A parceria prevê investimentos em restauração florestal na área de recarga do Aquífero Beberibe, com chamada pública para selecionar projetos em Pernambuco. A iniciativa envolve 35 municípios estratégicos e será gerida pelo Funbio.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Grupo Heineken anunciaram um investimento de até R$ 10 milhões em ações de restauração florestal na área de recarga do Aquífero Beberibe, em Pernambuco.
A iniciativa cobre 35 municípios apontados como estratégicos para a preservação de uma das principais reservas subterrâneas de água do Nordeste.
Pelo desenho divulgado, os recursos devem financiar projetos de recomposição de vegetação nativa voltados à proteção da recarga hídrica.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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A medida integra o programa Floresta Viva, que apoia restauração ecológica em diferentes biomas do país.
Chamada pública do Floresta Viva vai selecionar até três projetos
Segundo o BNDES, uma chamada pública vai escolher até três propostas apresentadas por instituições sem fins lucrativos com pelo menos dois anos de atuação.
O banco informou que podem participar, entre outras organizações, associações civis, fundações privadas e cooperativas.
O prazo indicado no anúncio é até as 19h do dia 6 de março, no horário de Brasília.
A seleção, de acordo com as informações divulgadas, será conduzida no âmbito do Floresta Viva.
A gestão do processo ficará a cargo do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
Ainda conforme o banco, os recursos foram estruturados a partir de uma parceria entre o BNDES e o Grupo Heineken.
Aquífero Beberibe e o abastecimento de Recife e João Pessoa
O Aquífero Beberibe é citado pelo BNDES como relevante para a segurança hídrica no Nordeste.
De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a reserva é responsável sobretudo pelo fornecimento de água às regiões metropolitanas do Recife (PE) e de João Pessoa (PB), atendendo milhões de pessoas.
A proposta anunciada mira a área de recarga, que é a porção do território onde a água se infiltra no solo e contribui para reabastecer os reservatórios subterrâneos.
Nesse tipo de intervenção, a restauração florestal é apontada por estudos de hidrologia e conservação como uma das medidas que podem favorecer a infiltração, além de reduzir erosão e assoreamento, efeitos associados à perda de cobertura vegetal.
Transição entre Mata Atlântica e Caatinga concentra pressão hídrica
O edital incide sobre uma faixa de transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga, região descrita no anúncio como sujeita a pressão crescente sobre os recursos hídricos.
A iniciativa também menciona estudos técnicos do Grupo Heineken que indicariam níveis críticos de escassez de água no território contemplado.
O material divulgado não detalha, no entanto, quais indicadores foram usados nesses estudos nem quais pontos específicos apresentaram maior criticidade.
Ainda assim, a chamada se propõe a direcionar projetos para municípios definidos como prioritários para a proteção da recarga do aquífero.
BNDES associa edital à segurança hídrica e adaptação climática
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que o edital reforça a atuação do banco em segurança hídrica e adaptação às mudanças climáticas.
“Proteger aquíferos é proteger o futuro das cidades e das pessoas.
Ao investir na restauração da área de recarga do Aquífero Beberibe, fortalecemos a resiliência climática do Nordeste e garantimos serviços ecossistêmicos essenciais ao abastecimento”, disse.
Campello também associou o modelo a efeitos econômicos ligados à cadeia da restauração.
“Nossa estratégia inova ao fortalecer cadeias produtivas da restauração, gerando empregos verdes, qualificação profissional e renda local.
Estamos estruturando uma economia da restauração, capaz de combinar conservação ambiental com dinamismo econômico”, afirmou.
Pela descrição do programa, a expectativa é que os projetos apoiados envolvam atividades como produção de mudas, plantio, manutenção e monitoramento, além de capacitação e contratação de mão de obra.
Esses componentes, segundo o banco, fazem parte do esforço de consolidar uma cadeia local ligada à recuperação ambiental.
Heineken cita polo de Igarassu e fala em disponibilidade de água
O gerente de Sustentabilidade do Grupo Heineken, Breno Aguiar de Paula, afirmou que a iniciativa busca conciliar preservação ambiental e fortalecimento produtivo.
Ele destacou que Igarassu abriga o principal polo industrial da empresa no Nordeste e que a unidade recebeu mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos recentes, segundo a companhia.
“Sabemos que a água é um recurso essencial e valioso.
A restauração das áreas de floresta é fundamental para garantir disponibilidade hídrica no futuro.
A vegetação nativa favorece a infiltração da água no solo, reduz a erosão e diminui a contaminação dos rios.
Em parceria com o BNDES e o Funbio, queremos contribuir para a melhoria da disponibilidade hídrica na região, ao mesmo tempo em que estruturamos a cadeia local da restauração, gerando renda e benefícios ambientais”, disse o executivo.
A fala do representante da empresa descreve a restauração como parte de uma estratégia de gestão do recurso hídrico.
No anúncio, a companhia relaciona o tema à necessidade de manter disponibilidade de água e reduzir impactos associados à degradação ambiental.
Programa Floresta Viva amplia editais e entra no Floresta Viva 2
O Floresta Viva estrutura parcerias para apoiar projetos de restauração com espécies nativas e sistemas agroflorestais em diferentes biomas do país.
Segundo dados divulgados pelo BNDES, até agora foram lançados 15 editais, com participação de 14 doadores, o que resultou em 53 projetos apoiados.
De acordo com o banco, as ações alcançam 8.649 hectares em processo de restauração e abrangem 56 unidades de conservação e 13 terras indígenas, distribuídas em 17 estados, no Distrito Federal e em 128 municípios.
O volume mobilizado, ainda segundo o BNDES, soma cerca de R$ 425 milhões, com participação do banco limitada a até 50% dos recursos.
Em 2025, o programa passou para uma fase chamada Floresta Viva 2.
Conforme o anúncio, essa etapa manteve a expansão da restauração florestal e incorporou mecanismos para apuração de créditos de biodiversidade, além de intensificar investimentos na capacitação de trabalhadores ligados aos chamados empregos verdes.
No caso do Aquífero Beberibe, a iniciativa prevê selecionar projetos que atuem diretamente na área de recarga, em um território indicado como sensível do ponto de vista hídrico.

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