolha do radiê de concreto polido. No projeto, ele assumiu três funções ao mesmo tempo: fundação, contrapiso e piso final. Isso permitiu reduzir serviços, acelerar a execução e gerar, segundo os moradores, 50% de economia nessa frente da obra.

Além disso, o radiê ajudou a lidar com um terreno que tinha cerca de 1 metro de caimento. Em vez de investir pesado em movimentação de terra, a casa foi trabalhada em níveis diferentes, com um degrau interno e com parte do contêiner “flutuando” na área mais baixa.

Só nessa decisão de respeitar o desnível natural, a economia relatada foi de R$ 18 mil em movimentação de terra.

Cobogó sem cobogó, cimento queimado e ausência de cerâmica reduziram custos

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A base mostra que boa parte da economia veio de decisões aparentemente simples, mas muito estratégicas. Uma delas foi a chamada “falta do cobogó”, com tijolos posicionados em pé para criar ventilação e iluminação natural sem a compra do elemento vazado convencional.

Também houve eliminação total de porcelanato e cerâmica. Nas áreas molhadas, a escolha foi pelo cimento queimado, inclusive com nichos simplificados.

Segundo o relato, isso reduziu muito o custo de acabamento. A casa própria passou a ser pensada não como soma de itens caros, mas como combinação inteligente de soluções mais enxutas.

Reaproveitamento virou parte da estética da casa própria

Boa parte do que dá identidade ao projeto veio de materiais reaproveitados. Portões de metal da casa onde a moradora cresceu foram reciclados, sobras de madeira viraram bancada, objetos doados entraram na decoração e até ferros não usados na obra foram convertidos em mobiliário e suportes.

Esse reaproveitamento não aparece apenas como economia forçada. Ele também virou linguagem da casa própria, reforçando uma estética mais artesanal, afetiva e funcional.

O projeto mostra que baixo custo não precisa significar ausência de cuidado visual. Em vários ambientes, a proposta foi justamente transformar sobra, reaproveitamento e improviso em solução de desenho.

Soluções sustentáveis ajudaram a cortar gastos fixos

A base também relaciona a casa própria a um conjunto de estratégias voltadas para reduzir despesas permanentes. Entre elas estão energia solar, fossa ecológica, ventilação natural, iluminação natural e um telhado verde em parte da estrutura.

Segundo o relato, isso fez com que os moradores deixassem de pagar água, esgoto e energia da forma convencional. A fossa ecológica ainda foi descrita como uma solução 60% mais econômica e com a vantagem de dispensar limpa-fossa, além de produzir bananas.

Ou seja, a economia não ficou restrita ao momento da construção e passou a influenciar também o custo de viver na casa.

Contêiner, construção seca e expansão planejada mantiveram a lógica do baixo custo

No início, o casal usou um contêiner como parte importante da estratégia de implantação da moradia. Ele permitiu reduzir canteiro de obra e acelerar a ocupação do terreno.

Depois, com a nova fase de ampliação, a escolha passou a ser a construção seca com light wall, vista como solução mais rápida para erguer o segundo andar sem sobrecarregar a estrutura existente.

Esse ponto é importante porque mostra que a casa própria nunca foi tratada como projeto estático. Ela foi desenhada para crescer, e a base indica que a possibilidade de expansão já estava prevista desde o começo. Assim, cada fase não anulava a anterior, mas preparava o caminho para a próxima.

Bancadas, marcenaria e vidro entraram no projeto com lógica racional

A economia também apareceu em escolhas de interiores. Bancadas sem saia, granito mais em conta, estrutura metálica para eliminar apoios centrais, armários sem fundo e sem portas e marcenaria apoiada nas próprias paredes ajudaram a reduzir gasto sem comprometer o uso diário da casa.

Ao mesmo tempo, o projeto apostou forte em vidro temperado simples para garantir iluminação natural e integração com o entorno. Segundo a base, essa opção saiu por menos da metade do preço de outras esquadrias em alguns casos.

A casa própria foi sendo montada com a lógica de que cada elemento precisava justificar seu custo pela função que entregava.

O entorno natural virou parte da experiência de morar

A implantação da casa própria também aproveitou o terreno e sua paisagem. Há jardim, vegetação pensada para proteger a fachada oeste do sol mais forte, quintal com lagoa, pier, caiaque e integração constante entre dentro e fora. Isso faz com que a casa não se limite às paredes e à cobertura.

A sensação é de um projeto que tenta economizar sem abrir mão de qualidade espacial. O entorno natural, a ventilação cruzada, a incidência de luz e os jardins internos aparecem como parte concreta da experiência de morar, não como detalhe decorativo.

A obra mostra que a casa própria pode crescer junto com a vida real

Talvez o ponto mais forte de toda a história seja esse: a casa própria não foi construída como produto pronto e fechado, mas como processo. Primeiro veio o terreno.

Depois a parte mínima viável. Em seguida, ampliações, muros, garagem, telhado verde, painéis solares, contêiner reaproveitado e agora a preparação para o segundo andar.

Em vez de buscar uma obra ideal e distante da realidade financeira, o projeto foi moldado pela vida real, com orçamento curto, parcelamento, reaproveitamento e decisões práticas. É justamente isso que faz essa casa se destacar como exemplo de construção barata, sustentável e inteligente.

Se você fosse construir sua casa própria, qual dessas soluções você teria mais vontade de adotar para economizar sem abrir mão de conforto?

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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