Próxima da aposentadoria, uma enfermeira da rede pública decidiu retomar os estudos e reorganizar uma rotina já marcada por trabalho intenso.
A escolha abriu espaço para uma sequência de aprovações e uma mudança profissional inesperada, em uma trajetória que ganhou destaque nacional.
A proximidade da aposentadoria não encerrou os planos profissionais de Moabe Ferreira Coelho, que, aos 56 anos e ainda trabalhando como enfermeira da Prefeitura da Serra, no Espírito Santo, decidiu retomar uma rotina disciplinada de preparação para concursos públicos.
Entre o expediente e as responsabilidades pessoais, ela passou a reservar duas horas diárias aos estudos, conquistou o primeiro lugar na seleção da Petrobras para Enfermagem do Trabalho e, posteriormente, apareceu no acompanhamento oficial do processo seletivo com o status de admitida pela estatal.
Em vez de simplesmente concluir o processo de aposentadoria e reduzir o ritmo profissional, Moabe optou por disputar novas oportunidades na mesma área em que já havia construído sua carreira, conciliando a experiência acumulada na saúde pública com uma nova fase de preparação para provas.
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Duas horas de estudo antes do expediente
Segundo o Correio Braziliense, a rotina de preparação ocupava duas horas diárias, geralmente entre 4h e 6h da manhã, antes do início das atividades profissionais, estratégia que permitia manter regularidade nos estudos mesmo diante de uma jornada intensa na Prefeitura da Serra.

A organização desse horário tornou possível avançar no conteúdo sem abandonar o trabalho, enquanto a constância passou a ocupar papel central em uma preparação que exigia conciliar emprego, vida familiar e provas de diferentes instituições ligadas à área de enfermagem.
O esforço acabou produzindo resultados em mais de uma seleção, já que Moabe alcançou posições de destaque em três processos ligados à profissão, incluindo concursos do Judiciário e a disputa por uma vaga na Petrobras, onde obteve sua classificação mais expressiva.
Na seleção da estatal, o resultado final registrou 72 pontos e a primeira colocação na ampla concorrência para a ênfase de Enfermagem do Trabalho, desempenho que colocou a enfermeira à frente dos demais candidatos daquela modalidade.
Primeiro lugar na seleção da Petrobras
Inserida no processo seletivo para o cargo de Profissional Petrobras de Nível Técnico Júnior, a vaga escolhida por Moabe exigia formação técnica em Enfermagem, qualificação específica em Enfermagem do Trabalho e registro profissional compatível com os requisitos definidos no edital.
Embora já tivesse uma trajetória consolidada como enfermeira, ela precisou atender às exigências formais da função disputada, que integrava uma seleção nacional destinada a diferentes especialidades técnicas e oferecia oportunidades tanto para contratação imediata quanto para formação de cadastro de reserva.
Dentro desse processo, a área de Enfermagem do Trabalho contava com cinco vagas imediatas, enquanto a seleção completa reunia 373 oportunidades distribuídas entre várias ênfases, com provas compostas por conhecimentos básicos e específicos de acordo com cada especialidade profissional.
Depois da divulgação dos resultados, a aprovação deixou de representar apenas uma possibilidade de mudança, porque o relatório de acompanhamento das convocações passou a registrar Moabe Ferreira Coelho como primeira colocada em Enfermagem do Trabalho e, posteriormente, como admitida.
Esse registro confirmou que a trajetória avançou além da classificação obtida na prova, transformando a preparação iniciada perto da aposentadoria em ingresso efetivo na Petrobras e abrindo uma nova etapa profissional dentro da mesma área em que ela já possuía experiência.
Remuneração mínima prevista no concurso
Além da mudança de ambiente profissional, a seleção estabelecia condições remuneratórias definidas em edital, que previa salário básico de R$ 3.294,36 e garantia de remuneração mínima de R$ 5.563,90 para o cargo de Profissional Petrobras de Nível Técnico Júnior.
O valor de aproximadamente R$ 5,6 mil associado à trajetória corresponde, assim, à remuneração mínima prevista naquele processo seletivo para os candidatos admitidos, e não a uma referência de salário líquido atual ou a um valor necessariamente mantido sem alterações posteriores.
Para Moabe, a preparação começou depois dos 50 anos, quando a possibilidade de aposentadoria já fazia parte do horizonte profissional, mas a decisão de continuar trabalhando abriu espaço para buscar uma nova oportunidade sem abandonar a enfermagem ou mudar completamente de área.
Em vez de iniciar uma carreira sem relação com sua experiência anterior, ela direcionou os estudos a vagas compatíveis com sua formação, aproveitando conhecimentos acumulados ao longo dos anos enquanto se adaptava novamente à rotina de provas, conteúdos programáticos e preparação sistemática.
Trabalho, família e preparação para concursos
Conciliar estudo e expediente exigiu uma reorganização prática do cotidiano, já que boa parte do dia continuava ocupada pelas responsabilidades profissionais, enquanto a preparação precisava avançar em horários alternativos, sem depender de longas jornadas que seriam difíceis de sustentar.
Foi nesse contexto que as duas horas reservadas no início da manhã se transformaram em um período fixo de estudo, permitindo contato diário com as disciplinas cobradas e criando uma rotina regular antes que as atividades profissionais começassem a ocupar o restante do dia.
Ao mesmo tempo, a decisão de voltar aos livros contou com o apoio da mãe, da irmã e da filha, que acompanharam uma mudança ocorrida justamente em uma fase na qual muitos profissionais começam a considerar a redução das atividades ou a saída definitiva do mercado.
Mesmo diante de dúvidas relacionadas à idade, Moabe manteve a estratégia e passou a utilizar sua experiência na saúde como parte de uma preparação voltada a oportunidades relacionadas à própria enfermagem, transformando conhecimento profissional acumulado em vantagem dentro de uma nova disputa.
Desse modo, a transição não representou uma ruptura com tudo o que havia sido construído anteriormente, mas uma tentativa de ampliar possibilidades dentro do mesmo campo profissional, agora por meio de concursos e processos seletivos capazes de oferecer novos vínculos e ambientes de trabalho.
Nova etapa profissional aos 56 anos
O primeiro lugar na Petrobras ganhou relevância justamente por ter sido alcançado quando a aposentadoria já aparecia como uma alternativa concreta, enquanto Moabe escolhia manter o trabalho, reorganizar seus horários e voltar a enfrentar provas competitivas em busca de outra oportunidade profissional.
Por se tratar de uma seleção nacional, a disputa reuniu candidatos interessados em diferentes áreas técnicas e utilizou critérios objetivos de classificação, com avaliações organizadas por especialidade e resultados separados conforme as modalidades de concorrência previstas para cada cargo oferecido.
Na ênfase de Enfermagem do Trabalho, os 72 pontos obtidos garantiram a Moabe a liderança entre os candidatos da ampla concorrência, resultado que posteriormente foi acompanhado pela convocação e pelo registro de admissão no processo seletivo da Petrobras.
A sequência começou com a decisão de estudar novamente, passou pela adaptação de uma rotina dividida entre trabalho e preparação e chegou ao ingresso em uma das maiores empresas brasileiras, sem que fosse necessário abandonar a área profissional construída ao longo de sua trajetória.
Para uma enfermeira que já estava próxima da aposentadoria, a mudança significou iniciar outra etapa aos 56 anos, aproveitando a experiência acumulada e demonstrando, por meio de uma seleção competitiva, que ainda havia espaço para disputar novas oportunidades dentro da profissão.
Se uma profissional próxima da aposentadoria conseguiu reorganizar a rotina, voltar aos estudos, liderar uma seleção nacional e começar uma nova etapa na carreira, até que ponto a idade deve determinar quando alguém precisa parar de buscar novas oportunidades?

