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Brasil rumo ao abismo? Três sinais claros de que o país está à beira de uma crise econômica, segundo economista

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 02/09/2026 às 09:13
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Economista Jucelia Lisboa reúne dívida pública elevada, inadimplência persistente e avanço das recuperações judiciais como sinais de fragilidade. Dados mais recentes consultados na apuração reforçam parte do diagnóstico, mas também mostram desaceleração no ritmo das recuperações judiciais no segundo trimestre.

Dívida pública elevada, inadimplência de consumidores e empresas e aumento das recuperações judiciais formam os três sinais usados pela economista Jucelia Lisboa, da consultoria Siegen, para sustentar que a economia brasileira apresenta fragilidades capazes de ampliar o risco de estresse econômico.

A avaliação foi apresentada em análise enviada a clientes da Siegen e repercutida pela Veja. Lisboa, que atua com reestruturação de empresas, faz uma ressalva central: os indicadores não significam que uma crise já esteja instalada, mas mostram limites no padrão de crescimento observado no país.

“A economia brasileira continua demonstrando resiliência, mas essa resiliência não deve ser confundida com um crescimento estruturalmente sustentável”, afirmou a economista. A leitura reúne pressões sobre as contas públicas, dificuldades de pagamento de famílias e empresas e maior procura por instrumentos judiciais de reorganização de dívidas.

Dívida pública amplia pressão sobre as contas do governo

O primeiro sinal apontado é a trajetória da dívida bruta do governo geral, indicador que reúne obrigações do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais. Quando Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o terceiro mandato, em 2023, a dívida equivalia a cerca de 72% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os dados fiscais citados na apuração mostram que essa relação avançou para cerca de 82% do PIB. O nível permanece abaixo do pico de aproximadamente 88% registrado durante a pandemia de Covid-19, mas está acima do patamar observado no início do atual mandato presidencial.

A atualização mais recente consultada no Banco Central apontava a dívida bruta em 82,5% do PIB em julho deste ano, equivalente a R$ 10,9 trilhões. No acumulado de 2026 até aquele mês, o indicador havia subido 3,9 pontos percentuais do PIB.

O Banco Central atribuiu a maior parte da alta no período aos juros nominais incorporados ao estoque da dívida. O crescimento do PIB nominal e a valorização cambial atuaram na direção contrária, reduzindo parcialmente o avanço da relação entre dívida e produto.

Para Lisboa, o alerta não se limita ao tamanho absoluto do endividamento. A economista relaciona a trajetória fiscal ao custo do capital e ao espaço disponível para enfrentar desequilíbrios sem elevar ainda mais a pressão financeira sobre o setor público.

Inadimplência atinge consumidores e empresas

O segundo sinal é a inadimplência. A reportagem da Veja citou dados da Serasa Experian que apontavam quase 84 milhões de consumidores inadimplentes em julho e mais de 9,1 milhões de empresas com dívidas negativadas em junho, referências temporais diferentes que medem a dificuldade de pagamento em dois públicos.

“Mesmo com geração de emprego e crescimento da renda, o número de pessoas e empresas com dificuldades financeiras continua elevado”, afirmou Lisboa. Para ela, a permanência de atrasos e dívidas negativadas ajuda a mostrar que a expansão da atividade não eliminou a pressão financeira sobre famílias e negócios.

No caso das empresas, a dificuldade de honrar compromissos pode aparecer antes de uma recuperação judicial, embora uma situação não leve automaticamente à outra. A análise da economista reúne os dois indicadores porque ambos ajudam a observar a capacidade das companhias de sustentar suas obrigações em ambiente de crédito mais caro.

Recuperações judiciais completam os três sinais

O terceiro sinal é o número de empresas em recuperação judicial. A Veja informou, com base em dados da RGF, que 6.341 companhias estavam nessa situação em junho, volume 21% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.

A base da RGF consultada posteriormente traz uma pequena diferença em relação aos números publicados na reportagem: o recorte restrito do monitor registrava 6.382 empresas em recuperação judicial no fim de junho, alta de 22% em 12 meses. A divergência não altera a direção apontada pela análise, mas exige manter cada número ligado à respectiva fonte.

O próprio monitor mostra ainda que o estoque ficou praticamente estável no segundo trimestre, com queda de 0,4% ante os três meses anteriores. Isso indica que o nível permanecia elevado, embora o ritmo mais recente não repetisse a aceleração observada nos trimestres anteriores.

A recuperação judicial é um mecanismo usado por empresas para reorganizar dívidas e negociar com credores sob supervisão do Judiciário, sem significar automaticamente encerramento das atividades. No diagnóstico de Lisboa, o aumento do estoque funciona como sinal de pressão sobre companhias que precisam reestruturar passivos para continuar operando.

“Os indicadores mostram uma economia que continua crescendo, porém sustentada por vetores que apresentam fragilidades crescentes”, afirmou a economista. A reversão desse quadro, segundo ela, dependerá da evolução do crédito, do equilíbrio fiscal, da trajetória dos juros e da capacidade das empresas de se adaptar a um ambiente de capital mais caro.

Lisboa também aponta a eficiência operacional como parte dessa adaptação. Esse é o limite final da análise: os três indicadores descritos funcionam como sinais de risco e pressão financeira, mas não permitem afirmar, isoladamente, que uma nova crise econômica já tenha começado.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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