A fazenda de dois mil hectares fica em Dianópolis, tem relevo plano, água disponível e chuvas regulares, e o prefeito José Salomão afirma que o investimento do cantor contribui decisivamente para a economia do município, que espera novos empregos com a chegada da pecuária e depois da lavoura moderna prometida
O cantor Alexandre Pires ampliou os investimentos para muito além da música e comprou uma fazenda de dois mil hectares em Dianópolis, no sudeste do Tocantins. O plano declarado do artista é começar pela pecuária, com a criação de gado ocupando a propriedade, e futuramente desenvolver a agricultura em escala na mesma área. As informações são do portal Terra, em reportagem de 13 de março de 2026, a partir de apuração original do g1 Tocantins.
A localização não foi escolhida por acaso. A fazenda fica a cerca de 90 quilômetros de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, um dos principais polos agrícolas do país, e reúne relevo plano, boa disponibilidade de água e chuvas regulares, exatamente o pacote de condições naturais que o mercado de terras brasileiro considera ideal para a expansão do agronegócio.
Compra em Dianópolis marca a estreia do cantor no agro

A aquisição coloca o dono de sucessos do pagode nacional na lista crescente de artistas que viraram investidores rurais. A propriedade de dois mil hectares será usada inicialmente para a criação de gado, e a expectativa declarada é ampliar as atividades agrícolas numa segunda etapa do projeto.
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A ordem escolhida segue a cartilha clássica da região. Começar pela pecuária permite ocupar a terra e gerar receita enquanto a estrutura para a lavoura é montada, caminho comum nas áreas de expansão agrícola do Tocantins, onde o pasto costuma ser a porta de entrada e a soja e o milho chegam na sequência, conforme a infraestrutura avança.
O Tocantins, aliás, vive exatamente esse momento de transição. O estado vem ampliando ano a ano a área plantada de grãos e atraindo produtores de outras regiões do país em busca de terra mais barata que a dos polos consolidados, o que transforma compras como a do cantor em apostas de valorização, e não apenas em projetos de produção.
Relevo plano, água e chuva puxaram a escolha do endereço
As características físicas da fazenda explicam o apetite pelo negócio. A região de Dianópolis combina relevo plano, que facilita a mecanização das lavouras, boa disponibilidade de água e regime de chuvas regular, três fatores que reduzem custo e risco para quem produz. Terra plana significa colheitadeira e plantadeira trabalhando sem obstáculo, água disponível garante o gado no período seco e abre caminho para irrigação, e chuva regular reduz a dependência de sorte na janela de plantio.
Quem detalha o potencial é o corretor responsável pela negociação, Bruno Leonardo. “A região é promissora. Com a expansão agrícola, acredito que a agricultura ganhará mais espaço nos próximos anos”, afirmou o corretor ao g1. Na avaliação dele, a valorização das terras da área é questão de tempo, acompanhando o movimento de ocupação produtiva que já transformou o oeste baiano, do outro lado da divisa.
Vizinhança de Luís Eduardo Magalhães valoriza a terra
O detalhe mais estratégico do investimento está no mapa. A fazenda de dois mil hectares fica a aproximadamente 90 quilômetros de Luís Eduardo Magalhães, cidade do oeste da Bahia que se consolidou como um dos maiores polos do agronegócio brasileiro, com produção intensiva de grãos, algodão e serviços agrícolas.
Essa vizinhança coloca a propriedade dentro da área de influência do Matopiba, a fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia que concentra boa parte da expansão recente da produção de grãos do país. Estar a uma hora e meia de estrada de um polo consolidado significa acesso a insumos, máquinas, assistência técnica e compradores, exatamente o ecossistema de que uma fazenda em transição da pecuária para a agricultura precisa.
O termo fronteira agrícola, usado para descrever a região, tem significado preciso no mapa do agro. São as áreas onde a produção em larga escala chegou por último e ainda avança, com terras em processo de conversão e preços em movimento. É nesse tabuleiro que a propriedade de Dianópolis está posicionada, na borda tocantinense que olha diretamente para o lado baiano da divisa.
Prefeito prevê empregos e impulso na economia local
Do lado do poder público, a chegada do cantor foi recebida como notícia de desenvolvimento. O prefeito de Dianópolis, José Salomão, confirmou o desenho do projeto em duas fases, começando na pecuária e expandindo depois para a agricultura.
O gestor não economizou na avaliação do impacto. “Isso contribui decisivamente para a economia do município”, destacou o prefeito. A expectativa da administração municipal é que a fazenda gere empregos diretos e indiretos, fortaleça a produção local e sirva de incentivo para novos investimentos na região, que fica fora do eixo mais badalado do agronegócio tocantinense e ganha visibilidade com a chegada de um nome nacional.
Em municípios do porte de Dianópolis, um empreendimento rural de dois mil hectares mexe com a cadeia inteira, da contratação de vaqueiros, tratoristas e técnicos ao movimento de comércio, oficinas e serviços que atendem a fazenda. É esse efeito multiplicador que sustenta o entusiasmo do prefeito com o projeto do cantor.
Visita ao município aproximou o artista dos moradores
Antes de tocar o projeto, Alexandre Pires fez questão de pisar na terra. O cantor visitou a fazenda recentemente, percorreu a propriedade e conversou com moradores de Dianópolis, num contato direto que rendeu registros e comentários na cidade, onde a presença do artista virou assunto muito antes do primeiro rebanho chegar.
O interesse pelo campo tem raiz na biografia. Natural de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, região de forte tradição pecuária, o artista também atua como empresário fora dos palcos e vem demonstrando interesse crescente pelo setor rural. A compra no Tocantins transforma essa inclinação em ativo concreto, com dois mil hectares para desenvolver nos próximos anos. Para efeito de comparação, a área equivale a cerca de 20 quilômetros quadrados, o tamanho de um bairro inteiro de capital, todo dedicado a um único projeto rural.
Cantores viraram força de investimento no agronegócio
O passo de Alexandre Pires se soma a um movimento que virou padrão entre os artistas brasileiros de maior bilheteria. Nomes da música sertaneja e do pagode têm convertido cachês em terras, gado e genética animal, casos de Eduardo Costa, dono de fazenda avaliada em cerca de R$ 30 milhões em Minas Gerais, e de Murilo Huff, que pagou R$ 2 milhões numa única vaca Nelore em leilão em 2025.
A lógica econômica por trás da tendência é de diversificação. A carreira artística gera receita alta e irregular, enquanto a terra oferece reserva de valor, renda recorrente e valorização de longo prazo, especialmente em regiões de fronteira agrícola em expansão. Para o público sertanejo e do agro, o investimento ainda rende um bônus de imagem, aproximando o artista do universo rural que consome sua música. No caso de Alexandre Pires, que construiu a carreira no pagode a partir do Só Pra Contrariar, grupo fundado na própria Uberlândia, a fazenda também devolve o artista às origens mineiras e ao convívio com o campo que marcou a infância no Triângulo.
Fazenda no Tocantins vira o novo palco do pagodeiro
Entre o relevo plano de Dianópolis, a vizinhança de Luís Eduardo Magalhães e o plano de duas fases que começa no gado e termina na lavoura, Alexandre Pires montou uma estreia calculada no agronegócio. A fazenda de dois mil hectares chega gerando expectativa de empregos na cidade, elogio público do prefeito e a promessa de agricultura moderna na fronteira do Matopiba. Se o roteiro se confirmar, o dono de alguns dos maiores sucessos do pagode nacional terá no interior do Tocantins um empreendimento à altura da carreira construída nos palcos, e Dianópolis terá no mapa do agro um vizinho ilustre para chamar de contribuinte. O primeiro boi ainda não entrou na porteira, mas a valorização da terra, no mercado de fronteira, já começou a correr no dia em que a escritura foi assinada.
E para você, os artistas que investem pesado em fazendas estão fazendo boa gestão de patrimônio ou seguindo modismo do meio sertanejo? Conte nos comentários se a chegada de um investidor famoso muda de verdade a economia de uma cidade pequena.

