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Arqueólogos esperavam encontrar um barco moderno, mas descobriram um naufrágio medieval do século XV no Lago de Constança, na Alemanha, e a descoberta pode revelar novos detalhes sobre a navegação da Idade Média

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 18/07/2026 às 06:57 Atualizado em 18/07/2026 às 06:59
Arqueólogo subaquático inspeciona estruturas de madeira de um naufrágio medieval preservado no fundo do Lago de Constança, na Alemanha, durante investigação arqueológica do século XV.
Mergulhador realiza inspeção arqueológica em estruturas de madeira pertencentes a um naufrágio medieval encontrado no Lago de Constança. A embarcação, datada entre 1420 e 1450, pode ampliar os estudos sobre a navegação no final da Idade Média.
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Descoberta realizada próximo à cidade de Lindau revelou um naufrágio medieval preservado no Lago de Constança. A embarcação foi datada entre 1420 e 1450 e poderá contribuir para novas pesquisas sobre a navegação no final da Idade Média.

A descoberta de um naufrágio medieval no Lago de Constança (Bodensee), na Alemanha, surpreendeu arqueólogos subaquáticos após a identificação de estruturas de madeira preservadas no fundo do lago, ao largo de Lindau, cidade localizada próxima às fronteiras com a Áustria e a Suíça.

Inicialmente, acreditava-se que os fragmentos encontrados poderiam corresponder apenas a restos de madeira. No entanto, durante as primeiras análises, foi confirmado que as estruturas pertencem a uma antiga embarcação medieval.

Segundo o arqueólogo subaquático Prof. Dr. Tobias Pflederer, a indicação do local partiu de um mergulhador esportivo que conhecia bem a região e já suspeitava da existência de um naufrágio.

Estruturas de madeira confirmaram a existência da embarcação

De acordo com Tobias Pflederer, o principal desafio era comprovar que os vestígios realmente pertenciam a um barco.

Entretanto, essa interpretação tornou-se evidente após a identificação de diversos conjuntos de cavernas estruturais e partes do costado sobressaindo do fundo do lago.

Além disso, o pesquisador explicou que as cavernas são elementos estruturais utilizados na construção de embarcações. Quando conectadas entre si, elas funcionam como as costelas responsáveis por sustentar o casco.

Assim, a presença dessas estruturas permitiu confirmar a existência do naufrágio.

Embarcação mede entre oito e doze metros

Segundo as estimativas iniciais da equipe arqueológica, a embarcação possui entre oito e doze metros de comprimento, enquanto o costado apresenta aproximadamente três metros de largura.

Até o momento, essas medidas representam a avaliação preliminar realizada durante as primeiras inspeções subaquáticas.

Datação surpreendeu os pesquisadores

Além da confirmação do naufrágio, a idade da embarcação foi considerada um dos aspectos mais relevantes da descoberta.

Inicialmente, os arqueólogos esperavam encontrar um naufrágio de época mais recente.

Porém, após a coleta de uma pequena amostra de madeira, realizada em coordenação com o Instituto Bávaro para a Conservação de Monumentos, os resultados mostraram que a embarcação foi construída entre os anos de 1420 e 1450 d.C.

Conforme informado também pela Schwäbische Zeitung, a datação foi obtida por meio da técnica de carbono 14, posicionando o naufrágio no século XV.

Segundo Tobias Pflederer, até agora foram realizadas apenas duas imersões, além do primeiro levantamento arqueológico, composto por ortofotografias e pela retirada de uma amostra de madeira de uma das cavernas estruturais.

Descoberta poderá ampliar estudos sobre o Lago de Constança

De acordo com o arqueólogo, existem apenas quatro naufrágios conhecidos do final da Idade Média no Lago de Constança.

Por isso, a nova embarcação poderá fornecer informações importantes sobre a construção naval e a navegação desenvolvida na região durante o século XV.

Além disso, a descoberta amplia o conjunto de pesquisas arqueológicas realizadas no maior lago interior da Alemanha.

Lago já revelou outras embarcações históricas

Anteriormente, a Sociedade Bávara de Arqueologia Subaquática (BGfU) já havia localizado diversos barcos monóxilos tanto no Lago de Constança quanto no Chiemsee.

Inclusive, parte dessas embarcações encontra-se atualmente em exposição no Deutsches Museum, em Munique.

Recuperação do naufrágio não está prevista

Apesar da relevância histórica, os arqueólogos não pretendem retirar a embarcação da água neste momento.

Diferentemente da recuperação de uma carga de navio da época romana realizada no Lago de Neuchâtel, na Suíça, a equipe considera que essa operação exigiria elevados investimentos.

Segundo Tobias Pflederer, recuperar um naufrágio significa assumir também sua conservação permanente.

Além disso, ele afirma que nada preserva melhor uma embarcação antiga do que permanecer submersa, especialmente quando protegida pelos sedimentos naturais do lago.

Enquanto isso, permanece em discussão a realização de uma escavação arqueológica de pequena escala.

Dessa forma, será possível identificar com maior precisão o método de construção da embarcação e confirmar suas dimensões exatas.

Pesquisas são conduzidas por associação especializada

As investigações são desenvolvidas pela Sociedade Bávara de Arqueologia Subaquática (BGfU).

Atualmente, a associação reúne cerca de 100 integrantes, sendo a maioria formada por voluntários.

Entre eles, participam arqueólogos profissionais, mergulhadores de investigação, estudantes, mergulhadores esportivos experientes e praticantes da arqueologia subaquática.

Cronologia dos fatos

  • Ano anterior às atuais ondas de calor: o Lago de Constança registrou um nível de água historicamente baixo.
  • Posteriormente: um mergulhador esportivo informou a existência de estruturas incomuns no fundo do lago.
  • Na sequência: arqueólogos da BGfU realizaram as primeiras duas imersões e produziram ortofotografias do local.
  • Durante a investigação: uma amostra de madeira foi coletada em coordenação com o Instituto Bávaro para a Conservação de Monumentos.
  • Em seguida: a análise por carbono 14 confirmou que o naufrágio foi construído entre 1420 e 1450 d.C.
  • Atualmente: a recuperação da embarcação não está prevista, enquanto uma escavação limitada segue em avaliação.
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Caio Aviz

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