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Aos 87 anos ele fez prova de admissão ao lado de jovens, disputou vaga em instituto público de Lima, não faltou a uma aula em três anos e aos 89 se formou técnico em Eletrotecnia entre os melhores da turma, e já falava na segunda faculdade

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 09/08/2026 às 16:40 Atualizado em 09/08/2026 às 16:48
Ele fez prova de admissão aos 87 anos, não faltou a nenhuma aula em três anos e se formou técnico em eletrotécnica aos 89, entre os melhores da turma
Ele fez prova de admissão aos 87 anos, não faltou a nenhuma aula em três anos e se formou técnico em eletrotécnica aos 89, entre os melhores da turma
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Alejo Hermógenes Ruiz Rubio se inscreveu aos 87 anos no Instituto Julio César Tello, em Villa El Salvador, e concluiu Eletrotécnica Industrial aos 89, com reconhecimento por estar entre os melhores alunos. Depois anunciou que tentaria uma segunda carreira na Universidad Nacional Agraria La Molina.

Ele disputou uma das vagas concorridas de um instituto público de Lima quando já tinha 87 anos. A prova de admissão era a mesma para todo mundo, e Alejo Hermógenes Ruiz Rubio passou, conforme comunicado do Ministério da Educação do Peru publicado em 24 de fevereiro de 2020.

Dois anos depois, aos 89, ele se formou em Eletrotécnica Industrial no Instituto de Educação Superior Tecnológico Público Julio César Tello, em Villa El Salvador, e foi reconhecido em cerimônia por estar entre os melhores alunos da turma. Na fala mais citada daquele dia, ele disse que a idade nunca foi obstáculo para estudar. E acrescentou um detalhe sobre disciplina que impressiona mais do que a idade.

Três anos sem faltar a uma única aula

Ele fez prova de admissão aos 87 anos, não faltou a nenhuma aula em três anos e se formou técnico em eletrotécnica aos 89, entre os melhores da turma
Ele fez prova de admissão aos 87 anos, não faltou a nenhuma aula em três anos e se formou técnico em eletrotécnica aos 89, entre os melhores da turma

O número que Alejo fez questão de registrar não foi a nota, foi a frequência. Segundo o relato dele na cerimônia, não houve uma única falta ao longo dos três anos de curso.

Ele creditou o resultado a terceiros. Citou os colegas e os professores, que segundo ele o ajudaram, e a família, que esteve ao lado dele o tempo inteiro. Cursar três anos sem faltar significa deslocamento diário até Villa El Salvador, distrito da periferia sul de Lima, com a rotina de aulas presenciais de um curso técnico que envolve laboratório e prática.

Vale registrar que a família não levou a coisa a sério de imediato. Relatos sobre o caso indicam que, no começo, os parentes acreditavam tratar-se de um passatempo novo, e só depois perceberam que ele pretendia mesmo concluir e obter o título.

A fila da inscrição e a prova que todo mundo faz

O processo seletivo não teve atalho por idade. Segundo relatos publicados sobre o caso, ele precisou se preparar para o exame, enfrentar a fila junto com os demais candidatos, em sua maioria jovens, e competir por uma vaga na turma de Eletrotécnica Industrial.

O comunicado oficial do Ministério da Educação confirma o essencial: aos 87 anos, ele decidiu se candidatar e garantiu uma das vagas cobiçadas oferecidas pela instituição. A partir dali começou o desafio de concluir o curso, e ele terminou entre os melhores da turma. O detalhe da fila e do exame aparece em cobertura secundária, e não no comunicado do ministério.

Eletrônica ou eletrotécnica? Os documentos divergem

Há uma inconsistência nas fontes que vale esclarecer, porque muda o nome da profissão. O título do comunicado do Ministério da Educação anuncia a formação de um técnico em eletrônica, e o texto diz que ele decidiu seguir carreira na área de eletrônica, especialidade descrita como sua paixão.

O corpo do mesmo comunicado, porém, informa que ele integrava a turma de formandos do programa de Eletrotécnica Industrial. A Rádio Nacional do Peru, veículo estatal, o descreve como formado em eletrotécnica industrial, e outras coberturas confirmam esse nome de curso. Eletrônica e eletrotécnica industrial não são a mesma formação, e o registro que aparece com mais consistência é o segundo.

Onde ele estudou e por que o curso era gratuito

Ele fez prova de admissão aos 87 anos, não faltou a nenhuma aula em três anos e se formou técnico em eletrotécnica aos 89, entre os melhores da turma
Ele fez prova de admissão aos 87 anos, não faltou a nenhuma aula em três anos e se formou técnico em eletrotécnica aos 89, entre os melhores da turma

O Instituto Julio César Tello fica em Villa El Salvador e é um dos 23 institutos públicos sob jurisdição da Direção Regional de Educação de Lima Metropolitana. Alejo escolheu essa instituição depois de avaliar diversas opções.

A rede oferece formação gratuita, com perfil profissional e currículo previamente aprovados pelo Ministério da Educação, e os formandos recebem diploma emitido em nome da Nação. É uma estrutura de ensino técnico público que, no caso dele, viabilizou o retorno aos estudos sem custo de mensalidade. Sem essa rede, a história provavelmente não existiria, porque o obstáculo para alguém na faixa dos 87 anos raramente é só a disposição.

O motivo que ele deu para voltar a estudar

A explicação de Alejo não passa por nostalgia nem por preencher o tempo. Em entrevista à Rádio Nacional, ele contou que sempre teve muito interesse por conhecimento e que foi a curiosidade diante da modernidade que o levou à decisão.

Nas palavras dele, a modernidade desperta curiosidade e ele sentia que precisava participar desse conhecimento, e foi por isso que resolveu se candidatar ao instituto. É uma justificativa de quem quer entender o presente, não de quem quer revisitar o passado. O comunicado do ministério também registra que ele levou o objetivo a sério desde o início, tratando a formação como projeto profissional e não como ocupação.

A segunda faculdade tinha nome e endereço

O anúncio mais surpreendente veio depois da formatura. Alejo declarou à Rádio Nacional que pretendia se candidatar a uma segunda carreira, e não falou em termos vagos: citou a Universidad Nacional Agraria La Molina, instituição pública de Lima.

Não localizei informação posterior sobre esse plano. Não há registro público de que ele tenha prestado o processo seletivo, sido aprovado ou iniciado o curso. A matéria mais recente sobre o caso é de fevereiro de 2020, e desde então nenhuma cobertura acompanhou o desdobramento. Se o plano se concretizou, isso não foi noticiado.

Santiago de Chuco e o recado que ele deixou

Ao ser entrevistado, Alejo dedicou a conquista a duas coisas: à população em geral, para que siga estudando, e à sua terra natal, Santiago de Chuco, na região de La Libertad, no norte peruano.

A mensagem que ele mandou à juventude foi formulada com uma imagem simples: o amigo que nunca falha é o estudo. Ele completou dizendo que querer ao Peru é estudar e se superar, e que as pessoas precisam se irmanar pelo estudo. É um recado de alguém que passou por três anos de aula presencial para dizer aquilo com autoridade, e não como frase de efeito.

A história é de fevereiro de 2020, tem mais de seis anos, e não há informação pública sobre a situação atual de Alejo. O que ficou registrado é o percurso: inscrição aos 87, três anos sem faltas, diploma aos 89 entre os melhores da turma e o anúncio de uma segunda tentativa.

Conta nos comentários: você teria coragem de sentar em uma sala de aula hoje, com colegas décadas mais jovens, para tirar um diploma técnico? E na sua opinião, o que mais afasta as pessoas mais velhas dos estudos, a dificuldade de acompanhar o conteúdo ou o medo do julgamento dos outros?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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