Com dessalinização em escala inédita na América Latina, BHP inaugurou em 2018 uma planta de 2.500 l/s para Escondida, no Chile. Sistema inclui tubulações de 42 polegadas, quatro estações de bombeamento, reservatório na mina e transporte de água até 3.200 metros no deserto do Atacama, reduzindo pressão sobre aquíferos locais.
A dessalinização passou a ocupar papel central na estratégia hídrica da Minera Escondida, operação controlada pela BHP no norte do Chile. A planta de 2.500 litros por segundo foi inaugurada em 7 de abril de 2018, em Puerto Coloso, Antofagasta, para abastecer a maior mina de cobre do mundo.
De acordo com a BHP, a estrutura foi criada para levar água do mar dessalinizada até a operação de Escondida, localizada cerca de 170 km a sudeste de Antofagasta e a mais de 3.000 metros de altitude. O projeto complementou uma unidade anterior de 525 l/s, que já operava havia doze anos.
Planta de 2.500 litros por segundo muda a escala da água na mineração

A nova usina de dessalinização foi apresentada pela BHP como a maior da América Latina em sua categoria na época da inauguração. Sua capacidade de 2.500 l/s foi pensada para sustentar a operação de Escondida, onde a demanda por água é diretamente ligada ao processamento mineral.
-
Enquanto missões lunares levam robôs cada vez maiores, Japão apostou em um pequeno SORA-Q do tamanho da palma da mão, que se transformou na Lua e fotografou o pouso da SLIM
-
Estudo genético mostra que a Europa depois de Roma não nasceu de uma invasão-relâmpago, mas de famílias, migrações e muita mistura
-
A China quer instalar um power bank gigante no espaço para colher luz solar sem parar, dia e noite, e já testou em terra, numa torre de 75 metros, o envio de energia sem fio a 100 metros de distância para vários alvos em movimento
-
A força bruta das ondas vira energia limpa quase sem desperdício, é o que promete um conversor giroscópico criado no Japão que, em simulações, se acopla ao balanço do mar e alcança o limite máximo de 50% de aproveitamento, deixando para trás os geradores marítimos antigos
O projeto também surgiu em um contexto de pressão sobre recursos hídricos no deserto do Atacama. A estratégia declarada pela empresa era ampliar o uso de água dessalinizada e recuperar mais água dos próprios processos, reduzindo gradualmente a retirada de água de aquíferos.
Água precisa vencer o deserto e chegar a mais de 3.000 metros
A complexidade do sistema não está apenas na produção de água dessalinizada. Depois de tratada em Puerto Coloso, a água precisa ser transportada por longas tubulações até a mina, em uma região de grande altitude e condições desérticas.
Para isso, a construção incluiu dois dutos de 42 polegadas, quatro estações de bombeamento de alta pressão, um reservatório na mina e infraestrutura elétrica de alta tensão. Na prática, a água do mar é empurrada por um sistema industrial gigantesco até o coração da mineração no Atacama.
Investimento bilionário mostra o peso da dessalinização

A planta exigiu investimento de US$ 3,43 bilhões, incluindo não apenas a usina, mas todo o conjunto de transporte, bombeamento, reservação e energia necessário para operar o sistema. Em projetos desse porte, a dessalinização não depende apenas do tratamento da água, mas de uma cadeia completa de infraestrutura.
Esse ponto é decisivo porque a mina está longe da costa e em altitude elevada. Quanto maior a distância e o desnível, maior a exigência de bombeamento, energia e manutenção. Por isso, o projeto combina engenharia hídrica, mineração, eletricidade e logística em uma única operação.
Energia também virou parte da equação hídrica
Para garantir eletricidade ao bombeamento da água, a BHP firmou contrato de longo prazo ligado à Usina Termoelétrica de Kelar. A planta havia sido originalmente projetada para usar carvão, mas foi convertida para ciclo combinado a gás natural, uma alternativa de menor emissão em comparação ao carvão.
Essa mudança mostra que a dessalinização em mineração não envolve apenas resolver o fornecimento de água. O consumo energético do bombeamento e do tratamento também entra no cálculo ambiental e operacional, especialmente quando o objetivo é reduzir o impacto hídrico sem criar outro problema em escala equivalente.
Escondida usa a planta para sustentar processamento de cobre
A Minera Escondida é uma das operações mais importantes do cobre no mundo. A nova planta de água dessalinizada foi considerada peça crucial para manter a capacidade de processamento da mina, especialmente em um período em que a operação trabalhava com três concentradores simultaneamente.
Segundo a BHP, a construção da estrutura envolveu 45 milhões de horas de trabalho. A escala ajuda a entender por que a água se tornou uma variável estratégica para o cobre, e não apenas um insumo secundário dentro da mineração.
Meta da BHP mira redução do uso de água doce no Chile
A BHP afirmou que sua ambição no Chile era deixar de usar água doce a partir de 2030, avançando gradualmente nessa transição ao longo dos anos seguintes à inauguração. A planta de dessalinização de Escondida foi apresentada como um passo importante dentro desse plano.
A decisão reflete uma tendência maior na mineração em regiões áridas: depender menos de aquíferos e buscar fontes alternativas. No Atacama, onde a água é um recurso sensível, projetos desse tipo ganham relevância não apenas econômica, mas também ambiental e social.
A megaplanta da BHP mostra como a dessalinização se tornou uma solução estratégica para operações minerais instaladas em regiões de escassez hídrica. No caso de Escondida, o projeto une água do mar, tubulações gigantes, bombeamento de alta pressão, energia dedicada e uma das maiores minas de cobre do planeta.
Ao mesmo tempo, a solução levanta perguntas sobre custo, consumo de energia e viabilidade em outros projetos de mineração. Você acredita que a dessalinização deve virar padrão em minas localizadas em regiões secas, mesmo com investimentos bilionários e grande demanda elétrica? Deixe sua opinião nos comentários.


A BHP não é ****, se ela investiu este dinheiro todo é porque o retorno está garantido com muito lucro.