Benefício fiscal reduz preço do carro zero-km, mas oferta e procura seguem ditando o valor dos seminovos no mercado automotivo
O programa Carro Sustentável zerou o IPI de veículos zero-km compactos e eficientes, e os preços caíram em modelos como Volkswagen Polo, Fiat Mobi e Renault Kwid.
A pergunta é direta: isso puxa para baixo o valor dos carros usados?
Segundo Enilson Sales, presidente da Fenauto, a resposta é clara:
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“A lei da oferta e da procura é quem regula preço. Então não adianta você entregar benefícios que artificialmente pressionam um ou outro segmento ou um ou outro espaço do mercado em termos de preço, porque na realidade tudo depende da procura”.
Ele lembra que o carro zero-km costuma receber novos equipamentos e tecnologias a cada ciclo — o que encarece a etiqueta e preserva a atratividade dos seminovos: mais conteúdo pelo mesmo orçamento.
Mercado de usados é seis vezes maior e continua acelerando
A dimensão do segmento explica parte da resiliência: o mercado de carros usados é seis vezes maior que o de novos.
Em 2024, a Fenauto contabilizou 15,7 milhões de transações de usados e seminovos, contra quase 2,5 milhões de emplacamentos de carro zero-km (passeio e comerciais leves).
Em 2025, a toada segue forte. Julho trouxe recorde para o mês desde o início da série histórica: 1.711.074 unidades trocaram de dono, 19,1% acima de junho e 16,6% acima de julho de 2024.
No acumulado, são 10.061.523 veículos, 14,2% a mais que no mesmo período do ano passado.
Diante desse fôlego, Sales pede um olhar mais atento do poder público ao mercado automotivo de seminovos:
“O segmento de seminovos usados quase nunca é contemplado ou nunca é contemplado com regras ou benefícios que façam com que o segmento se movimente. Se fossem tomadas algumas medidas, destravaria muito mais ainda o mercado de veículos no país e faria com que o giro ficasse muito mais rápido”.
O que realmente segura os preços dos seminovos
Mesmo com incentivos pontuais ao carro zero-km, Sales afirma que o apetite por carros usados — especialmente os mais completos — mantém a régua dos preços elevada:
“Não acredito que o preço dos veículos cai esse ano, nem no ano que vem, nem em outro ano. A busca de seminovos e usados é feita por veículos mais completos. Ou seja, são modelos que têm muito mais acessórios disponíveis e essa busca faz com que o preço nunca caia, porque a procura é sempre maior do que a oferta”.
Ele também alerta sobre o destino dos veículos incentivados:
“Esse veículo precisa chegar ao consumidor e não ficar entregue às locadoras nem aos frotistas de carro de aplicativo”.
Projeções para 2025: entre 17 e 18 milhões de carros usados negociados
Se o ritmo atual fosse projetado matematicamente até dezembro, as vendas de carros usados poderiam chegar a 18 milhões — salto expressivo sobre os 15,7 milhões de 2024.
A Fenauto, no entanto, trabalha com prudência:
“A entidade hoje trabalha na casa dos 17 milhões. Imaginamos que é possível fazer isso, mas depende muito do comportamento da economia e do crédito na praça”.
Para o consumidor, a leitura prática é simples: com carro zero-km mais barato em alguns nichos e seminovos valorizados pelo pacote de equipamentos, a decisão passa por comparar conteúdo, garantia, financiamento e liquidez — não apenas o preço da vitrine.
E você, na hora de trocar: prefere um seminovo mais completo ou um carro zero-km de entrada com IPI zerado?