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Aos 14 anos, garoto transforma LEGO, linha de pesca e tubos elétricos em mão robótica, conhece menina de 7 anos com prótese de US$ 80 mil que mal abria e fechava, cria braço de apenas US$ 250, aperta a mão de Obama e faz estágio no projeto Robonaut da NASA antes de fundar empresa de próteses biônicas

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 01/09/2026 às 07:03 Atualizado em 01/09/2026 às 07:04
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Easton LaChappelle começou aos 14 anos com LEGO e criou próteses acessíveis após conhecer menina com braço artificial de US$ 80 mil.

Quando tinha apenas 14 anos, Easton LaChappelle não trabalhava em um laboratório sofisticado, não cursava engenharia e tampouco possuía uma equipe de especialistas ao redor. Morando na pequena comunidade de Mancos, no Colorado, Estados Unidos, o adolescente transformou o próprio quarto em oficina e começou a montar uma mão robótica usando materiais improváveis: peças de LEGO, linha de pesca, tubos elétricos, eletrônicos e programas que ele próprio adaptava.

O experimento que inicialmente existia apenas para satisfazer sua curiosidade acabaria colocando o jovem diante do presidente Barack Obama e dentro do Johnson Space Center da NASA.

Easton LaChappelle começou desmontando objetos antes de construir robôs

A trajetória tecnológica de LaChappelle começou antes da adolescência.

Ele cresceu cercado por LEGO e demonstrava interesse por entender como equipamentos funcionavam. Em diferentes relatos sobre sua infância, o inventor descreveu a tendência de desmontar aparelhos e experimentar motores, componentes eletrônicos e mecanismos.

mão robótica feita por garoto de 14 anos
mão robótica feita por garoto de 14 anos

Por volta dos 9 anos, já construía pequenos motores e veículos capazes de se movimentar pelo chão. A falta de uma grande estrutura educacional especializada em robótica não encerrou os experimentos.

LaChappelle passou a utilizar vídeos, fóruns, comunidades de código aberto e contatos pela internet para aprender programação, eletrônica e mecânica.

Quando chegou aos 14 anos, decidiu construir uma mão robótica funcional.

LEGO, linha de pesca e tubos elétricos viraram uma mão controlada por luva

A primeira versão estava muito distante das próteses profissionais que posteriormente desenvolveria. As peças de LEGO ajudavam a formar partes da estrutura. A linha de pesca funcionava de maneira semelhante aos tendões, transmitindo os movimentos. Tubos elétricos e componentes eletrônicos completavam a montagem.

LaChappelle também desenvolveu um sistema de controle por luva.

Movimentos realizados pela mão do adolescente eram transmitidos para a estrutura robótica, permitindo movimentar os dedos artificialmente.

Era uma experiência caseira, mas suficientemente funcional para convencer o jovem de que poderia avançar muito mais.

Ele começou a abandonar gradualmente o LEGO, incorporar peças produzidas em impressão 3D e desenvolver novos sistemas eletrônicos e de controle.

O projeto deixou de ser apenas uma mão e evoluiu para um braço inteiro.

Impressão 3D permitiu transformar o protótipo em algo muito mais sofisticado

A impressão 3D tornou-se uma ferramenta central na evolução do projeto. Em vez de depender apenas de componentes disponíveis comercialmente, LaChappelle passou a produzir partes especificamente desenhadas para sua estrutura.

A própria Unlimited Tomorrow afirma que, cerca de um ano depois da primeira mão construída aos 14 anos, ele havia aprendido impressão 3D e desenvolvido um braço capaz de utilizar formas avançadas de controle.

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As peças impressas ajudavam a reduzir peso, custos e limitações geométricas.

Era possível redesenhar um dedo, imprimir outro componente, testar, corrigir o arquivo digital e fabricar uma nova versão.

Essa capacidade de experimentar rapidamente seria posteriormente uma das bases da empresa fundada pelo jovem.

Antes disso, porém, uma criança mudaria completamente a finalidade do projeto.

Menina de 7 anos usava prótese de US$ 80 mil com movimentos extremamente limitados

Durante uma feira de ciências no Colorado, LaChappelle percebeu uma menina observando atentamente os dedos de seu braço robótico.

Ela utilizava uma prótese.

Ao conversar com os pais da criança, o adolescente descobriu que aquele dispositivo havia custado aproximadamente US$ 80 mil e oferecia funcionalidade muito mais limitada do que ele imaginava para um equipamento tão caro.

O sistema era capaz basicamente de realizar um movimento simples de pinça.

Havia ainda outro problema. Como a menina estava crescendo, acabaria deixando de caber corretamente naquela prótese e precisaria de outro dispositivo.

O contraste impressionou LaChappelle.

Ele havia construído seu braço experimental gastando aproximadamente algumas centenas de dólares.

Braço criado no quarto custava centenas de vezes menos

O valor exato atribuído aos primeiros protótipos varia conforme o estágio do desenvolvimento relatado nas diferentes fontes.

LaChappelle posteriormente afirmou que uma das versões havia custado aproximadamente US$ 300.

Quando participou da White House Science Fair de 2013, porém, a Casa Branca informou oficialmente que o jovem havia conseguido produzir um braço totalmente operacional por apenas US$ 250.

A diferença para os US$ 80 mil pagos pela família da menina era gigantesca.

Mesmo considerando que um protótipo de feira de ciências não possui os mesmos custos regulatórios, clínicos, produtivos e de suporte de uma prótese médica comercial, o encontro demonstrou a LaChappelle o potencial de tecnologias como impressão 3D e eletrônica de baixo custo.

Seu objetivo mudou.

Ele queria transformar a experiência em tecnologia utilizável por pessoas reais.

Aos 17 anos, Easton chega à Casa Branca com seu braço robótico

Em 22 de abril de 2013, LaChappelle estava entre os estudantes convidados para a White House Science Fair.

A administração Barack Obama descreveu oficialmente o projeto como uma tentativa de oferecer uma mão funcional por uma fração do preço das próteses existentes.

O jovem tinha 17 anos.

A Casa Branca relatou que a maior parte das peças era produzida por impressão 3D e que o braço havia sido montado por aproximadamente US$ 250.

LaChappelle também trabalhava naquele momento em uma forma de controlar a mão usando um headset capaz de interpretar sinais relacionados ao comando desejado pelo usuário.

Durante o evento, um dos momentos que ajudariam a tornar sua história conhecida ocorreu diante das câmeras.

O braço robótico apertou a mão do então presidente Barack Obama.

Projeto caseiro leva adolescente até a NASA

A repercussão não terminou na Casa Branca. LaChappelle conseguiu posteriormente um estágio na equipe do Robonaut da NASA, no Johnson Space Center, no Texas.

O Robonaut é uma linha de robôs humanoides desenvolvidos para executar tarefas em ambientes associados às missões espaciais.

mão robótica feita por garoto de 14 anos
mão robótica feita por garoto de 14 anos

Para um adolescente que poucos anos antes montava dedos robóticos com LEGO e linha de pesca em um pequeno município do Colorado, a mudança de escala era enorme.

Ele passou a ter contato com engenharia robótica em um dos ambientes tecnológicos mais avançados do mundo.

A experiência, porém, não o afastou do problema descoberto na feira de ciências.

Ao contrário, a prótese infantil de US$ 80 mil continuava sendo o ponto central de sua nova missão.

Tony Robbins ajuda a transformar invenção adolescente em empresa

Outro passo decisivo ocorreu depois de uma apresentação TEDx. Segundo a própria Unlimited Tomorrow, a palestra chegou ao empresário e escritor Tony Robbins, que se interessou pelo trabalho do jovem e forneceu investimento inicial para a criação da companhia.

Em 2014, quando LaChappelle tinha cerca de 18 anos, nasceu a Unlimited Tomorrow.

O objetivo era muito mais ambicioso do que produzir protótipos impressionantes para feiras.

A empresa queria combinar impressão 3D, digitalização do corpo, sensores, eletrônica e software para produzir próteses personalizadas por valores muito inferiores aos tradicionalmente associados aos braços biônicos.

O quarto transformado em laboratório começava a dar lugar a uma companhia de tecnologia.

TrueLimb transforma sinais musculares em movimentos da mão artificial

O desenvolvimento culminou anos depois no TrueLimb, braço biônico personalizado produzido pela Unlimited Tomorrow.

Diferentemente dos primeiros protótipos controlados por luvas ou sistemas experimentais ligados a sinais cerebrais, o produto comercial utiliza informações produzidas pelos movimentos musculares do membro residual.

Sensores localizados no encaixe detectam alterações associadas à intenção do usuário e convertem essas informações em comandos para abrir, fechar e alterar as formas de preensão da mão.

A versão atual utiliza a tecnologia TrueSense.

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Segundo a empresa, são mais de 30 sensores distribuídos no encaixe.

O sistema oferece seis modos adaptativos de preensão e feedback ao usuário quando a prótese entra em contato com objetos. É um salto tecnológico enorme em relação à estrutura feita com LEGO.

A prótese que inspirou a missão custava US$ 80 mil; a TrueLimb chegou ao mercado por US$ 7.995

A diferença de preço continuou sendo parte central da estratégia. Em materiais da própria empresa, a versão tradicional do TrueLimb aparece por US$ 7.995, enquanto acabamentos especiais podem aumentar o valor.

Não é um equipamento barato.

Mas representa aproximadamente um décimo dos US$ 80 mil que LaChappelle ouviu dos pais daquela menina na feira de ciências.

A empresa também estruturou parte do processo para funcionar remotamente, reduzindo a necessidade de diversas viagens do usuário até um centro especializado.

É justamente a combinação de digitalização, fabricação aditiva e produção personalizada que LaChappelle passou anos tentando aperfeiçoar.

Uma criança mudou o destino de uma invenção que havia começado como brincadeira

A história de Easton LaChappelle poderia ter terminado como a de um adolescente extraordinariamente habilidoso que chamou atenção em competições científicas.

Não terminou.

A menina encontrada na feira revelou ao jovem que o problema mais importante não era simplesmente provar que conseguia construir uma mão robótica.

Era descobrir por que uma tecnologia funcional continuava tão cara e inacessível para quem precisava dela.

O adolescente que aos 14 anos fazia tendões com linha de pesca passou a desenvolver impressão 3D, sensores e sistemas de controle.

Poucos anos depois, levou um braço de aproximadamente US$ 250 à Casa Branca, apertou a mão do presidente dos Estados Unidos e conseguiu uma experiência profissional na equipe do Robonaut da NASA.

Depois transformou o projeto em uma empresa.

Mais de uma década após a fundação da Unlimited Tomorrow, a companhia continua fabricando o TrueLimb e expandiu sua tecnologia para outras interfaces entre corpo humano e máquinas.

Tudo nasceu de um contraste difícil de ignorar: de um lado, uma criança usando um braço artificial de US$ 80 mil que oferecia movimentos limitados e logo ficaria pequeno; do outro, um adolescente que havia descoberto no próprio quarto que LEGO, linha de pesca, impressão 3D, eletrônica e persistência poderiam abrir caminho para algo muito mais ambicioso.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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