Construído em 1959 como parte da rede do Corpo Real de Observadores para monitoramento nuclear, o bunker de Tunstall, em East Yorkshire, perdeu cerca de 100 metros de terreno para a erosão costeira, está à beira de um penhasco instável e pode desabar no mar em questão de dias, segundo registros recentes
Um bunker de monitoramento nuclear da Guerra Fria, construído em 1959 e localizado próximo a Tunstall, na costa de Holderness, em East Yorkshire, está prestes a desabar no mar após décadas de erosão acelerada que reduziram drasticamente a distância entre a estrutura e o penhasco costeiro.
Estrutura da Guerra Fria chega ao limite físico após décadas de recuo da linha costeira
O bunker foi erguido como um posto do Corpo Real de Observadores, o ROC, em um período de intensificação das tensões nucleares globais. Quando construído, estava situado a aproximadamente 100 metros da linha costeira, em terreno considerado seguro.
Atualmente, a estrutura encontra-se literalmente à beira de um penhasco íngreme, com ondas atingindo sua base durante a maré alta.
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A proximidade extrema com o mar indica que o colapso pode ocorrer a qualquer momento, possivelmente de forma repentina.
Segundo o historiador amador Davey Robinson, que acompanha o local diariamente, o bunker “não tem muito tempo de vida, talvez apenas alguns dias”, diante da velocidade com que o solo ao redor continua sendo levado pelo mar.
Monitoramento diário registra avanço acelerado da erosão sobre o bunker
Robinson e sua parceira, Tracy Charlton, têm visitado o local há mais de uma semana, registrando em vídeo as mudanças diárias causadas pela erosão costeira. As gravações mostram partes cada vez maiores da estrutura subterrânea sendo expostas.
De acordo com Robinson, a perda de terreno tem ocorrido de forma visível entre um dia e outro.
O avanço das ondas sobre a base do penhasco vem removendo o suporte que ainda mantinha o bunker estável.
As imagens publicadas online passaram a atrair atenção internacional, ampliando o interesse público sobre o destino da construção e sobre a fragilidade da costa de East Yorkshire frente aos processos naturais de erosão.
Posto do Corpo Real de Observadores nunca foi usado operacionalmente
O posto ROC de Tunstall fazia parte de uma rede nacional de estações de monitoramento projetadas para detectar explosões nucleares e a precipitação radioativa durante a Guerra Fria.
A estrutura era majoritariamente subterrânea, com apenas um pequeno bloco de concreto visível na superfície.
Com o avanço da erosão, paredes de tijolos vermelhos, divisões internas e acessos antes enterrados tornaram-se visíveis.
O interior incluía dormitórios e instalações de moradia consideradas muito básicas para longas permanências.
Em entrevista à BBC, Robinson explicou que o bunker foi concebido para permitir que seus ocupantes permanecessem no local enquanto monitoravam possíveis explosões nucleares. Segundo ele, apesar da preparação, o posto nunca chegou a ser utilizado de forma operacional.
Costa de Holderness perde em média dois metros por ano, segundo a Agência Ambiental
A Agência Ambiental classifica East Yorkshire como uma das regiões costeiras com erosão mais rápida do Reino Unido. Na costa de Holderness, a taxa média de perda de terra é estimada em cerca de dois metros por ano.
Esse processo contínuo explica como uma estrutura originalmente distante da água acabou exposta em poucas décadas. A combinação de ondas, abrasão e deriva litorânea remove gradualmente os sedimentos das falésias e praias da região.
Os efeitos são particularmente intensos em áreas compostas por solos arenosos e ricos em argila, como ocorre em grande parte do litoral de Holderness, tornando o recuo da linha costeira mais rápido e imprevisível.
Perda histórica de território inclui aldeias inteiras desde a época romana
Registros de geografia histórica indicam que aproximadamente cinco quilômetros de terra já foram perdidos na costa de Holderness desde a época romana. Pelo menos 23 aldeias desapareceram ao longo dos séculos em razão da erosão.
Além da perda territorial, o fenômeno frequentemente expõe ou destrói sítios históricos e arqueológicos. Em muitos casos, estruturas ocultas por séculos são reveladas apenas brevemente antes de serem novamente engolidas pelo mar.
O bunker de Tunstall se insere nesse contexto como um exemplo visível e recente do impacto contínuo da erosão sobre o patrimônio histórico e a paisagem costeira britânica, segndo Robinson.
Colapso deve ocorrer de forma súbita com a continuidade da ação das ondas
Especialistas indicam que o desabamento do bunker, quando ocorrer, deverá ser rápido. As ondas continuam a minar a base do penhasco que sustenta a estrutura, reduzindo progressivamente sua estabilidade.
Embora existam defesas costeiras em algumas áreas do Reino Unido, grande parte da costa de Holderness permanece sem proteção direta. Nesses trechos, as autoridades costumam adotar estratégias de retirada planejada.
Para Robinson, observar o bunker se deslocando fisicamente em direção ao mar tornou-se uma forma concreta de demonstrar a velocidade das transformações costeiras. “Ver algo real se movendo mostra exatamente o que está acontecendo”, afirmou.

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