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Área próxima à barragem que abastece 300 mil pessoas entra no radar: venda clandestina de matrícula, desmatamento de mata atlântica, construções sem licença e sem esgotamento sanitário mantêm casebres e cabanas de pé desde denúncia feita em 2023 em Siderópolis

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/02/2026 às 11:57
Atualizado em 21/02/2026 às 12:01
barragem em Siderópolis: matrícula clandestina, mata atlântica e esgotamento sanitário expõem risco perto do Rio São Bento.
barragem em Siderópolis: matrícula clandestina, mata atlântica e esgotamento sanitário expõem risco perto do Rio São Bento.
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Denúncia de 2023 aponta invasão e supressão de vegetação perto da Barragem do Rio São Bento, área de amortecimento da Reserva do Aguaí. Matrícula teria sido negociada de forma clandestina, surgiram cabanas e quiosques sem licença e sem esgotamento, e o município mantém multas e processos em curso neste ano

A barragem do Rio São Bento, em Siderópolis, abastece mais de 300 mil pessoas no Sul de Santa Catarina e entrou no centro de um alerta: a cerca de cinco quilômetros do reservatório, uma área de preservação passou a receber construções sem licenças ambientais, em um terreno apontado como invadido e vendido de forma irregular.

A denúncia foi formalizada em 2023 pelo proprietário Gregório Vinicius Brighenti e levada a órgãos como Famsid, Ministério Público de Santa Catarina, Polícia Civil e Poder Judiciário, conforme divulga o portal NDMais. O que chama atenção é a permanência dos imóveis, ainda de pé, enquanto o caso acumula autos, multas e promessas de recuperação ambiental.

O que apareceu no terreno e por que isso virou caso

barragem em Siderópolis: matrícula clandestina, mata atlântica e esgotamento sanitário expõem risco perto do Rio São Bento.

No local, foram levantados casebres, quiosques e cabanas com materiais descritos como descartes da construção civil.

A área também teria sido divulgada nas redes sociais como “Refúgio Montanha Serrinha”, o que, na prática, ajuda a manter circulação de pessoas em um espaço apontado como irregular.

A denúncia menciona lixo e entulho no entorno das construções e supressão de vegetação em ponto muito próximo de um curso d’água.

Quando isso acontece perto de uma barragem, o debate deixa de ser estético e vira sanitário, porque o risco não depende só do tamanho da obra, mas do padrão de ocupação.

Como a ocupação teria sido sustentada por venda clandestina

barragem em Siderópolis: matrícula clandestina, mata atlântica e esgotamento sanitário expõem risco perto do Rio São Bento.

A versão relatada pelo município aponta uma venda clandestina da matrícula do terreno, o que teria permitido que outras pessoas passassem a construir.

O detalhe é que, mesmo quando o imóvel “parece” ter dono, o papel não resolve o conflito se a matrícula foi negociada fora da legalidade.

Gregório descreveu que evitou voltar ao local por receio de segurança e avaliou que as construções podem ter aumentado.

Ele sustenta que ninguém teria residência ali e que o movimento seria uma aposta em lucro futuro.

Esse tipo de expectativa costuma empurrar a ocupação para frente, porque cada novo casebre cria uma sensação de fato consumado.

Reserva do Aguaí, mata atlântica e o ponto crítico do esgotamento

A área é descrita como zona de amortecimento da Reserva Ambiental do Aguaí, com desmatamento de mata atlântica constatado e obras em área de preservação sem licença.

O diagnóstico inclui a ausência de esgotamento sanitário, fator que amplia o risco ambiental independentemente do tamanho das construções.

O diretor da Famsid, Vinicius Pasquali, afirmou que os responsáveis foram autuados, tanto quem vendeu quanto quem comprou, e que há processos em andamento, além de planos de recuperação da área degradada e demolição de obra em área de preservação permanente.

A demolição, aqui, não é só punição, é tentativa de interromper a dinâmica de ocupação.

Por que a barragem entra no radar mesmo com “impacto pequeno”

A avaliação técnica citada pelo engenheiro ambiental indica que o impacto direto na qualidade da água da barragem seria pequeno, mas o caso serve de alerta.

O alerta não está apenas no que já ocorreu, mas no que pode acontecer se a fiscalização falhar e a ocupação virar loteamento informal, com mais desmatamento, criação de sítios e chácaras e até entrada de gado e pecuária.

A lógica é simples e dura: quanto mais gente ocupa, mais cresce a pressão por estrada, energia, descarte de resíduos e soluções improvisadas.

Quando uma barragem abastece 300 mil pessoas, o risco real é a soma de pequenas irregularidades virando normalidade, e normalidade virando dano permanente.

Siderópolis enfrenta um impasse em torno de uma área próxima à barragem do Rio São Bento: denúncia de 2023, construções ainda de pé, mata atlântica suprimida, matrícula em disputa e ausência de esgotamento sanitário no entorno.

A barragem aparece como linha vermelha porque abastecimento público não combina com ocupação sem regra.

Quero uma resposta concreta, sem “depende”: se você morasse a poucos quilômetros de uma barragem que abastece sua região, você defenderia demolição imediata das construções irregulares ou uma regularização condicionada a recuperação ambiental e esgoto, e por quê, na prática, isso seria aceitável para você e sua família?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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