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Operadores das centrais da Braskem rodaram a 69% da capacidade de eteno no 3º trimestre, e a petroquímica vendeu 9% mais resinas e 18% menos químicos no Brasil

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 30/10/2026 às 06:05 Atualizado em 30/10/2026 às 06:06
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As centrais petroquímicas da Braskem no Brasil operaram com 69% da capacidade de eteno entre julho e setembro, e a margem das resinas voltou ao nível de antes da guerra no Irã.

Os números estão no relatório de produção do terceiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira (29). A taxa de utilização subiu 4 pontos percentuais sobre o mesmo período de 2025 e caiu 1 ponto frente ao segundo trimestre.

O relatório saiu um dia antes de outro prazo importante. A Braskem e seus credores têm até esta sexta-feira (30) para chegar a um acordo de princípios sobre a reestruturação de cerca de US$ 11 bilhões em dívidas.

Resinas subiram 9%, químicos caíram 18%

No Brasil, a Braskem vendeu 854 mil toneladas de resinas, como polietileno, polipropileno e PVC. O volume ficou 9% acima de um ano antes e 12% acima do segundo trimestre.

Os principais químicos foram na direção contrária. As vendas somaram 574 mil toneladas, queda de 18% na comparação anual e de 4% sobre o trimestre anterior, segundo o Valor Econômico.

As exportações cresceram nas duas linhas. Saíram do país 240 mil toneladas de resinas e 67 mil toneladas de químicos no trimestre, mais que um ano antes e mais que no segundo trimestre.

Central petroquímica da Braskem iluminada à noite, com torres e tubulações
As centrais da Braskem no Brasil rodaram com 69% de utilização de eteno no 3º trimestre (Reprodução/InfoMoney)

A estratégia foi recuperar mercado no Brasil

O presidente da Braskem, Hélcio Tokeshi, disse ao Valor que a empresa decidiu ampliar as vendas no mercado brasileiro e na América Latina para recuperar participação.

“Foi um trimestre mais normal. Mas a Braskem ainda conseguiu spreads razoáveis e ganhou participação de mercado, principalmente no Brasil”, afirmou o executivo.

A margem das resinas caiu de US$ 653 para US$ 372

O spread médio das resinas no Brasil, a diferença entre o preço do produto e o da matéria-prima, ficou em US$ 372 por tonelada. No segundo trimestre, tinha chegado a US$ 653.

Na comparação anual feita pela Reuters e publicada pelo InfoMoney, o spread de resinas subiu 5%. O dos principais químicos avançou 50% sobre o terceiro trimestre de 2025.

Um ano antes, a margem era de US$ 355 por tonelada. Ou seja, o número atual está pouco acima do terceiro trimestre de 2025 e bem abaixo do pico do meio do ano.

O pico veio com a interrupção abrupta da oferta de grandes produtores globais durante o conflito no Irã. “O segundo trimestre, no meio da guerra, trouxe números vistosos”, disse Tokeshi.

“O terceiro trimestre confirma a volta à normalidade, com os números refletindo o custo do barril e preço médio mais parecido com o pré-guerra”, completou o presidente da petroquímica.

A seca do Reno travou a Europa

Nos Estados Unidos e na Europa, as fábricas de polipropileno operaram com 74% da capacidade, contra 76% no segundo trimestre e 79% um ano antes.

O recuo veio da Alemanha. A seca histórica no rio Reno atrapalhou o transporte de mercadorias e matérias-primas, e um fornecedor da Braskem declarou força maior por causa da navegação na rota fluvial.

As vendas de resinas nas duas regiões somaram 489 mil toneladas, queda de 1% sobre um ano antes. O spread do polipropileno ficou em US$ 402 por tonelada, 14% abaixo do segundo trimestre.

O México voltou a comprar insumo

Na Braskem Idesa, no México, o dinheiro aportado pelo plano de recuperação judicial nos Estados Unidos permitiu retomar a compra de insumos. A utilização da central subiu para 62%.

A alta foi de 19 pontos percentuais sobre o segundo trimestre e de 15 pontos na comparação com um ano antes. As vendas de polietileno no país somaram 159 mil toneladas, e o spread médio ficou em US$ 921 por tonelada.

A margem mexicana caiu 35% frente ao segundo trimestre, mas ficou 27% acima de um ano antes. Nos Estados Unidos, as vendas da Braskem recuaram 1%, enquanto no México subiram 9%.

Na Europa e nos Estados Unidos, o spread do polipropileno também ficou acima de 2025, com alta de 11% na comparação anual. O quadro global é de margem menor que no auge, mas melhor que há um ano.

O prazo dos credores vence nesta sexta

A Braskem confirmou na noite de terça-feira (27) um consenso com o grupo de detentores de bônus que lidera as negociações para adiar até sexta (30) as conversas sobre o plano de recuperação extrajudicial.

A dívida em jogo é de cerca de R$ 56 bilhões. A empresa já tinha pedido a recuperação extrajudicial em agosto para renegociar o passivo com os bancos e os investidores.

Entre sexta (23) e sábado (24), companhia e credores apresentaram propostas que ainda divergem em valores e prazos. Os documentos foram enviados à Comissão de Valores Mobiliários, segundo a Bahia Econômica.

US$ 1,7 bilhão contra US$ 3,7 bilhões

A proposta da Braskem prevê compromisso firme dos acionistas de aportar até US$ 1,7 bilhão, em duas parcelas. É o dinheiro novo que os donos da empresa colocariam na mesa.

Os credores pedem mais. Querem aporte firme de US$ 1,85 bilhão dos acionistas e a conversão de outro US$ 1,85 bilhão de dívida em participação acionária na petroquímica.

Pela conta dos credores, a proposta deles reduziria a dívida em pelo menos US$ 3,7 bilhões de imediato e levaria o balanço da companhia a um patamar sustentável.

Os dois lados concordam num ponto. Segundo os credores, as duas propostas reconhecem que um aporte substancial dos acionistas será um pilar de qualquer reestruturação consensual.

Com as fábricas vendendo mais no Brasil e a margem de volta ao nível de antes da guerra, você acha que os acionistas da Braskem vão aceitar colocar mais dinheiro? Conta pra gente nos comentários.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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