O caminhoneiro gaúcho Jean, de Novo Hamburgo e com 11 anos de profissão, liderou o comboio que saiu de Osasco rumo ao Rio Grande do Sul com doações, atravessou a noite, fez parada em Curitiba e chegou à Defesa Civil em Porto Alegre levando ajuda para regiões atingidas pelas enchentes.
O caminhoneiro gaúcho Jean, natural de Novo Hamburgo, assumiu a primeira carreta de um comboio carregado com doações destinadas ao Rio Grande do Sul e chegou a Porto Alegre na manhã de segunda-feira, 10 de junho. Com parentes e amigos atingidos pelas enchentes, ele havia deixado Osasco, na Grande São Paulo, no dia anterior e atravessado a noite conduzindo a formação até seu próprio estado.
Segundo o canal do YouTube Chega Mais, em conteúdo publicado em 10 de junho de 2024, a operação transportava parte das mais de 250 toneladas de materiais arrecadados para o Rio Grande do Sul. O primeiro grupo deixou Osasco e seguiu até a central logística da Defesa Civil em Porto Alegre, onde os donativos começariam outra etapa de distribuição aos municípios atingidos.
Caminhoneiro gaúcho tinha parentes e amigos diretamente atingidos pelas enchentes

Para Jean, aquela não era apenas mais uma viagem profissional. O caminhoneiro gaúcho já acumulava 11 anos de experiência na boleia, mas desta vez dirigia em direção a uma região onde pessoas próximas a ele haviam sentido diretamente os efeitos das enchentes. Durante a entrevista concedida após a chegada, foi lembrado que familiares e amigos do motorista haviam sido atingidos em Novo Hamburgo, sua cidade natal.
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A relação pessoal com a tragédia deu outro peso ao percurso. Ao ser questionado sobre o que havia passado por sua cabeça durante a estrada, Jean classificou a experiência como emocionante e destacou a satisfação de representar o Rio Grande do Sul enquanto conduzia o comboio. A mesma profissão que normalmente o levava de um ponto a outro do país agora o colocava à frente de uma operação destinada a ajudar seu próprio estado.
Primeira carreta saiu de Osasco após uma mobilização de mais de 250 toneladas

A viagem começou depois de 22 dias de arrecadação. Naquele momento, um primeiro conjunto de 12 carretas deixou Osasco carregado com parte das mais de 250 toneladas de doações, quantidade que reunia alimentos, água, roupas, produtos de limpeza, itens de higiene e outros materiais destinados à população atingida pelas inundações.
O tamanho da mobilização faria a frota crescer depois da saída inicial. A cobertura indicava a previsão de outros sete caminhões, além de dois veículos ligados à Rede Massa, elevando a operação planejada para 21 caminhões transportando donativos. A estrada, portanto, era apenas uma das etapas de uma cadeia que começava na arrecadação e terminaria somente quando os materiais chegassem às localidades que necessitavam de abastecimento.
Comboio atravessou a noite e recebeu outros caminhões em Curitiba

Jean contou que o grupo saiu de São Paulo pouco depois das 13 horas. Durante o trajeto, os motoristas passaram por Curitiba, onde dois caminhões se juntaram à formação, e seguiram viagem rumo ao Sul. O percurso incluiu abastecimentos e os períodos de descanso obrigatórios, mantendo a operação dentro das regras aplicáveis aos profissionais da estrada.
A jornada avançou pela tarde, noite, madrugada e parte da manhã seguinte. A previsão inicial divulgada antes da partida mencionava cerca de 20 horas até o destino, embora o tempo estivesse sujeito às paradas do comboio. Na chegada, o caminhoneiro gaúcho ressaltou que todos haviam conseguido completar o percurso em segurança, levando consigo uma carga que ganhava significado especial conforme se aproximava do estado atingido.
Antes da estrada, cada doação passou por uma operação de triagem e embalagem

O trabalho logístico havia começado muito antes dos caminhões ganharem a rodovia. O estacionamento do SBT às margens da Anhanguera, em Osasco, funcionou como um dos principais pontos de recebimento, enquanto um galpão da Jequiti serviu de base para separar e preparar os materiais antes do embarque. Voluntários analisavam os itens e organizavam aquilo que seguiria para o Rio Grande do Sul.
Essa preparação ficaria visível quando as portas das carretas fossem abertas em Porto Alegre. Os donativos chegaram embalados e organizados para facilitar a movimentação por máquinas e paletes. A quantidade arrecadada exigia planejamento de transporte, armazenamento e distribuição, porque colocar toneladas de produtos na estrada não garantiria, por si só, que eles alcançassem rapidamente os locais onde seriam necessários.
Primeira carreta chegou a Porto Alegre com escolta até a central da Defesa Civil

Na aproximação ao destino, o comboio entrou em Porto Alegre pela região da Avenida Ipiranga. As carretas receberam acompanhamento da EPTC para que pudessem seguir juntas até a central de logística da Defesa Civil. Jean aparecia na primeira carreta enquanto a formação avançava pela capital gaúcha, encerrando a etapa rodoviária iniciada no dia anterior em São Paulo.
O local de chegada possuía grandes galpões destinados ao armazenamento e à organização dos materiais. A Defesa Civil centralizava demandas encaminhadas pelos municípios e, a partir dessas informações, preparava a distribuição. As doações precisariam sair novamente dali em diferentes direções, tornando Porto Alegre um ponto intermediário entre os caminhões vindos de outros estados e as comunidades afetadas pelas enchentes.
Uma placa acompanhou Jean durante todo o percurso até o Rio Grande do Sul
Além das toneladas de produtos, a primeira carreta levou um objeto simbólico. Antes da saída, Jean recebeu uma placa para ser entregue à coordenação da Defesa Civil gaúcha. A escolha do caminhoneiro gaúcho para transportá-la ganhou significado adicional justamente porque ele próprio tinha vínculos pessoais com uma das regiões afetadas pela enchente.
Depois da chegada, Jean participou do momento de entrega enquanto as equipes começavam a abrir as carretas e retirar os materiais. Empilhadeiras passaram a trabalhar no transporte das cargas para o interior do galpão, iniciando a fase seguinte da operação. O fim da viagem dos motoristas, portanto, não representava o fim do caminho percorrido pelas doações, que ainda seriam separadas e destinadas conforme as necessidades locais.
Depois de 11 anos na boleia, uma viagem conseguiu ter um peso diferente
Durante as paradas, Jean e os demais motoristas conversavam sobre a rota, planejavam os próximos trechos e mantinham a expectativa de completar a missão sem problemas. Quando finalmente chegou ao destino, o caminhoneiro gaúcho afirmou estar feliz por participar daquele momento e por ter conseguido conduzir o comboio com segurança, depois de cruzar a noite em direção ao estado onde nasceu.
A história mostra também uma dimensão pouco visível das grandes mobilizações depois de desastres: entre uma doação feita a centenas de quilômetros e sua chegada às mãos de quem precisa existe uma cadeia de voluntários, galpões, triagem, caminhões, motoristas e centros de distribuição. Você acredita que caminhoneiros e profissionais da logística recebem o reconhecimento adequado pelo papel que exercem em grandes operações de ajuda? Deixe sua opinião nos comentários.


