Rede chegou a 29.896 pontos públicos e semipúblicos em agosto, enquanto quase 2 mil municípios já contam com eletropostos
Segundo reportagem publicada pela AutoData em 24 de setembro de 2026, o Brasil chegou a 29.896 pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos eletrificados em agosto. O levantamento da ABVE e da Tupi mostra que a rede ganhou 4.441 novos pontos desde o levantamento anterior e cresceu 17,4% no trimestre. Além disso, na comparação com agosto de 2025, a infraestrutura avançou 77%, aproximando o país da marca de 30 mil pontos de recarga.
Rede brasileira ganhou mais de 4,4 mil pontos em apenas três meses
De acordo com os dados apresentados pela AutoData, o Brasil tinha 25.455 pontos públicos e semipúblicos no levantamento anterior. Agora, a rede soma 29.896 locais de recarga. Portanto, o país acrescentou 4.441 pontos em apenas um trimestre.
Esse avanço representa uma alta de 17,4%. Ao mesmo tempo, o crescimento anual chegou a 77%, mostrando que a expansão ganhou ritmo conforme mais consumidores passaram a utilizar veículos eletrificados.
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A evolução também ocorre em diferentes regiões brasileiras. O Sudeste concentra 12.673 pontos, enquanto o Sul possui 7.270. Na sequência aparecem Nordeste, com 5.581, Centro-Oeste, com 3.340, e Norte, com 1.015.
Apesar de liderar em quantidade absoluta, o Sudeste registrou crescimento de 14,4% no trimestre. Já o Nordeste apresentou a maior expansão proporcional entre as regiões, com alta de 22,8%. Dessa forma, a infraestrutura avança para além dos principais mercados automotivos do país.
Recarga rápida já representa 38,2% da infraestrutura nacional
A expansão não ocorre apenas na quantidade de pontos. Além disso, a composição da rede também mudou, com crescimento acelerado dos equipamentos de recarga rápida.
Dos 29.896 pontos contabilizados em agosto, 18.485 utilizam carregadores de corrente alternada (AC), destinados principalmente à recarga lenta. Outros 11.411 pontos utilizam corrente contínua (DC), tecnologia associada à recarga rápida.
Assim, os equipamentos DC já representam 38,2% da rede nacional. Embora ainda sejam minoria, esses pontos cresceram 32,6% entre maio e agosto.
Esse movimento é particularmente importante para quem utiliza um carro elétrico em viagens mais longas. Enquanto os carregadores AC atendem principalmente a locais onde o veículo permanece estacionado por períodos maiores, os equipamentos DC permitem reduzir o tempo necessário para recuperar parte da carga da bateria.
Por isso, o aumento da rede rápida pode ajudar a ampliar os corredores de eletromobilidade e facilitar deslocamentos entre cidades. Ao mesmo tempo, a infraestrutura lenta continua essencial para condomínios, empresas, estacionamentos e outros locais de permanência prolongada.
Brasil já tem 639 mil veículos elétricos plug-in em circulação
O crescimento dos eletropostos acompanha a expansão da frota de veículos que dependem de recarga externa. Segundo o levantamento divulgado pela AutoData, o Brasil chegou a 639.133 veículos elétricos plug-in, considerando modelos totalmente elétricos e híbridos plug-in.

Desse total, 313.140 são veículos 100% elétricos, equivalentes a 49% da frota. Os outros 325.993 são híbridos plug-in, que representam 51% e combinam uma bateria recarregável externamente com um motor a combustão.
Com esses números, a relação chega a aproximadamente 21,4 veículos plug-in por ponto de recarga. Portanto, o crescimento da infraestrutura acompanha uma frota que também avança rapidamente no mercado brasileiro.
Além disso, a própria expansão dos veículos ajuda a estimular novos investimentos em carregadores. Conforme aumenta a quantidade de carros que precisam de recarga externa, cresce também a necessidade de oferecer pontos em cidades, rodovias, empresas, condomínios e estacionamentos.
Quase 2 mil municípios já possuem pontos de recarga
Outro dado relevante aparece na distribuição geográfica. Segundo Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi, quase 2 mil municípios brasileiros já possuem locais para carregar carros elétricos. Mais de mil cidades, por sua vez, contam com equipamentos de recarga rápida.
Esse avanço reduz uma das principais barreiras para a expansão da mobilidade elétrica: a disponibilidade de infraestrutura fora dos grandes centros urbanos. Ainda assim, a distribuição não é uniforme e algumas regiões apresentam uma participação maior de carregadores rápidos.
No Norte, por exemplo, 58,1% dos pontos são DC. No Nordeste, essa participação chega a 49,7%. Já o Centro-Oeste registra 45,9%. Em contraste, o Sudeste possui 27,9% de pontos rápidos, embora concentre a maior quantidade absoluta de eletropostos.
Consequentemente, a expansão regional não depende apenas da instalação de novos equipamentos. Também importa definir onde instalar os carregadores, qual potência oferecer e como conectar essas novas cargas à rede elétrica.
Conexão à rede elétrica surge como novo desafio para os eletropostos
Embora o número de carregadores tenha crescido rapidamente, o setor identifica outro obstáculo para a próxima etapa da expansão. Segundo Bertoncello, o desafio agora envolve principalmente o prazo e as condições para conectar novas cargas de alta potência à rede elétrica.
Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu em 10 de setembro de 2026 a Consulta Pública nº 033/2026. A iniciativa discute a modernização das regras de conexão de tecnologias como veículos elétricos, armazenamento de energia, geração distribuída e cargas flexíveis.
A consulta ficará aberta até 9 de novembro. Dessa forma, empresas e outros participantes do setor podem apresentar opiniões, críticas e sugestões sobre as regras que envolvem a conexão de novas cargas de alta potência.
Infraestrutura cresce junto com a expansão dos carros eletrificados
O avanço dos eletropostos já produz efeitos além das rodovias. Em condomínios, por exemplo, a procura por carregadores também aumentou. O CPG mostrou que a procura por carregadores de carros elétricos em condomínios cresceu 80% em 2026, enquanto empresas passaram a ampliar a instalação desses equipamentos para atender moradores e usuários.
Ao mesmo tempo, o custo de utilização continua sendo uma questão importante para quem avalia a compra de um veículo eletrificado. O CPG também analisou quanto custa rodar com um carro elétrico ou híbrido em 2026, considerando fatores como energia, combustível, manutenção e perfil de utilização.
Assim, a marca de quase 30 mil pontos de recarga mostra que a infraestrutura brasileira avançou de forma significativa. Entretanto, a próxima fase dependerá não apenas da instalação de novos equipamentos, mas também da expansão da rede elétrica, da distribuição regional dos carregadores e da capacidade de atender uma frota eletrificada cada vez maior.

Devagarinho a gente vai ficando sustentável 🙌🏼
Com certeza, Lucia! Esse crescimento na infraestrutura de recarga é um sinal positivo para a mobilidade elétrica no Brasil. Cada novo ponto de recarga facilita a adoção de veículos sustentáveis e contribui para um futuro energético mais limpo.