O BNDES aprovou dois financiamentos para a farmacêutica Althaia, sediada em Atibaia (SP). Os recursos vão apoiar pesquisas sobre novas moléculas, ampliar equipamentos do centro de desenvolvimento e financiar 31 medicamentos no Brasil. A empresa prevê mais de 35 empregos no centro de pesquisa durante a execução dos projetos aprovados.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 298 milhões em financiamentos para a farmacêutica brasileira Althaia, com foco no desenvolvimento de novos medicamentos e na ampliação de pesquisas científicas. Parte do dinheiro será destinada a tratamentos para obesidade, doenças metabólicas e neurodegenerativas. Outra parcela financiará 31 medicamentos, incluindo 20 genéricos que chegarão pela primeira vez ao mercado nacional, conforme a previsão do projeto.
Os investimentos foram anunciados pela Agência BNDES em outubro de 2026. Os recursos virão do programa BNDES Mais Inovação e serão divididos em dois financiamentos, de R$ 100 milhões e R$ 198 milhões. Os projetos também incluem novos equipamentos para o centro de pesquisa da empresa, localizado em Atibaia, no interior de São Paulo.
R$ 100 milhões serão destinados à descoberta de novos medicamentos

O primeiro financiamento aprovado pelo BNDES, de R$ 100 milhões, será utilizado em pesquisas de inovação radical. Esse tipo de desenvolvimento envolve a descoberta de moléculas ou compostos que ainda não estão disponíveis no mercado.
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A Althaia pretende concentrar parte das pesquisas em necessidades médicas que ainda não contam com tratamentos suficientes. Entre as áreas escolhidas estão obesidade, alterações metabólicas e doenças relacionadas à neurodegeneração, que envolvem a perda progressiva de funções do sistema nervoso.
Empresa poderá registrar suas primeiras patentes de inovação radical
Os projetos financiados também poderão resultar nas primeiras patentes da Althaia relacionadas ao desenvolvimento de medicamentos de inovação radical.
A possibilidade depende dos resultados das pesquisas. A aprovação do financiamento não significa que as novas moléculas já tenham sido descobertas, nem que os medicamentos estejam prontos para comercialização.
Parceria com a Embrapii levará novas tecnologias às pesquisas
A Althaia contará com uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A colaboração permitirá o acesso a conhecimentos técnicos e tecnologias voltadas ao desenvolvimento de moléculas inéditas.
O trabalho também envolverá outros institutos de pesquisa ligados às unidades Embrapii. A proposta é ampliar a capacidade da equipe da farmacêutica para executar projetos mais complexos, reunindo conhecimentos científicos e industriais.
Novo probiótico será pesquisado para infecções gastrointestinais
Entre os desenvolvimentos previstos está uma nova formulação probiótica voltada à prevenção e ao tratamento de infecções gastrointestinais. Os probióticos envolvem microrganismos utilizados em formulações específicas para produzir benefícios à saúde.
A empresa também trabalhará em uma formulação farmacêutica destinada ao tratamento de desordens do trato digestivo. Os dois projetos fazem parte das pesquisas planejadas e ainda não representam produtos com eficácia clínica comprovada ou lançamento confirmado.
Inteligência artificial será usada em pesquisas sobre perda muscular
O financiamento também permitirá incorporar tecnologias de inteligência artificial à descoberta e ao desenvolvimento de peptídeos bioativos. Esses compostos serão investigados para possíveis tratamentos da sarcopenia.
A sarcopenia é uma condição associada ao envelhecimento, caracterizada pela redução progressiva da massa e da força muscular. A inteligência artificial será utilizada como ferramenta de pesquisa, sem que isso represente a existência de um novo tratamento já aprovado para pacientes.
Centro de pesquisas em Atibaia receberá novos equipamentos
Parte do investimento será utilizada na compra de equipamentos para o Epicenter, centro de pesquisa e desenvolvimento da Althaia localizado em Atibaia, no interior paulista.
A modernização deverá ampliar a capacidade tecnológica da estrutura, permitindo à empresa conduzir trabalhos farmacêuticos mais complexos. Durante o desenvolvimento do projeto, a previsão é de criação de mais de 35 empregos exclusivamente no centro de P&D.
Outros R$ 198 milhões financiarão o desenvolvimento de 31 medicamentos

O segundo financiamento aprovado pelo BNDES representa a maior parte dos recursos, com R$ 198 milhões destinados ao desenvolvimento de 31 medicamentos para uso humano.
Os projetos contemplam tratamentos para hipotireoidismo, depressão, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), hiperplasia prostática, menopausa e epilepsia, entre outras condições médicas.
A previsão é desenvolver 20 medicamentos genéricos com entrada inédita no mercado brasileiro e outros 11 produtos com inovações incrementais, que representam aperfeiçoamentos de medicamentos ou formulações.
Medicamentos ainda passarão por estudos e testes
O desenvolvimento dos 31 medicamentos envolverá diferentes etapas antes de uma eventual chegada ao mercado. Entre elas estão a elaboração das formulações, a validação de métodos de análise e os estudos de estabilidade.
Os projetos também incluem a fabricação de lotes-piloto, testes de equivalência farmacêutica e bioequivalência, além de ensaios clínicos quando aplicáveis.
Essas etapas são importantes para avaliar as características e o desempenho dos produtos. Portanto, a aprovação dos R$ 198 milhões não representa autorização imediata para venda dos novos medicamentos.
BNDES aposta em pesquisas farmacêuticas de maior risco
O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon, destacou que os financiamentos apoiam projetos de desenvolvimento de medicamentos com maior risco e prazo mais longo até a obtenção de resultados.
Segundo o diretor, esse tipo de investimento ainda é pouco realizado no Brasil. A parceria entre a indústria farmacêutica e os institutos de pesquisa também busca aproximar as descobertas científicas da possibilidade de aplicação industrial e comercial.
Althaia atua desde 2010 e possui mais de 70 medicamentos registrados
A Althaia é uma empresa brasileira de capital nacional, com sede em Atibaia (SP). A farmacêutica atua desde agosto de 2010 na fabricação e comercialização de medicamentos para uso humano e suplementos alimentares.
Atualmente, a companhia possui mais de 70 medicamentos registrados e mais de 80 suplementos alimentares. Os novos financiamentos serão destinados à ampliação de suas atividades de pesquisa e desenvolvimento.
Projetos aprovados terão investimentos em pesquisa, tecnologia e empregos
Os R$ 298 milhões aprovados pelo BNDES serão aplicados em duas frentes: pesquisas de inovação radical e desenvolvimento de medicamentos com potencial de entrada no mercado brasileiro.
A execução dos projetos inclui a modernização do Epicenter, a participação de instituições científicas parceiras e a previsão de mais de 35 empregos no centro de pesquisa. O lançamento dos novos medicamentos e a obtenção de patentes dependerão dos resultados das etapas de desenvolvimento.
