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Bloco Stabroek, na Guiana, produziu 1 bilhão de barris em menos de 7 anos; no ritmo de agosto, o Brasil produz o mesmo volume em cerca de 217 dias

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 04/10/2026 às 21:34 Atualizado em 04/10/2026 às 22:29
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O FPSO ONE GUYANA, uma das quatro unidades citadas pela ExxonMobil no bloco Stabroek, junto a guindastes de estaleiro, em foto de divulgação da SBM Offshore.
O FPSO ONE GUYANA, uma das quatro unidades citadas pela ExxonMobil no bloco Stabroek, junto a guindastes de estaleiro, em foto de divulgação da SBM Offshore. Foto: SBM Offshore
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Segundo a ExxonMobil, o Stabroek, na Guiana, passou de um projeto para quatro e chegou a 1 bilhão de barris, com capacidade instalada acima de 900 mil barris por dia; o Brasil produziu 4,615 milhões de barris por dia em agosto, dado da ANP.

O bloco Stabroek, na Guiana, produziu 1 bilhão de barris em menos de 7 anos, informou a ExxonMobil em 28/09/2026. No ritmo de agosto medido pela ANP, o Brasil produz esse volume em cerca de 217 dias (conta da redação).

Em quanto tempo o bloco Stabroek chegou a 1 bilhão de barris?

Em menos de sete anos, segundo a ExxonMobil. A produção começou em dezembro de 2019, e a ExxonMobil anunciou o marco em 28 de setembro de 2026.

O FPSO Liza Unity, uma das quatro unidades citadas pela ExxonMobil no bloco Stabroek, em foto de divulgação da SBM Offshore.
O FPSO Liza Unity, uma das quatro unidades citadas pela ExxonMobil no bloco Stabroek, em foto de divulgação da SBM Offshore. Foto: SBM Offshore

O primeiro óleo de Liza saiu menos de cinco anos após a descoberta, conforme a ExxonMobil. A empresa chama o prazo de um dos mais rápidos da indústria em águas profundas.

O texto da ExxonMobil fala em barris produzidos, e não em reservas. Esse 1 bilhão de barris é tudo o que o bloco entregou desde o primeiro dia.

Hoje são quatro projetos, ligados às unidades Liza Destiny, Liza Unity, Prosperity e ONE GUYANA, segundo a empresa. Cada uma é um FPSO, plataforma flutuante que produz, armazena e descarrega petróleo.

Em quantos dias o Brasil produz 1 bilhão de barris?

Cerca de 217 dias, se o país mantiver o ritmo de agosto de 2026. A ANP registrou 4,615 milhões de barris por dia de petróleo no mês, no boletim nº 192.

Conforme os números da ANP, a conta da redação é direta: 1.000.000.000 dividido por 4.615.000 dá 216,7 dias. São pouco mais de sete meses.

Sete meses, contra menos de sete anos do Stabroek.

Pense no calendário: a cada dia de agosto saíram, em média, 4,6 milhões de barris, segundo a ANP. Os 31 dias somaram cerca de 143 milhões de barris, pela conta da redação.

Só o pré-sal levaria cerca de 260 dias de petróleo para chegar a 1 bilhão de barris (conta da redação).

Dá para comparar a capacidade da Guiana com a produção do Brasil?

Só como régua de escala. A ExxonMobil afirma que os quatro projetos elevaram a capacidade instalada a mais de 900 mil barris por dia.

Capacidade instalada é o que as plataformas estão preparadas para processar, e não o volume produzido num dia.

A produção de agosto equivale a até 5,1 vezes essa régua. A conta é da redação: 4.615 mil (ANP) divididos por 900 mil (ExxonMobil).

Em agosto de 2025, o país produzia 3,896 milhões de barris por dia, conforme a ANP. Em 12 meses, a alta foi de 18,4%, na conta da ANP, até os 4,615 milhões de agosto de 2026.

O acréscimo foi de 719 mil barris por dia, quase 80% da capacidade instalada do Stabroek, pela conta da redação.

Quanto pesa o pré-sal na produção do Brasil?

O pré-sal carrega o país: respondeu por 82,6% da produção total em agosto, segundo a ANP. Foram 4,959 milhões dos 6,002 milhões de barris de óleo equivalente por dia, somando petróleo e gás.

Só de petróleo, o pré-sal rendeu 3,842 milhões de barris por dia, de 203 poços, informa a ANP.

Somando petróleo e gás, o pré-sal ficou 23,0% acima de agosto de 2025, de acordo com o boletim.

Búzios, na Bacia de Santos, foi o campo mais produtivo: 1.172 mil barris por dia, registra a ANP.

A instalação mais produtiva foi o FPSO Almirante Tamandaré, com 258.401 barris por dia, conforme o boletim.

Esse único FPSO produziu em agosto perto de 29% da capacidade instalada do Stabroek, conforme a conta da redação. Vale a mesma ressalva: produção contra capacidade.

Que ressalvas valem para essa conta?

O marco de 1 bilhão de barris é do bloco Stabroek, da ExxonMobil e sócios, como descreve a própria empresa. O Stabroek começou a produzir em dezembro de 2019 com um projeto e foi somando outros.

Os dois prazos não partem do mesmo ponto: os 217 dias usam um único mês, agosto de 2026, e não contam a história da produção brasileira.

Capacidade instalada não é produção. A régua de 900 mil só dá escala, e a produção diária atual do Stabroek fica fora da conta.

Na ANP, petróleo soma óleo e condensado: em agosto, 4,608 milhões de barris por dia de óleo e 7 mil barris por dia de condensado. A ExxonMobil usa o termo “oil”, óleo em inglês.

O que a Guiana ainda vai somar?

Uaru deve começar a produzir até o fim de 2026, segundo a ExxonMobil. É previsão da empresa, e ainda não é produção.

O FPSO ONE GUYANA iluminado à noite, em foto de divulgação da SBM Offshore. A unidade é uma das quatro citadas pela ExxonMobil no bloco Stabroek.
O FPSO ONE GUYANA iluminado à noite, em foto de divulgação da SBM Offshore. A unidade é uma das quatro citadas pela ExxonMobil no bloco Stabroek. Foto: SBM Offshore

A ExxonMobil afirma que planeja até oito projetos offshore até 2030. A base de recursos estimada do Stabroek é de pouco menos de 11 bilhões de barris de óleo equivalente.

Estimativa de recursos não é reserva nem produção, e não se confunde com o 1 bilhão de barris já produzido.

Só para dar escala, o Brasil levaria cerca de cinco anos para produzir 11 bilhões de barris de óleo equivalente. A conta é da redação, com 6,002 milhões de barris de óleo equivalente por dia em agosto, segundo a ANP.

Dentro desse plano, Whiptail tem início previsto para 2027 e Hammerhead para 2029, conforme a ExxonMobil. São o sexto e o sétimo projetos aprovados, ambos em construção.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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