Animal apareceu muito perto da faixa de areia na Zona Sul do Rio e chamou atenção por pertencer a uma espécie menos comum no litoral fluminense do que as baleias-jubarte
Uma tarde comum de sexta-feira mudou completamente para quem estava na Praia do Leblon, no Rio de Janeiro, em 4 de setembro de 2026. Uma enorme baleia apareceu próxima da costa e começou a alternar mergulhos com saltos diante dos banhistas, que imediatamente sacaram os celulares para registrar a cena.
Segundo informações publicadas pelo UOL, com conteúdo do Estadão, o animal foi posteriormente apontado por páginas especializadas como uma baleia-franca, provavelmente da espécie baleia-franca-austral (Eubalaena australis), visitante bem menos comum no litoral fluminense do que as baleias-jubarte.
Baleia aparece próxima à areia e começa sequência de saltos
O animal foi observado na altura do trecho da praia próximo à Avenida Afrânio de Melo Franco. A proximidade com a costa chamou atenção de quem passava a tarde no Leblon e permitiu acompanhar seus movimentos diretamente da faixa de areia.
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A baleia emergia, voltava a desaparecer sob a água e reaparecia poucos instantes depois. Em vários momentos, realizou movimentos que projetavam grande parte de seu corpo acima da superfície, provocando aplausos e gritos entre os banhistas.
As pessoas começaram a apontar para o mar e gravar com os celulares. Em uma das filmagens divulgadas nas redes sociais, um homem reage aos movimentos repetindo: “Tá tirando onda”, enquanto a baleia continua se movimentando diante da praia.
Cena rapidamente deixa a praia e ganha as redes sociais

Os vídeos não demoraram a circular fora do Leblon. Publicações mostrando os saltos receberam comentários de pessoas impressionadas com a proximidade do animal e ajudaram a transformar o avistamento em um dos episódios mais curiosos daquele dia no Rio.
A página Resenha das Ondas chegou a editar as imagens com música do Foo Fighters, aproveitando uma coincidência: naquela mesma sexta-feira ocorria a abertura do Rock in Rio 2026. O avistamento acabou sendo comparado nas redes a um “show” gratuito no mar antes das apresentações do festival.
Identificação mostrou que não se tratava da espécie mais comum na região
Para muitos observadores, poderia parecer apenas mais um registro de baleia-jubarte, já que essa espécie é conhecida por passar pelo litoral do Rio de Janeiro durante seus deslocamentos sazonais.
Depois que os vídeos começaram a circular, porém, páginas especializadas em cetáceos, entre elas a Amigos da Jubarte, apontaram que as características visíveis eram compatíveis com uma baleia-franca e indicaram que provavelmente se tratava de uma franca-austral.
A diferença torna o episódio especialmente interessante. Enquanto as jubartes estão fortemente associadas à costa da Bahia e à região de Abrolhos durante sua temporada reprodutiva, as baleias-francas que visitam o Brasil possuem sua principal área de concentração no litoral Sul do país.
Ver uma baleia-franca no Leblon chama atenção pela localização
O litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul concentra grande parte dos avistamentos brasileiros da espécie. No Sul catarinense existe inclusive a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, criada para proteger o animal e os ecossistemas costeiros fundamentais para sua conservação.
Isso não significa que uma baleia-franca no Rio esteja necessariamente perdida ou desorientada. A espécie pode percorrer extensas distâncias, e registros fora de suas áreas de maior concentração acontecem durante seus deslocamentos.
O que torna a cena do Leblon incomum é a combinação entre a espécie observada, a localização muito mais ao norte de sua principal concentração brasileira e a proximidade com uma praia urbana extremamente movimentada.
Setembro está no auge da temporada brasileira da espécie
Embora a passagem de baleias pelo litoral fluminense costume diminuir depois de agosto, setembro é justamente um dos períodos mais importantes para as baleias-francas no Brasil.
De acordo com o Projeto Franca Austral, do Instituto Australis, a temporada da espécie geralmente se estende de julho a novembro, enquanto o pico dos avistamentos ocorre entre agosto e setembro. Em 2026, o primeiro registro confirmado aconteceu excepcionalmente cedo, em 5 de maio, em Torres, no Rio Grande do Sul.
Portanto, o momento do avistamento não estava fora do período de presença da espécie nas águas brasileiras. O elemento menos habitual era justamente encontrá-la diante da Zona Sul do Rio de Janeiro.
Baleia-franca pode ultrapassar 17 metros e pesar dezenas de toneladas
A aparência da baleia-franca ajuda a diferenciá-la de outros grandes cetáceos. Segundo o Instituto Australis, as fêmeas podem ultrapassar 17 metros de comprimento e chegar a mais de 60 toneladas, enquanto os machos normalmente são um pouco menores.
O corpo é predominantemente escuro e arredondado, e uma característica importante é a ausência de nadadeira dorsal. A cabeça ocupa aproximadamente um quarto do comprimento total do animal e apresenta grandes calosidades, estruturas naturais que formam padrões diferentes em cada indivíduo.
Essas marcas são tão particulares que pesquisadores conseguem utilizá-las para fotoidentificação, acompanhando determinadas baleias ao longo dos anos.
Aproximação da costa também faz parte do comportamento das francas
Embora a distância curta tenha impressionado quem estava no Leblon, baleias-francas possuem uma relação bastante próxima com áreas costeiras durante a temporada reprodutiva.
O próprio Projeto Franca Austral destaca que exemplares podem ser observados diretamente da costa e que é habitual encontrá-los próximos das praias durante esse período. Isso permite avistamentos espetaculares sem que necessariamente exista alguma situação anormal envolvendo o animal.
Ainda assim, a orientação é manter distância e evitar qualquer tentativa de aproximação, especialmente com embarcações, drones ou pessoas entrando na água em direção aos animais.
Espécie permanece protegida apesar dos sinais de recuperação
A baleia-franca sofreu forte impacto da caça comercial no passado e continua sendo alvo de programas de conservação. O ICMBio inclui a baleia-franca-do-sul (Eubalaena australis) na categoria Em Perigo (EN) dentro do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Cetáceos Marinhos.
No Leblon, entretanto, não houve necessidade de chegar perto para que o encontro se tornasse memorável. Bastaram alguns minutos de saltos diante da praia para celulares aparecerem por toda a areia e uma tarde normal de setembro se transformar em um espetáculo inesperado no mar do Rio de Janeiro.

