1. Início
  2. Curiosidades
  3. Brasileira que dançou balé profissional na Europa troca os palcos pela computação no MIT, cofunda startup de R$ 58,8 bilhões e se torna, aos 29 anos, a mulher mais jovem do mundo a construir fortuna bilionária
Faça um comentário 6 min de leitura

Brasileira que dançou balé profissional na Europa troca os palcos pela computação no MIT, cofunda startup de R$ 58,8 bilhões e se torna, aos 29 anos, a mulher mais jovem do mundo a construir fortuna bilionária

Imagem de perfil do autor Ana Alice
Escrito por Ana Alice Publicado em 23/07/2026 às 15:30 Atualizado em 23/07/2026 às 15:31
Assista o vídeoLuana Lopes Lara tornou-se a bilionária self-made mais jovem ao criar a Kalshi, startup de mercados de previsão avaliada em US$ 22 bilhões. (Imagem: Ilustrativa)
Luana Lopes Lara tornou-se a bilionária self-made mais jovem ao criar a Kalshi, startup de mercados de previsão avaliada em US$ 22 bilhões. (Imagem: Ilustrativa)
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Uma trajetória que passou pelo balé profissional, pelo MIT e pelo mercado financeiro levou uma brasileira a comandar uma startup bilionária e a ocupar uma posição inédita entre as maiores fortunas construídas por mulheres.

A brasileira Luana Lopes Lara entrou para o grupo de bilionários antes dos 30 anos depois que a Kalshi, empresa de mercados de previsão que fundou com Tarek Mansour, recebeu uma avaliação de US$ 11 bilhões em dezembro de 2025.

Naquele momento, a Forbes estimou o patrimônio da empreendedora em US$ 1,3 bilhão e a classificou como a mulher mais jovem do mundo a construir a própria fortuna bilionária.

O reconhecimento não significa que Luana fosse a pessoa bilionária mais jovem do planeta, como a leitura isolada do título pode sugerir.

A distinção se referia especificamente à categoria de mulheres que acumularam o patrimônio por meio dos próprios negócios, sem considerar fortunas herdadas.

Com 29 anos, ela assumiu a posição que pertencia à norte-americana Lucy Guo, cofundadora da Scale AI.

Os números que colocaram a mineira na lista mudaram novamente poucos meses depois.

Em 7 de maio de 2026, a Kalshi anunciou outra rodada de US$ 1 bilhão, desta vez com uma avaliação de US$ 22 bilhões.

A operação dobrou o valor atribuído à empresa em relação a dezembro de 2025, enquanto a Forbes passou a estimar em US$ 2,6 bilhões a fortuna de cada cofundador.

Luana, que já completou 30 anos, continua apresentada pela publicação como a mulher bilionária self-made mais jovem do mundo.

O valor de R$ 58 bilhões mencionado no título corresponde a uma conversão aproximada da avaliação de US$ 11 bilhões divulgada no fim de 2025.

Como a Kalshi é uma companhia privada, essa cifra não representa faturamento, dinheiro disponível em caixa nem valor definido diariamente em bolsa.

Trata-se de um valuation acordado entre a empresa e os investidores durante a rodada de capital.

Rodada de investimento transformou os fundadores em bilionários

Em 2 de dezembro de 2025, a Kalshi informou que havia captado US$ 1 bilhão em uma rodada Série E liderada pela Paradigm.

Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, Meritech Capital, IVP, ARK Invest, Anthos Capital, CapitalG e Y Combinator também participaram do investimento.

A operação avaliou a companhia em US$ 11 bilhões.

Seis meses antes, em junho de 2025, a Kalshi havia sido avaliada em US$ 2 bilhões após levantar US$ 185 milhões.

Entre uma rodada e outra, o valuation aumentou mais de cinco vezes, refletindo as expectativas dos investidores sobre o crescimento dos mercados de previsão.

Segundo a Forbes, Luana e Tarek possuíam, naquele momento, participações estimadas em cerca de 12% da empresa.

A aplicação desse percentual sobre o valor da companhia, com os ajustes utilizados pela revista para participações em empresas privadas, levou à estimativa de US$ 1,3 bilhão para cada fundador.

A rodada de maio de 2026 elevou novamente esses números.

Liderado pela Coatue, o investimento contou com Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, IVP, Paradigm, Morgan Stanley e ARK Invest.

A Kalshi afirmou que usaria os recursos para ampliar produtos destinados a investidores institucionais, corretoras, gestores de ativos, fundos e seguradoras.

Luana Lopes Lara e Kalshi, startup de mercados de previsão avaliada em US$ 22 bilhões. (Imagem: Divulgação
Luana Lopes Lara e Kalshi, startup de mercados de previsão avaliada em US$ 22 bilhões. (Imagem: Divulgação

Como funciona o mercado de previsão da Kalshi

Fundada em 2018, a Kalshi permite que os usuários comprem e vendam contratos ligados ao resultado de acontecimentos reais.

As perguntas costumam ter respostas binárias, como “sim” ou “não”, e podem envolver inflação, eleições, esportes, decisões econômicas, premiações, clima e outros temas.

O preço de cada contrato varia conforme as negociações realizadas na plataforma e pode ser interpretado como uma estimativa coletiva da probabilidade de determinado resultado.

Quando o evento é encerrado, o contrato vencedor paga US$ 1, enquanto o contrato associado à resposta incorreta perde o valor.

Em uma entrevista publicada pela Forbes Brasil, Luana definiu a proposta como “um mercado onde os investidores compram e vendem contratos relacionados a eventos”.

A lógica se aproxima de uma bolsa de derivativos, embora diferentes autoridades norte-americanas discutam se determinadas modalidades, sobretudo as relacionadas a esportes, também devem ser submetidas às regras estaduais de apostas.

A Kalshi obteve em novembro de 2020 a designação de mercado de contratos concedida pela Commodity Futures Trading Commission, a CFTC, agência federal responsável pela supervisão de derivativos nos Estados Unidos.

A autorização permite que a empresa funcione como uma bolsa regulamentada de contratos, sob as exigências da legislação federal norte-americana.

O avanço da plataforma, contudo, também gerou disputas judiciais.

Em julho de 2026, uma decisão no estado de Washington restringiu a oferta de contratos da Kalshi após autoridades locais argumentarem que parte das operações violava as leis estaduais de jogos.

A empresa sustenta que os mercados de previsão estão sob competência exclusiva da CFTC, enquanto diferentes estados defendem o direito de aplicar suas próprias normas sobre apostas.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Da Escola Bolshoi às aulas de computação no MIT

Antes de atuar no mercado financeiro e na tecnologia, Luana seguiu uma trajetória ligada à dança.

Nascida em Belo Horizonte, ela passou por Timóteo, em Minas Gerais, e Niterói, no Rio de Janeiro, antes de se mudar para Joinville, em Santa Catarina.

Na cidade, estudou na Escola Técnica Tupy e frequentou a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.

O interesse pelas ciências exatas também apareceu durante a formação escolar.

De acordo com a Forbes, o pai da empreendedora é engenheiro eletricista, a mãe é professora de matemática e a irmã cursou Engenharia Química.

Luana participou de competições acadêmicas relacionadas a física, matemática e astronomia.

Durante o período dedicado ao balé, ela chegou a atuar profissionalmente em Salzburgo, na Áustria.

A experiência incluiu uma temporada relacionada à montagem de “O Lago dos Cisnes”, antes de a brasileira abandonar a carreira nos palcos para estudar nos Estados Unidos.

Luana foi aceita por Harvard, Yale, Stanford e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Escolheu o MIT, onde concluiu a graduação em Ciência da Computação em 2018 e recebeu apoio da Fundação Estudar durante sua formação.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Encontro no MIT levou à criação da startup

Foi durante a passagem pelo MIT que Luana conheceu Tarek Mansour.

Os dois estudavam computação e tiveram experiências profissionais no setor financeiro antes de criarem a Kalshi.

A ideia surgiu ao observarem investidores tentando proteger recursos ou obter ganhos com acontecimentos políticos e econômicos, sem poder negociar diretamente o resultado desses eventos.

A empresa foi fundada em 2018, mas ainda precisou enfrentar um processo regulatório antes de iniciar suas atividades.

A autorização federal veio em 2020, e a plataforma foi lançada comercialmente nos Estados Unidos em 2021.

O crescimento ganhou impulso após as eleições norte-americanas de 2024, quando contratos relacionados à disputa política atraíram novos usuários para os mercados de previsão.

Em dezembro de 2025, a companhia informou que seu volume semanal de negociações havia ultrapassado US$ 1 bilhão e que milhares de mercados estavam disponíveis na plataforma.

Já em maio de 2026, a Kalshi afirmou que o volume anualizado de transações havia avançado de US$ 52 bilhões para US$ 178 bilhões em seis meses.

Esses números foram divulgados pela própria empresa e representam o total negociado pelos usuários, não a receita obtida pela plataforma.

A valorização também levou Tarek Mansour à lista global de bilionários.

Assim como Luana, ele teve a fortuna vinculada principalmente à participação acionária na companhia privada, cujo valor pode mudar em futuras rodadas, vendas de ações ou alterações nas condições do mercado.

A trajetória que começou entre aulas de balé, competições acadêmicas e estudos de computação passou a ocupar espaço em rankings internacionais de riqueza.

Ao mesmo tempo, a expansão da Kalshi mostra como os mercados de previsão se aproximaram do setor financeiro tradicional e abriram novas discussões sobre tecnologia, regulamentação e os limites entre investimento e aposta.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x