Leilão marcado para 24 de setembro reúne 262 máquinas da antiga Unitec, em Ribeirão das Neves, com lances iniciais somados de R$ 83,1 milhões e equipamentos de fabricantes como ASML, Mühlbauer, ESEC e Lam.
Uma fábrica brasileira de semicondutores que recebeu quase R$ 1 bilhão em aportes e nunca atingiu plena operação industrial terá 262 máquinas e equipamentos colocados em leilão. Os ativos pertenciam à antiga Unitec, em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, e incluem equipamentos de fabricantes estratégicos para a cadeia global de chips.
O leilão eletrônico está marcado para 24 de setembro de 2026. Segundo a documentação divulgada, a soma dos lances iniciais dos lotes chega a aproximadamente R$ 83,1 milhões. O valor não representa arrecadação garantida nem avaliação final de mercado, pois cada equipamento poderá receber ou não propostas acima do mínimo.
Máquinas da ASML aparecem entre os ativos da antiga fábrica
Entre os equipamentos listados estão máquinas ligadas a fabricantes conhecidos da indústria de semicondutores, como ASML, Mühlbauer, ESEC e Lam Kiyo System. A presença de ativos dessas marcas chama atenção porque elas fornecem tecnologias usadas em diferentes etapas da fabricação e encapsulamento de chips.
-
Criatura rara das profundezas surpreende cientistas no Pacífico: lula-de-barbatana-grande aparece a 3.277 metros, mede cerca de 1,25 metro e exibe braços longos que se dobram como “cotovelos”
-
Homem vive 100 dias a 6,7 metros no fundo do mar e sai todo alterado, com colesterol 72 pontos menor, quase 4 kg a menos e testosterona 7 vezes maior
-
Cientistas derretem diamante perto de 1 terapascal com lasers de alta potência no OMEGA Laser Facility, mede fusão em torno de 7.300 K e corrige em cerca de 700 °C um erro que afetava modelos de fusão nuclear e de planetas gigantes
-
Megaerupção da caldeira Lauca cobriu uma área seis vezes maior que Santiago há 21,9 milhões de anos e preservou sob até 1 km de rocha um retrato de como os Andes ainda estavam nascendo
O catálogo também inclui linhas de RFID, equipamentos de die bonding, sistemas de encapsulamento, infraestrutura de utilidades e grupos geradores. Cinco geradores Caterpillar, por exemplo, têm lances iniciais somados de cerca de R$ 6,14 milhões.

Unitec nasceu para ser a primeira grande fábrica de chips do Brasil
O projeto da Unitec foi lançado com a ambição de criar uma operação nacional de semicondutores capaz de atender mercados como identificação por radiofrequência, cartões, telecomunicações e eletrônica. A unidade em Ribeirão das Neves recebeu investimentos públicos e privados próximos de R$ 1 bilhão ao longo de sua implantação.
A fábrica, porém, nunca chegou à plena capacidade comercial prevista. Problemas financeiros, atrasos e dificuldades para consolidar clientes levaram a empresa a um processo prolongado de crise, deixando equipamentos industriais de alto valor parados ou subutilizados.
Credores assumiram ativos dados em garantia
Parte das máquinas foi assumida por credores após a execução de garantias vinculadas ao projeto. O leilão busca converter esses ativos em recursos, encerrando mais uma etapa de uma iniciativa que durante anos foi apresentada como peça estratégica para reduzir a dependência brasileira de chips importados.
Entre os lotes citados pela Lawinfra, uma linha de RFID tem lance inicial de R$ 2 milhões. Três máquinas de die bonding somam cerca de R$ 965 mil em valores mínimos, enquanto um equipamento de encapsulamento aparece com lance inicial próximo de R$ 989 mil.
Leilão ocorre no momento em que Brasil volta a discutir indústria de chips
A venda acontece justamente quando o país tenta reconstruir políticas para semicondutores, data centers, inteligência artificial e eletrônica avançada. O setor ganhou prioridade por causa da dependência externa revelada durante crises de fornecimento e pela disputa internacional por capacidade produtiva.
Máquinas usadas podem encontrar compradores em universidades, centros de pesquisa, fabricantes especializados ou empresas de outros países, dependendo do estado de conservação, compatibilidade tecnológica, custos de desmontagem e transporte e disponibilidade de suporte técnico.

ASML virou símbolo da dependência global de equipamentos sofisticados
A holandesa ASML ocupa posição central no mercado mundial de litografia, tecnologia usada para projetar circuitos sobre wafers de silício. Nem todo equipamento da marca tem o mesmo nível tecnológico, e a presença do nome ASML no leilão não transforma a antiga Unitec em uma fábrica de chips de ponta.
Mesmo assim, o lote evidencia o tipo de infraestrutura adquirido para o projeto brasileiro e o custo de construir uma cadeia local. Uma fábrica de semicondutores depende de máquinas especializadas, salas limpas, controle ambiental, químicos, gases e equipes altamente qualificadas.
Destino das 262 máquinas pode redesenhar parte do patrimônio industrial
O resultado do leilão mostrará quanto o mercado está disposto a pagar pelos equipamentos e quais ativos ainda têm utilidade produtiva. Também poderá revelar se parte desse patrimônio continuará no Brasil ou será desmontada e enviada a compradores estrangeiros.
Para a indústria nacional, o contraste é forte: enquanto o país busca novos projetos de chips, equipamentos de uma iniciativa que deveria inaugurar uma etapa industrial mais avançada chegam ao mercado após anos de dificuldades. Você acredita que o Brasil deveria tentar reaproveitar parte dessas máquinas em novos projetos nacionais? Deixe sua opinião nos comentários.
