Reconhecimento oficial de Mateiros reforça importância cultural do capim-dourado, enquanto crescimento da pecuária no Tocantins segue baseado em pastagens adaptadas ao Cerrado e expansão do rebanho bovino em diferentes regiões do estado.
Mateiros, no Jalapão, foi reconhecida como Capital Nacional do Capim-dourado pela Lei nº 15.050, de 20 de dezembro de 2024, consolidando sua relevância cultural, embora a força econômica da planta esteja ligada ao artesanato, turismo e extrativismo, e não à alimentação direta do rebanho bovino.
Segundo o IBGE, o município registrou 2.748 habitantes no Censo de 2022 e tem estimativa de 2.922 moradores em 2025, números que reforçam seu porte reduzido, mas não diminuem o papel central que desempenha na identidade cultural e econômica do Jalapão.
Mesmo com população pequena, a cidade se destaca pela produção artesanal feita com hastes douradas, cuja técnica atravessa gerações e sustenta parte significativa da renda local, especialmente em comunidades tradicionais que mantêm práticas históricas de coleta e beneficiamento.
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Embora o nome sugira uso forrageiro, o capim-dourado não é uma gramínea voltada à pastagem, sendo classificado como Syngonanthus nitens, espécie típica de áreas úmidas do Cerrado, onde sua coleta exige controle rigoroso para garantir a reprodução natural e evitar impactos ambientais.
Para preservar a espécie, a colheita no Tocantins ocorre apenas entre 20 de setembro e 20 de novembro, período definido por legislação específica, além da exigência de que o material seja comercializado apenas em peças finalizadas, como acessórios e itens decorativos.
Capim-dourado no Jalapão e tradição artesanal
No território do Jalapão, a comunidade quilombola Mumbuca se consolidou como referência na produção artesanal, reunindo conhecimento tradicional e organização coletiva que garantiram visibilidade nacional ao capim-dourado desde o avanço do turismo nas últimas décadas.

A partir dos anos 1990, com o crescimento do ecoturismo, as peças passaram a circular em feiras e mercados especializados, ampliando a renda local e projetando o Jalapão como destino associado à natureza preservada e à produção cultural autêntica.
Pecuária no Tocantins e crescimento do rebanho bovino
Por outro lado, o avanço da pecuária no Tocantins está diretamente ligado à expansão de pastagens adaptadas ao Cerrado e ao fortalecimento da cadeia produtiva, sem qualquer dependência do capim-dourado como fonte alimentar para o gado.
Entre 2018 e 2024, o rebanho bovino estadual cresceu 39,2%, colocando o Tocantins entre os maiores produtores do país, com números que superam 11 milhões de cabeças, conforme dados divulgados pelo governo estadual.
Em regiões do Jalapão, a criação extensiva convive com práticas extrativistas, mas estudos indicam que moradores tratam essas atividades de forma distinta, separando claramente o uso das áreas destinadas ao gado daquelas voltadas à coleta do capim-dourado.
Diferença entre capim-dourado e pastagens para gado
Essa diferenciação se torna essencial para evitar interpretações equivocadas, já que o capim-dourado possui valor ambiental e cultural próprio, não devendo ser confundido com espécies forrageiras utilizadas na alimentação do rebanho em diferentes períodos climáticos.
Enquanto pastagens nativas ou cultivadas sustentam a pecuária, a planta símbolo do Jalapão cumpre papel distinto, voltado à economia criativa e à preservação de práticas tradicionais, com impacto indireto na organização socioeconômica local.
Desafios do Cerrado e manejo sustentável

Diante das condições climáticas do Jalapão, caracterizadas por longos períodos de estiagem e solos arenosos de baixa fertilidade, produtores rurais precisam adotar estratégias adaptadas para manter a produtividade sem ampliar a pressão sobre áreas sensíveis do bioma.
Nesse contexto, o uso de pastagens resistentes aliado a manejo adequado contribui para reduzir perdas, enquanto práticas inadequadas podem intensificar processos de degradação, incluindo erosão e comprometimento de áreas de veredas e campos úmidos.
Ao mesmo tempo, o capim-dourado permanece como recurso extrativista cuja sustentabilidade depende do respeito ao calendário de coleta, da fiscalização contínua e da manutenção dos ambientes naturais onde a espécie se desenvolve.
Turismo e renda com o capim-dourado
A relevância econômica da planta em Mateiros está concentrada no artesanato, atividade que mobiliza famílias inteiras e reforça a identidade cultural regional por meio de técnicas transmitidas ao longo de gerações.
Com a expansão do turismo, essas peças passaram a representar fonte importante de renda, ao mesmo tempo em que fortalecem a imagem do Jalapão como destino ligado à biodiversidade e à produção artesanal reconhecida.
Enquanto isso, a pecuária segue como um dos pilares do agronegócio tocantinense, com destaque para municípios como Araguaína e Porto Nacional, que apresentam estrutura produtiva mais robusta e consolidada no cenário estadual.
Reconhecimento nacional e papel econômico distinto
O reconhecimento de Mateiros como Capital Nacional do Capim-dourado amplia a visibilidade da atividade artesanal e reforça a necessidade de preservar sua cadeia produtiva, sem alterar o papel econômico predominante do município.
Já o desempenho da pecuária no estado decorre de fatores estruturais, como disponibilidade de áreas, investimentos produtivos e adaptação ao clima, mantendo o capim-dourado restrito ao seu papel cultural e ambiental dentro do Cerrado.
Assim, a leitura integrada do cenário regional evidencia que tradição artesanal e produção pecuária coexistem, mas seguem lógicas distintas, contribuindo de formas complementares para a dinâmica econômica do Tocantins.
