O Brasil enviou à China o primeiro navio com 62 mil toneladas de DDGS, um produto inédito na pauta exportadora com o país asiático, coproduto do etanol de milho usado em nutrição animal, e a Inpasa já tem 250 mil toneladas negociadas com projeção de até 1,5 milhão de toneladas em 2026.
O Brasil acaba de inaugurar uma frente de exportação que não existia até poucos meses atrás. O primeiro navio com 62 mil toneladas de DDGS, um produto inédito na relação comercial com a China, chegou ao porto de Nansha, em Guangzhou, no sul do país asiático. O DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) é um coproduto da produção de etanol de milho, ingrediente de alto valor nutricional usado na alimentação de bovinos, suínos e aves. O embarque partiu do Porto de Imbituba, em Santa Catarina, e marca o primeiro negócio efetivado após a abertura oficial do mercado chinês ao produto inédito brasileiro.
A operação não é um episódio avulso. A Inpasa, maior produtora de etanol de milho da América Latina, já tem cerca de 250 mil toneladas negociadas com a China, que poderá importar até 1,5 milhão de toneladas de DDGS da empresa ainda em 2026, segundo estimativas da própria companhia. Renato Zicardi, diretor de Trading Internacional da Inpasa, afirmou que a China tende a assumir o maior marketshare das exportações brasileiras de DDGS e que já deve responder por metade das vendas externas do produto inédito neste ano. O mercado bilionário que se abre é real, mensurável e já está em operação.
O que é o DDGS, o produto inédito que o Brasil está enviando à China

No processo industrial de produção de etanol de milho, o amido do grão é convertido em combustível. As partes restantes, que incluem proteínas, fibras e lipídios, são concentradas e secas, resultando no DDGS, um ingrediente de alta concentração nutricional usado na alimentação animal em todo o mundo.
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Até recentemente, o Brasil exportava DDGS para mercados como Nova Zelândia, Espanha, Turquia e Vietnã, mas nunca havia enviado o produto inédito para a China.
A abertura do mercado chinês ao DDGS brasileiro foi viabilizada a partir de demanda apresentada pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Após a conclusão das tratativas sanitárias entre Brasil e China, o acesso foi autorizado em maio de 2025. Em novembro do mesmo ano, os primeiros estabelecimentos brasileiros foram habilitados a exportar.
Ao todo, 13 plantas produtoras passaram por avaliações técnicas que verificaram boas práticas de fabricação, controles de segurança e rastreabilidade antes de receberem autorização para enviar o produto inédito ao país asiático.
Os números que explicam por que esse produto inédito pode valer bilhões
A escala do mercado chinês transforma qualquer produto inédito bem-sucedido em uma operação bilionária. A China importou mais de 55,3 bilhões de dólares em produtos agropecuários do Brasil em 2025, o equivalente a 32,7% do total exportado pelo setor, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Adicionar o DDGS a essa pauta amplia as possibilidades de receita em um segmento que cresce junto com a indústria de etanol de milho.
Para a safra 2025/2026, a produção nacional de DDGS deve atingir 4,8 milhões de toneladas, segundo a Unem. A Inpasa projeta capacidade produtiva de 3,3 milhões de toneladas, destinadas ao mercado interno e à exportação para 12 países.
A indústria de etanol de milho projeta quase 10 bilhões de litros de etanol para a mesma safra, e cada litro produzido gera coprodutos como o DDGS. Quanto mais etanol o Brasil produz, mais produto inédito tem para exportar. O ciclo se retroalimenta.
A farinha de vísceras de aves: outro produto inédito que o Brasil enviou à China
O DDGS não foi o único produto inédito a cruzar o oceano nesta operação. O Brasil também enviou o primeiro contêiner de farinha de vísceras de aves ao mercado chinês, produto utilizado principalmente na alimentação animal.
A abertura desse mercado foi concretizada em abril de 2023, a partir de demanda apresentada pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), e a operação amplia as oportunidades para a indústria nacional nesse segmento.
As duas operações evidenciam como a atuação conjunta entre governo e setor produtivo pode criar novas frentes de comércio e ampliar a pauta exportadora brasileira. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) conduziu as negociações sanitárias, os registros e as habilitações que permitiram que o produto inédito chegasse à China com todas as certificações exigidas.
Para um país que já é o maior fornecedor de soja, carne bovina e frango para o mercado chinês, adicionar coprodutos do etanol e subprodutos de aves representa diversificação estratégica.
Por que a China decidiu abrir o mercado para esse produto inédito do Brasil
A China é o maior importador mundial de insumos para nutrição animal, e sua demanda por proteína para alimentar rebanhos cresce proporcionalmente ao consumo de carne da população de 1,4 bilhão de pessoas.
O DDGS brasileiro oferece uma fonte de proteína e energia competitiva em preço e qualidade, e a habilitação pelas autoridades chinesas funciona como um selo de confiança que valida o padrão de produção brasileiro perante outros mercados.
Zicardi, da Inpasa, descreveu o comportamento do mercado chinês de forma direta: “A China é um gigante. Quando entra, entra para ser o maior.” O produto inédito foi testado, aprovado e já gera demanda recorrente.
A empresa planeja inaugurar ainda em 2026 seu primeiro laboratório próprio para análise de DDGS, voltado a atender as exigências de qualidade dos mercados importadores. A combinação entre abertura de novos mercados e expansão da capacidade produtiva reforça o papel do Brasil como fornecedor competitivo na cadeia global de nutrição animal e bioenergia.
O que esse produto inédito significa para o futuro do agronegócio brasileiro
A exportação de DDGS para a China é mais do que uma operação comercial. Ela sinaliza que o Brasil está diversificando sua pauta exportadora para além de commodities tradicionais, agregando valor a coprodutos industriais que antes tinham destino limitado.
O agronegócio brasileiro, que já lidera em soja, milho, carne e frango, agora adiciona derivados da cadeia do etanol a um portfólio que se torna cada vez mais difícil de competir.
Com 879.358 toneladas de DDGS exportadas para 25 mercados em 2025, crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior, o Brasil já demonstrava tração nesse segmento antes mesmo da entrada da China.
Agora, com o maior importador do mundo comprando o produto inédito brasileiro, a expectativa é que os volumes cresçam exponencialmente. O navio com 62 mil toneladas que chegou a Nansha é apenas o começo de uma rota comercial que pode valer bilhões nos próximos anos.
Você sabia que o Brasil está exportando coproduto do etanol de milho como produto inédito para a China? Acha que essa diversificação pode reduzir a dependência da soja na pauta exportadora? Conta nos comentários. O agronegócio brasileiro está abrindo fronteiras que pouca gente acompanha, mas que afetam a economia de todo o país.


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