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Brasil projeta R$ 142 bilhões em investimentos em biocombustíveis até 2036, com expansão do etanol de milho, biodiesel e combustível sustentável de aviação

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 31/10/2026 às 10:24 Atualizado em 31/10/2026 às 10:25
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Estudo do Ministério de Minas e Energia e da EPE prevê investimentos bilionários até 2036, com crescimento da produção de etanol de milho, biodiesel, biometano e combustíveis sustentáveis para o setor de aviação

O Brasil poderá receber R$ 142 bilhões em investimentos em biocombustíveis e combustíveis sintéticos entre 2027 e 2036. A projeção do governo federal aponta crescimento da produção de etanol, biodiesel, biometano e combustíveis sustentáveis para aviões, com novos projetos industriais.

Governo prevê R$ 142 bilhões para ampliar produção de combustíveis renováveis

O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram, na quinta-feira (29), o Caderno de Biocombustíveis e Combustíveis Sintéticos do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036.

O documento detalha as projeções apresentadas no Relatório Síntese, divulgado no início de outubro, e mostra onde deverão ficar concentrados os investimentos previstos para a próxima década.

A maior parcela, de R$ 39 bilhões, está relacionada a projetos de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde.

Outros R$ 31,1 bilhões estão previstos para o biometano. Já a produção de etanol de milho e outros cereais poderá receber R$ 25,3 bilhões, enquanto a formação de canaviais representa R$ 24,1 bilhões.

Esses valores são estimativas de investimentos, não recursos já aplicados. A concretização dos projetos dependerá de sua implantação ao longo do período analisado.

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Etanol de milho deve ganhar espaço e representar 40% da produção brasileira

Uma das principais mudanças previstas está na produção de etanol.

Segundo a EPE, a oferta nacional deverá passar de 41,6 bilhões para 53,1 bilhões de litros até 2036, com crescimento médio anual estimado em 2,5%.

O etanol produzido a partir do milho terá participação cada vez maior nesse mercado.

A projeção indica que ele poderá representar 40% da oferta brasileira em 2036, enquanto o etanol de cana-de-açúcar continuará respondendo por aproximadamente 60%.

Para acompanhar esse crescimento, ampliações industriais e novas unidades deverão acrescentar 9,6 bilhões de litros de capacidade produtiva.

O estudo também prevê que o etanol de segunda geração, conhecido como E2G, alcance 600 milhões de litros em 2036.

Na outra ponta, o consumo total de etanol deverá chegar a 50,7 bilhões de litros, considerando a mistura obrigatória de 30% de etanol anidro na gasolina.

O etanol hidratado também deverá ganhar competitividade diante da gasolina, segundo as projeções associadas ao RenovaBio e aos avanços de produtividade.

Biodiesel pode atingir 14,7 bilhões de litros e biometano exigirá novas unidades

O biodiesel também aparece entre os combustíveis com previsão de crescimento.

A demanda obrigatória deverá alcançar 12,7 bilhões de litros em 2036, considerando uma mistura de 15% no diesel comercializado.

Quando entram na conta os usos voluntários, a demanda total projetada sobe para 14,7 bilhões de litros.

O levantamento ainda analisa cenários com misturas entre 13% e 25%, limites estabelecidos pela Lei do Combustível do Futuro.

No mercado de gás, o biometano deverá exigir uma expansão importante da capacidade produtiva.

A meta de descarbonização do setor de gás natural, fixada em 0,5% para 2026, poderá chegar a 10% em 2036.

Para alcançar esse patamar, a EPE calcula que serão necessários aproximadamente 8,5 milhões de metros cúbicos diários de capacidade adicional.

A capacidade atualmente autorizada ou em processo de autorização pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) seria suficiente para atender à demanda obrigatória até 2029.

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Combustível sustentável de aviação deve alcançar 3,6 bilhões de litros

O combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF, aparece como outra frente de expansão.

Os projetos anunciados no Brasil poderão produzir 1,7 bilhão de litros anuais a partir de 2030. Para 2036, a projeção sobe para 3,6 bilhões de litros.

Essa produção está relacionada às metas de redução de emissões da aviação internacional e do programa brasileiro ProBioQAV, cuja fase obrigatória começa em 2027.

Segundo o estudo, os projetos anunciados atenderiam, em média, 76% das metas de redução de emissões consideradas para o período de 2027 a 2036.

A produção de diesel verde, por sua vez, poderá alcançar 850 milhões de litros em 2036.

Captura de carbono e novos combustíveis entram nas projeções até 2036

O levantamento também aborda tecnologias que poderão ganhar espaço nos próximos anos.

Uma delas é a captura e armazenamento de carbono biogênico, conhecida como BECCS.

Em 2025, a fermentação alcoólica gerou 26,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono biogênico de alta pureza. Esse volume poderá chegar a 38,4 milhões de toneladas em 2036.

O documento também analisa possibilidades de produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono a partir de biomassa, biogás e biometano.

No transporte aquaviário, o estudo considera o uso de biodiesel no curto prazo e alternativas como etanol, metanol, amônia e hidrogênio em horizontes mais longos.

Todas essas projeções integram o planejamento energético brasileiro até 2036 e apresentam estimativas de produção, demanda, capacidade industrial e investimentos para diferentes segmentos dos combustíveis renováveis.

Matéria elaborada com base em dados e informações de epe.gov.br.

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Romário Pereira de Carvalho

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