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Artista brasileira deixou apartamento de 98 m² em São Paulo, vendeu o imóvel e construiu com as próprias mãos um eco-barraco de 4 metros por 3 metros em Garopaba, com banheiro seco, cisterna e vida de baixo impacto

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 04/07/2026 às 20:15 Atualizado em 04/07/2026 às 20:17
Artista brasileira deixou apartamento de 98 m² em São Paulo, vendeu o imóvel e construiu com as próprias mãos um eco-barraco de 4 metros por 3 metros em Garopaba, com banheiro seco, cisterna e vida de baixo impacto
Luísa Matsushita, conhecida como Lovefoxxx, mudou a própria rotina ao trocar a vida urbana por uma experiência sustentável em Garopaba, onde passou a testar captação de chuva, compostagem, banheiro seco e cultivo de alimentos em um espaço mínimo.
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Luísa Matsushita, conhecida como Lovefoxxx, mudou a própria rotina ao trocar a vida urbana por uma experiência sustentável em Garopaba, onde passou a testar captação de chuva, compostagem, banheiro seco e cultivo de alimentos em um espaço mínimo.

Ela trocou tudo por 12 m².

Luísa Matsushita, conhecida como Lovefoxxx e vocalista do Cansei de Ser Sexy, deixou para trás a rotina urbana em São Paulo e foi viver uma experiência radical em Garopaba, no litoral de Santa Catarina. Segundo a Vogue, ela construiu com as próprias mãos um pequeno abrigo ecológico de 13 por 10 pés, equivalente a cerca de 12 m².

O contraste chama atenção porque a mudança não partiu de uma pessoa anônima fugindo da cidade, mas de uma artista brasileira que passou por turnês, palcos internacionais e grandes centros urbanos. A Folha de S.Paulo registrou que ela vendeu um apartamento de 98 m² na Vila Buarque e se mudou, em meados de 2017, para uma área de ruas de terra em Garopaba.

O apartamento de 98 m² deu lugar a um barraco de 12 m²

Interior do eco-barraco de Luísa Matsushita em Garopaba mostra a estrutura compacta cercada por natureza, com cama elevada, utensílios à vista, deck externo e soluções simples de moradia sustentável.
Interior do eco-barraco de Luísa Matsushita em Garopaba mostra a estrutura compacta cercada por natureza, com cama elevada, utensílios à vista, deck externo e soluções simples de moradia sustentável. Foto: cortesia de Luísa Matsushita

A virada começou antes da mudança definitiva. Em relato à Gama Revista, Luísa contou que, depois de experiências com bioarquitetura, voltou ao apartamento em São Paulo e percebeu que não precisava de todo aquele espaço.

A Folha de S.Paulo trouxe um detalhe que ajuda a entender o incômodo: ela passou a repensar a vida urbana ao perceber que poderia gastar até R$ 2 mil por ano apenas com couve orgânica. A conta virou símbolo de uma rotina cara, distante da produção do próprio alimento e dependente de consumo constante.

Em Garopaba, o novo espaço era bem menor. A Vogue descreveu o local como um pequeno galpão convertido em estúdio e moradia. Já o Instituto Claro registrou que Luísa chamava a estrutura de “barraco”, uma referência ao barraco de obra.

O eco-barraco tinha banheiro seco, cisterna e ducha externa

Ducha externa e pia do eco-barraco em Garopaba usam água conduzida por gravidade até um círculo de bananeiras, onde o sistema ajuda na filtragem natural e no reaproveitamento da água. Foto: cortesia de Luísa Matsushita
Ducha externa e pia do eco-barraco em Garopaba usam água conduzida por gravidade até um círculo de bananeiras, onde o sistema ajuda na filtragem natural e no reaproveitamento da água. Foto: cortesia de Luísa Matsushita

O abrigo não era apenas pequeno. Ele foi pensado para reduzir desperdícios e testar uma rotina mais autônoma. Segundo o Instituto Claro, o espaço tinha cerca de 12 m², um deck de 4 m por 4 m e um banheiro externo de 1,5 m por 1,5 m.

O sistema de água também seguia essa lógica. Luísa afirmou ao Instituto Claro que captava água da chuva em uma cisterna de mil litros. A mesma fonte informou que ela gastava cerca de 5 litros para banho e reaproveitava essa água para regar plantas.

O banheiro seco era outro ponto central do projeto. O modelo usava balde, serragem e composteira. De acordo com o Instituto Claro, os resíduos eram levados para uma composteira com três cabines de 1 m por 1 m, onde o material ficava em decomposição até virar adubo.

A vida sustentável não foi vendida como fantasia perfeita

Cenouras preparadas em fogão rocket no aniversário de 36 anos de Luísa Matsushita ajudam a traduzir a rotina em Garopaba, marcada por alimentação vegana, preparo ao ar livre, cultivo no terreno e soluções simples de baixo impacto. Foto: cortesia de Luísa Matsushita
Cenouras preparadas em fogão rocket no aniversário de 36 anos de Luísa Matsushita ajudam a traduzir a rotina em Garopaba, marcada por alimentação vegana, preparo ao ar livre, cultivo no terreno e soluções simples de baixo impacto. Foto: cortesia de Luísa Matsushita

Apesar do apelo visual da história, Luísa não apresentou a mudança como uma fuga simples para o paraíso. Em depoimento à Gama Revista, ela relatou depressão, medo, solidão e dificuldade para criar vínculos ao chegar em Santa Catarina.

A Vogue também destacou que um dos desafios foi a falta de rostos familiares e a construção de novas amizades na vida adulta. Aos poucos, a rotina passou a incluir yoga, surf, plantio, cuidado com sementes e alimentação vegana, segundo a própria artista relatou à Gama Revista.

UOL Ecoa acrescentou que o terreno passou a reunir cultivos como banana, mandioca, inhame, abacate, limão, milho, couve, tomate, abóbora e feijão. A Vogue também descreveu a área como uma agrofloresta, com alimentos crescendo em conjunto para regenerar o solo.

De vocalista do CSS a artista visual ligada à bioconstrução

A mudança dialoga com uma trajetória artística mais ampla. Luísa estudou na The Earthship Biotecture Academy, no Novo México, segundo a Gama Revista, e também participou como voluntária em uma construção sustentável no norte da Argentina.

A Galeria Luisa Strina, ao apresentar sua exposição “Se não for para chorar, eu nem saio de casa”, relacionou sua produção visual a experiências com bioconstrução em Santa Catarina. A revista piauí, em 2025, também registrou sua fase mais dedicada à pintura e às artes visuais.

Por isso, o eco-barraco de Garopaba não é apenas uma casa pequena. É o capítulo visível de uma mudança de escala: menos metros quadrados, menos conta, menos estrutura convencional e mais tentativa de transformar moradia, arte e cotidiano em uma mesma experiência.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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