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Caminhoneiro autônomo conta como saiu de caminhão velho do pai para comprar OITO caminhões zero, trabalhando dia e noite, vivendo com pouco, guardando cada frete e usando gerente de banco para aprovar financiamento do caminhão

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 27/12/2025 às 19:36
Assista o vídeoHistória de caminhoneiro autônomo que compra caminhões zero com financiamento de caminhão, apoio de gerente de banco e programa FINAME para crescer no transporte.
História de caminhoneiro autônomo que compra caminhões zero com financiamento de caminhão, apoio de gerente de banco e programa FINAME para crescer no transporte.
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Entre 1994 e 2019, o caminhoneiro autônomo Luiz transformou o caminhão velho herdado do pai em oito caminhões zero, contando com gerente de banco que aprovou o primeiro financiamento, rodando dia e noite, vivendo com pouco e guardando parte de cada frete numa conta separada para não falhar no pagamento

Em 1994, quando o país mudava a moeda para o real e financiar caminhão novo ainda dependia de boa vontade de gerente e aprovação do FINAME, o caminhoneiro autônomo Luiz decidiu sair do caminhão velho do pai e assumir sozinho a dívida do primeiro zero quilômetro. Sem conta no Banco do Brasil e com pouco histórico financeiro, ele chegou à agência de Rolim de Moura, em Rondônia, para pedir um financiamento que muita gente dizia ser impossível de conseguir.

Nas décadas seguintes, ele compraria novos caminhões em 1998, 2001, 2001 de novo, 2008, 2010, 2014 e 2019, somando oito caminhões zero em cerca de 25 anos entre o primeiro e o último. Em todas as operações, repetiu a mesma fórmula: vender o usado, dar entrada, negociar com gerente ou vendedor disposto a brigar pelo crédito, financiar em 36 ou 60 meses e rodar dia e noite para que o caminhão “se pagasse” antes de pensar em trocar novamente.

Do caminhão velho do pai ao primeiro zero financiado

História de caminhoneiro autônomo que compra caminhões zero com financiamento de caminhão, apoio de gerente de banco e programa FINAME para crescer no transporte.

Antes de aparecer com Scania automatizado e frota distribuída na família, Luiz começou com um caminhão usado comprado do pai.

Foi esse caminhão velho que garantiu a entrada do primeiro zero, quando ele decidiu vender o veículo e aplicar todo o valor no novo financiamento.

A lógica era simples e rígida. Em vez de separar um salário fixo para si, o caminhoneiro autônomo organizou as contas para que todo o dinheiro que sobrasse do caminhão, depois de combustível e despesas da viagem, fosse destinado à parcela.

Para viver, tirava apenas o mínimo para alimentação e necessidades básicas.

No primeiro financiamento, em 1994, o prazo era de 36 meses, com seis de carência.

A regra pessoal dele, porém, era clara: o caminhão precisava “se defender” sozinho, isto é, gerar caixa suficiente para pagar a própria prestação, sem depender de renda externa da família.

O papel decisivo do gerente do Banco do Brasil em 1994

O ponto de virada veio quando o caminhoneiro autônomo, ainda sem conta bancária, decidiu procurar um gerente do Banco do Brasil em Rolim de Moura.

Ele próprio conta que a instituição considerava difícil liberar crédito para caminhão novo naquela época, sobretudo para quem não tinha histórico e garantia formal robusta.

A saída sugerida inicialmente foi colocar o financiamento em nome do pai, que já tinha conta e terras no banco.

O gerente, porém, recusou essa alternativa e insistiu em financiar no nome de Luiz, argumentando que quem iria trabalhar com o caminhão era ele.

O gerente montou a operação, assumiu o risco e chegou a garantir que, se o FINAME não aprovasse, o Banco do Brasil pagaria o caminhão ao fabricante.

O veículo zero, de uma montadora Mercedes, chegou a ser destinado a outro cliente que pagaria à vista, mas o negócio não se concretizou.

Com a intermediação do gerente, o caminhoneiro autônomo conseguiu ficar com o caminhão que seria de outro comprador, em plena transição de moeda para o real. Essa primeira aprovação abriu caminho para todos os demais financiamentos.

Da sequência de compras ao total de oito caminhões zero

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Depois do primeiro caminhão novo em 1994, Luiz entrou em uma sequência de trocas programadas. Segundo ele, em 1998 veio o segundo caminhão zero.

Em 2001, o ritmo acelerou e foram dois caminhões no mesmo ano, aumentando a estrutura de trabalho.

Em 2008, um novo zero entrou na frota. Em 2010, mais um, seguindo a mesma disciplina de entrada com caminhão usado e financiamento de longo prazo.

Em 2014, ele comprou o Scania P310 mostrado na entrevista, já com quarto eixo e câmbio automatizado, financiado em 60 meses.

Em 2019, adquiriu outro Scania, modelo 320, que hoje é conduzido pelo filho.

Somando todas as operações, o caminhoneiro autônomo contabiliza oito caminhões zero ao longo da carreira.

A maior parte dos veículos anteriores era de uma mesma marca tradicional; a migração para Scania veio apenas na fase mais recente, quando um vendedor conseguiu aprovar o crédito diretamente no banco da montadora depois de tentativas frustradas.

Disciplina financeira: viver com pouco e guardar cada frete

Ao ser questionado por que alguns motoristas não conseguem comprar caminhão zero, enquanto ele acumulou oito, Luiz resume a diferença em dois pontos: ajuda certa no começo e controle extremo do dinheiro.

Do lado do controle, a estratégia dele foi não se pagar um salário formal enquanto havia caminhão financiado.

Todo o resultado do frete era centralizado.

Ele pagava diesel, manutenção e despesas da viagem, e o que sobrava ia direto para uma conta reservada para a parcela do caminhão e para necessidades futuras do veículo.

Essa postura significava viver com pouco durante anos, reduzindo ao mínimo as retiradas pessoais.

Para o caminhoneiro autônomo, o principal era garantir que a prestação fosse paga em dia, preservando o histórico positivo com bancos e programas de financiamento como FINAME e, mais tarde, as linhas voltadas ao setor, conhecidas no mercado como pró-caminhoneiro.

FINAME, pró-caminhoneiro e a necessidade de abrir empresa

Conforme a frota crescia, surgiram limites técnicos dos programas de financiamento. Em determinado momento, Luiz já devia um caminhão e queria financiar outro.

As regras não permitiam que ele aparecesse com dois financiamentos simultâneos como pessoa física.

A solução foi abrir uma firma para viabilizar a compra do segundo caminhão, separando operações em CNPJ e ampliando a capacidade de crédito.

Ele relata ter utilizado inicialmente o FINAME e, depois, linhas conhecidas como pró-caminhoneiro para ampliar a frota, sempre com apoio de gerentes e vendedores que se dispuseram a montar o processo de forma correta.

Essa combinação de relacionamento com banco, documentação em ordem e histórico de pagamento em dia foi decisiva para que os novos financiamentos fossem aprovados em sequência, mesmo em períodos em que outros caminhoneiros relatavam dificuldade para entrar nos mesmos programas.

Trabalho dia e noite, poucas paradas e estradas diferentes das de hoje

Para fazer as parcelas caberem no orçamento, Luiz relembra uma rotina de viagens intensas.

Em trechos entre Rondônia e São Paulo, ele conta que conseguia chegar em cerca de dois dias, algo que considera inviável atualmente.

O contexto era outro: menos radares, menos quebra-molas, menos veículos nas rodovias e caminhões com menos restrições de horário.

Ele afirma que rodava praticamente dia e noite, com poucas paradas, para garantir que o caminhão “desse conta” da prestação e de suas próprias despesas.

Sobre o uso de estimulantes para aguentar o ritmo, o caminhoneiro autônomo admite que, naquela época, alguns motoristas recorriam a substâncias para permanecer acordados, mas faz questão de dizer que, no seu caso, isso foi “muito pouco” ao longo da carreira.

A mensagem central dele hoje é de que disciplina de horário, planejamento de rota e manutenção em dia são mais importantes do que tentar compensar cansaço com atalhos perigosos.

Conforto e tecnologia no Scania P310 comprado em 2014

O caminhão destacado na entrevista é um Scania P310, ano 2014, com quarto eixo e câmbio automatizado.

Luiz conta que foi seu primeiro caminhão automatizado e que a adaptação foi rápida, justamente porque o conforto e a redução de esforço físico são grandes em comparação aos modelos anteriores.

Segundo ele, o P310 faz média em torno de 3,3 quilômetros por litro em estradas de São Paulo, Rondônia e Mato Grosso, desempenho que considera adequado para o tipo de operação que realiza.

A cabine, com suspensão a ar e configuração mais confortável, reduz cansaço ao fim do dia e melhora as condições de trabalho do caminhoneiro autônomo em viagens longas.

Hoje o filho trabalha em um Scania 320, ano 2019, também comprado zero.

Com isso, a família mantém dois caminhões de última geração na ativa, fruto direto da disciplina de décadas em cima do mesmo modelo financeiro: entrada forte, financiamento negociado, frete direcionado à parcela e consumo pessoal controlado.

Por que ele decidiu não trocar novamente o caminhão agora

Mesmo com histórico de trocas sucessivas, Luiz relata que, aproximadamente um ano antes da entrevista, chegou a negociar uma nova troca do Scania 2014 por um modelo mais atual.

Conversou com representante da montadora, chegou a discutir valores, mas desistiu ao fazer as contas finais.

Segundo ele, a diferença de preço ficou muito alta em relação ao frete disponível no mercado, levando à conclusão de que a troca naquele momento não se pagaria nas mesmas condições de antes.

Com isso, preferiu seguir com o caminhão atual, completamente quitado, reduzindo risco financeiro e preservando o equilíbrio da operação.

Diante da história de um caminhoneiro autônomo que saiu do caminhão velho do pai, comprou oito caminhões zero e só avançou quando a conta fechava no lápis, você acha que hoje ainda vale a pena assumir financiamento pesado de caminhão ou é melhor focar primeiro em reserva e frete garantido antes de entrar na dívida?

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Humberto
Humberto
28/12/2025 09:24

Também comprei um em 2014, muito bom o caminhão.

Fonte
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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