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Aos 18 anos, jovem que perdeu o pai em acidente de trabalho passa a fazer bicos como servente de pedreiro aos fins de semana para ajudar a mãe e os irmãos, chega em casa cansado, mantém a rotina de estudos em escola pública e conquista o 3º lugar em Medicina na UFS

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 17/08/2026 às 16:24 Atualizado em 17/08/2026 às 16:25
Estudante de escola pública concilia trabalho como servente de pedreiro e estudos e conquista vaga em Medicina na UFS
Estudante de escola pública concilia trabalho como servente de pedreiro e estudos e conquista vaga em Medicina na UFS
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Gabriel Henrique Cavalcante conciliou o ensino médio integral em escola pública de Aracaju com serviços na construção civil depois da morte do pai, em 2020. Quatro anos depois, o estudante chegou ao Sisu 2024 e conquistou o 3º lugar em Medicina na Universidade Federal de Sergipe entre candidatos de sua modalidade de cotas.

Aos 18 anos, Gabriel Henrique Cavalcante viu uma rotina dividida entre escola, trabalho e estudo terminar com uma vaga em um dos cursos mais disputados do ensino superior brasileiro. Morador de Aracaju, em Sergipe, ele foi aprovado em Medicina na Universidade Federal de Sergipe (UFS) pelo Sisu 2024.

O resultado ganhou outro peso por causa do caminho percorrido até a universidade. O pai de Gabriel morreu em maio de 2020, após um acidente de trabalho, e a perda afetou diretamente a renda da casa, já que, segundo o jovem, ele era o principal provedor da família.

Gabriel passou então a trabalhar para contribuir com as despesas. Aos fins de semana, fazia bicos como servente de pedreiro e outros serviços na construção civil, enquanto durante a semana frequentava o ensino médio integral e tentava manter a preparação para o Enem.

Segundo o Correio Braziliense, que entrevistou o estudante em março de 2024, Gabriel relatou que frequentemente chegava em casa cansado e ainda precisava estudar. A combinação de trabalho e preparação acadêmica terminou com o 3º lugar em Medicina na UFS, resultado alcançado aos 18 anos.

A morte do pai em 2020 mudou a rotina e levou Gabriel a começar a trabalhar cedo

A situação financeira da família já era limitada antes da perda do pai. Depois do acidente fatal, Gabriel contou que as dificuldades aumentaram e que precisou assumir parte das responsabilidades dentro de casa ainda adolescente.

O trabalho se concentrava principalmente nos fins de semana. Enquanto muitos colegas utilizavam o sábado e o domingo para descansar ou ampliar a preparação para o vestibular, ele atuava como servente de pedreiro e fazia outros serviços ligados à construção civil para ajudar a mãe e os irmãos.

A rotina não eliminou o objetivo que havia traçado para si. Gabriel continuou matriculado no Centro de Excelência Vitória de Santa Maria, escola pública estadual de ensino integral localizada em Aracaju, e manteve o projeto de entrar em uma universidade pública.

Como informou o Jornal de Brasília, a classificação foi obtida entre os candidatos da modalidade de cotas destinada a pretos, pardos e indígenas. A própria publicação registrou ainda que Gabriel já demonstrava interesse por áreas como neurocirurgia, cardiologia e cirurgia geral.

Dentro da escola, o aluno que trabalhava como servente também virou monitor de Matemática

Jovem que trabalhava como servente de pedreiro é aprovado em Medicina na UFS
Jovem que trabalhava como servente de pedreiro é aprovado em Medicina na UFS

Gabriel tinha facilidade com Matemática e passou a usar essa habilidade para auxiliar outros estudantes. Na escola, tornou-se monitor da disciplina e participou de atividades de protagonismo juvenil, assumindo tarefas que iam da colaboração em eventos ao apoio a colegas.

O estudante também fez parte do projeto social Orquestra Jovem de Sergipe e participou do programa Estudante Monitor. Uma reportagem publicada pelo Jornal do Dia em fevereiro de 2024 mostrou que Gabriel utilizou parte da renda recebida como monitor para investir nos próprios estudos e que intensificou a preparação durante 2023, quando cursava a terceira série do ensino médio.

A convivência dentro da escola acabou funcionando como parte da estrutura de apoio para uma rotina que já era pesada fora dela. Professores acompanhavam metas acadêmicas, enquanto amigos que também se preparavam para o Enem trocavam questões e cobravam uns dos outros a continuidade dos estudos.

A aprovação veio pelo Sisu 2024 e levou o estudante de escola pública à Medicina da UFS

O esforço acumulado ao longo de 2023 apareceu no resultado do Sisu 2024. Gabriel garantiu uma vaga em Medicina na Universidade Federal de Sergipe, encerrando o ensino médio com uma aprovação que passou a servir de referência para outros alunos de sua própria escola.

A UFS também registra oficialmente Gabriel Henrique Cavalcante entre os candidatos submetidos ao procedimento de heteroidentificação daquele processo seletivo. Em fevereiro de 2024, a comissão da universidade confirmou por unanimidade sua autodeclaração como pertencente à população negra, etapa relacionada ao ingresso pela modalidade de reserva de vagas.

Naquele momento, porém, a aprovação ainda não significava o fim imediato do trabalho na construção civil. Antes do início das aulas universitárias, previsto para maio de 2024, Gabriel afirmou que continuaria trabalhando como servente de pedreiro para colaborar com as despesas da família.

A conquista também colocou em evidência uma trajetória construída integralmente na rede pública. Gabriel frequentava o Centro de Excelência Vitória de Santa Maria, no bairro Santa Maria, em Aracaju, unidade que adotava o modelo de ensino médio em tempo integral.

O ensino integral entrou na trajetória, mas a vaga foi construída depois de jornadas de trabalho e horas extras de estudo

Ao falar sobre a aprovação, Gabriel atribuiu parte do apoio que recebeu ao modelo de ensino integral, especialmente às atividades de tutoria, orientação de estudos, eletivas e projeto de vida. O estudante relatou que professores e colegas ajudaram a manter a preparação mesmo nos momentos em que o cansaço tornava mais difícil continuar.

Esse tipo de jornada escolar ganhou espaço na rede estadual sergipana nos anos seguintes. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Educação mostram que, em 2024, 102 das 318 escolas estaduais de Sergipe ofereciam ensino em tempo integral, dentro de uma rede que naquele ano tinha mais de 163 mil estudantes matriculados.

No caso de Gabriel, contudo, a escola era apenas uma parte de uma rotina que incluía dificuldades concretas fora da sala de aula. A morte do pai, a necessidade de complementar a renda familiar, os serviços na construção civil e a preparação para um curso altamente concorrido ocorreram ao mesmo tempo.

A aprovação aos 18 anos encerrou uma etapa iniciada quando a situação financeira da família mudou de forma abrupta em 2020. Entre os fins de semana trabalhando como servente e as noites de estudo mesmo depois de chegar cansado, Gabriel chegou ao Sisu quatro anos depois e conquistou sua vaga em Medicina na Universidade Federal de Sergipe.

O que mais chama sua atenção na trajetória de Gabriel, a rotina de trabalho enquanto ainda cursava o ensino médio, a dedicação aos estudos ou a aprovação em Medicina depois de perder o pai? Deixe sua opinião nos comentários e conte o que essa história representa para você.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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