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BNDES e Heineken unem forças em um plano de até R$ 10 milhões para restaurar florestas em 35 municípios, proteger o Aquífero Beberibe, garantir a água que abastece milhões de nordestinos e criar uma nova cadeia de empregos verdes

Escrito por Ana Alice
Publicado em 27/02/2026 às 17:39
BNDES e Heineken anunciam até R$ 10 milhões para restaurar a área de recarga do Aquífero Beberibe em PE, com edital do Floresta Viva. (Imagem: Ilustração)
BNDES e Heineken anunciam até R$ 10 milhões para restaurar a área de recarga do Aquífero Beberibe em PE, com edital do Floresta Viva. (Imagem: Ilustração)
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A parceria prevê investimentos em restauração florestal na área de recarga do Aquífero Beberibe, com chamada pública para selecionar projetos em Pernambuco. A iniciativa envolve 35 municípios estratégicos e será gerida pelo Funbio.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Grupo Heineken anunciaram um investimento de até R$ 10 milhões em ações de restauração florestal na área de recarga do Aquífero Beberibe, em Pernambuco.

A iniciativa cobre 35 municípios apontados como estratégicos para a preservação de uma das principais reservas subterrâneas de água do Nordeste.

Pelo desenho divulgado, os recursos devem financiar projetos de recomposição de vegetação nativa voltados à proteção da recarga hídrica.

A medida integra o programa Floresta Viva, que apoia restauração ecológica em diferentes biomas do país.

Chamada pública do Floresta Viva vai selecionar até três projetos

Segundo o BNDES, uma chamada pública vai escolher até três propostas apresentadas por instituições sem fins lucrativos com pelo menos dois anos de atuação.

O banco informou que podem participar, entre outras organizações, associações civis, fundações privadas e cooperativas.

O prazo indicado no anúncio é até as 19h do dia 6 de março, no horário de Brasília.

A seleção, de acordo com as informações divulgadas, será conduzida no âmbito do Floresta Viva.

A gestão do processo ficará a cargo do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

Ainda conforme o banco, os recursos foram estruturados a partir de uma parceria entre o BNDES e o Grupo Heineken.

Aquífero Beberibe e o abastecimento de Recife e João Pessoa

O Aquífero Beberibe é citado pelo BNDES como relevante para a segurança hídrica no Nordeste.

De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a reserva é responsável sobretudo pelo fornecimento de água às regiões metropolitanas do Recife (PE) e de João Pessoa (PB), atendendo milhões de pessoas.

A proposta anunciada mira a área de recarga, que é a porção do território onde a água se infiltra no solo e contribui para reabastecer os reservatórios subterrâneos.

Nesse tipo de intervenção, a restauração florestal é apontada por estudos de hidrologia e conservação como uma das medidas que podem favorecer a infiltração, além de reduzir erosão e assoreamento, efeitos associados à perda de cobertura vegetal.

Transição entre Mata Atlântica e Caatinga concentra pressão hídrica

O edital incide sobre uma faixa de transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga, região descrita no anúncio como sujeita a pressão crescente sobre os recursos hídricos.

A iniciativa também menciona estudos técnicos do Grupo Heineken que indicariam níveis críticos de escassez de água no território contemplado.

O material divulgado não detalha, no entanto, quais indicadores foram usados nesses estudos nem quais pontos específicos apresentaram maior criticidade.

Ainda assim, a chamada se propõe a direcionar projetos para municípios definidos como prioritários para a proteção da recarga do aquífero.

BNDES associa edital à segurança hídrica e adaptação climática

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que o edital reforça a atuação do banco em segurança hídrica e adaptação às mudanças climáticas.

“Proteger aquíferos é proteger o futuro das cidades e das pessoas.

Ao investir na restauração da área de recarga do Aquífero Beberibe, fortalecemos a resiliência climática do Nordeste e garantimos serviços ecossistêmicos essenciais ao abastecimento”, disse.

Campello também associou o modelo a efeitos econômicos ligados à cadeia da restauração.

“Nossa estratégia inova ao fortalecer cadeias produtivas da restauração, gerando empregos verdes, qualificação profissional e renda local.

Estamos estruturando uma economia da restauração, capaz de combinar conservação ambiental com dinamismo econômico”, afirmou.

Pela descrição do programa, a expectativa é que os projetos apoiados envolvam atividades como produção de mudas, plantio, manutenção e monitoramento, além de capacitação e contratação de mão de obra.

Esses componentes, segundo o banco, fazem parte do esforço de consolidar uma cadeia local ligada à recuperação ambiental.

Heineken cita polo de Igarassu e fala em disponibilidade de água

O gerente de Sustentabilidade do Grupo Heineken, Breno Aguiar de Paula, afirmou que a iniciativa busca conciliar preservação ambiental e fortalecimento produtivo.

Ele destacou que Igarassu abriga o principal polo industrial da empresa no Nordeste e que a unidade recebeu mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos recentes, segundo a companhia.

“Sabemos que a água é um recurso essencial e valioso.

A restauração das áreas de floresta é fundamental para garantir disponibilidade hídrica no futuro.

A vegetação nativa favorece a infiltração da água no solo, reduz a erosão e diminui a contaminação dos rios.

Em parceria com o BNDES e o Funbio, queremos contribuir para a melhoria da disponibilidade hídrica na região, ao mesmo tempo em que estruturamos a cadeia local da restauração, gerando renda e benefícios ambientais”, disse o executivo.

A fala do representante da empresa descreve a restauração como parte de uma estratégia de gestão do recurso hídrico.

No anúncio, a companhia relaciona o tema à necessidade de manter disponibilidade de água e reduzir impactos associados à degradação ambiental.

Programa Floresta Viva amplia editais e entra no Floresta Viva 2

O Floresta Viva estrutura parcerias para apoiar projetos de restauração com espécies nativas e sistemas agroflorestais em diferentes biomas do país.

Segundo dados divulgados pelo BNDES, até agora foram lançados 15 editais, com participação de 14 doadores, o que resultou em 53 projetos apoiados.

De acordo com o banco, as ações alcançam 8.649 hectares em processo de restauração e abrangem 56 unidades de conservação e 13 terras indígenas, distribuídas em 17 estados, no Distrito Federal e em 128 municípios.

O volume mobilizado, ainda segundo o BNDES, soma cerca de R$ 425 milhões, com participação do banco limitada a até 50% dos recursos.

Em 2025, o programa passou para uma fase chamada Floresta Viva 2.

Conforme o anúncio, essa etapa manteve a expansão da restauração florestal e incorporou mecanismos para apuração de créditos de biodiversidade, além de intensificar investimentos na capacitação de trabalhadores ligados aos chamados empregos verdes.

No caso do Aquífero Beberibe, a iniciativa prevê selecionar projetos que atuem diretamente na área de recarga, em um território indicado como sensível do ponto de vista hídrico.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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