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Além dos carros, BYD já testa 10 caminhões elétricos pesados 6×2 no Brasil com recarga em apenas 10 minutos, autonomia de 220 km e nova bateria inspirada nos automóveis da marca para revolucionar o transporte de cargas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 17/05/2026 às 20:04
Atualizado em 17/05/2026 às 20:08
BYD testa caminhões elétricos pesados no Brasil com autonomia de 220 km e recarga em 10 minutos na fábrica da Bahia.
BYD testa caminhões elétricos pesados no Brasil com autonomia de 220 km e recarga em 10 minutos na fábrica da Bahia.
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Expansão da BYD no transporte pesado elétrico já começou no Brasil com testes internos na Bahia, novos caminhões em desenvolvimento e tecnologias de recarga ultrarrápida que podem reduzir paradas operacionais e ampliar o uso de veículos elétricos em rotas de carga urbana e média distância.

A BYD já testa dez cavalos mecânicos elétricos pesados 6×2 no Brasil em uma operação realizada dentro da fábrica de Camaçari, na Bahia, movimento que antecipa os planos da montadora chinesa para ampliar presença no transporte rodoviário de cargas e acelerar sua entrada no segmento de veículos pesados eletrificados.

Revelada pela Agência Transporte Moderno, a iniciativa mostra que a empresa começou a avançar além dos ônibus e dos caminhões leves e médios, apostando em um mercado considerado mais complexo devido às exigências de autonomia, capacidade operacional e infraestrutura de recarga.

Ainda em fase de validação, os veículos não possuem previsão oficial de lançamento comercial no país.

De acordo com Bruno Paiva, diretor de vendas de caminhões e chassis de ônibus da BYD, os modelos são utilizados atualmente na movimentação interna de cargas dentro da unidade baiana, sem adaptação definitiva às necessidades específicas do mercado brasileiro.

Ao escolher a configuração 6×2, a montadora passa a atuar em uma das áreas mais desafiadoras da eletrificação, já que caminhões pesados exigem baterias maiores, elevada robustez operacional e uma estrutura de recarga preparada para reduzir o tempo de parada durante as operações logísticas.

Nesse contexto, os testes funcionam como uma espécie de laboratório operacional para avaliar desempenho, autonomia e viabilidade prática em aplicações reais, enquanto a companhia redefine prioridades e amplia gradualmente o foco no transporte de cargas.

Depois de consolidar presença no segmento de ônibus elétricos em cidades como São Paulo, Salvador, Goiânia e São José dos Campos, a BYD passou a direcionar mais atenção ao mercado de caminhões, considerado estratégico para os próximos anos.

BYD testa caminhões elétricos pesados no Brasil com autonomia de 220 km e recarga em 10 minutos na fábrica da Bahia.
BYD testa caminhões elétricos pesados no Brasil com autonomia de 220 km e recarga em 10 minutos na fábrica da Bahia.

“Agora chegou a hora do caminhão”, afirmou Paiva à Transporte Moderno.

Segundo o executivo, a estratégia foi definida por etapas porque a companhia não poderia avançar com a mesma intensidade em todos os segmentos ao mesmo tempo.

Primeiro, a prioridade ficou nos ônibus elétricos; agora, a aposta passa pelos caminhões, em um mercado que ainda busca escala e previsibilidade no Brasil.

Caminhões elétricos da BYD avançam no transporte de cargas

Hoje, a linha de caminhões da BYD disponível no Brasil permanece concentrada nos segmentos leve e médio, com modelos voltados principalmente à distribuição urbana e operações de última milha realizadas em trajetos com retorno diário às bases logísticas.

Nessas aplicações, a autonomia próxima de 220 quilômetros atende demandas urbanas e regionais com menor necessidade de recarga ao longo do dia, característica considerada essencial para empresas que trabalham com rotas programadas e alta previsibilidade operacional.

A próxima etapa da estratégia prevê a ampliação dessas operações para trajetos de média distância, incluindo rotas entre fábricas, centros de distribuição e polos logísticos regionais que exigem maior autonomia e disponibilidade contínua dos veículos.

Para que esse avanço ocorra de forma competitiva, será necessário ampliar a eficiência das baterias, expandir a infraestrutura de carregamento e reduzir significativamente o tempo de recarga, ponto considerado decisivo por transportadoras que operam com janelas rígidas de entrega.

Nesse cenário, a possível adoção de tecnologias derivadas dos automóveis da BYD aparece como ponto central da estratégia.

A companhia apresentou, em 2026, uma nova geração da bateria Blade e sistemas de carregamento ultrarrápido, com recarga de 10% a 70% em cinco minutos em aplicações automotivas específicas.

Para caminhões, a expectativa citada pela Transporte Moderno é que futuros modelos possam usar sistemas capazes de reduzir a recarga para cerca de dez minutos.

Caso avance para veículos pesados, essa solução pode alterar a operação de frotas elétricas, principalmente em rotas com alta utilização diária.

Novo caminhão T75 e atualização da linha BYD

Nos caminhões já conhecidos, a BYD prepara uma reorganização do portfólio brasileiro.

O T5 será substituído pelo T75, que já tem pedidos abertos e previsão de entregas no segundo semestre de 2026, conforme informou a Transporte Moderno.

Os modelos T18 e T23, por sua vez, devem receber atualizações a partir de 2027.

A empresa também planeja entrar no nicho de veículos de 3,5 toneladas, voltados à distribuição urbana, faixa em que pretende competir com modelos tradicionais usados por empresas de entrega e pequenos operadores logísticos.

Apesar dos planos, os volumes ainda são modestos.

A BYD vendeu cerca de 60 unidades do T18 no Brasil, enquanto os demais modelos ainda não alcançaram números expressivos.

Para Paiva, o mercado não estava maduro quando a marca chegou, mas agora começa a mostrar sinais de evolução.

A entrada em caminhões pesados, portanto, não deve ocorrer de forma imediata.

A montadora avalia produto, aplicação, custo operacional e aceitação dos clientes antes de definir um lançamento comercial, especialmente em um segmento em que o preço inicial ainda pesa na decisão de compra.

Fábrica da BYD na Bahia fortalece operação brasileira

Os testes com os cavalos mecânicos elétricos acontecem em Camaçari, cidade baiana onde a BYD instalou sua fábrica brasileira no antigo complexo industrial que pertenceu à Ford durante décadas.

Inaugurada oficialmente em outubro de 2025, a unidade iniciou a montagem de veículos eletrificados com capacidade inicial anunciada de 150 mil unidades anuais, consolidando a estratégia da companhia de ampliar a nacionalização de parte da operação brasileira.

A produção local é parte importante da estratégia porque o custo de importação afeta diretamente a competitividade dos elétricos.

O imposto de importação para veículos eletrificados foi retomado de forma gradual no Brasil e chega a 35% em julho de 2026 para automóveis elétricos, híbridos e híbridos plug-in importados.

No caso dos caminhões, a previsibilidade tributária e a escala de demanda seguem como fatores decisivos para uma eventual fábrica dedicada.

A BYD ainda estuda produzir caminhões no país, mas afirma que a decisão depende de mercado consistente e volume suficiente para justificar o investimento.

Concorrência chinesa acelera disputa por caminhões elétricos

A concorrência no segmento de caminhões elétricos deve ganhar intensidade no Brasil com o avanço de outras fabricantes chinesas, entre elas Foton, Sany e XCMG, que também buscam espaço em um mercado ainda considerado inicial.

Mais do que preços competitivos, a disputa deve envolver fatores como autonomia, capacidade de carga, disponibilidade de peças, qualidade da assistência técnica e confiança no pós-venda, elementos considerados decisivos para operadores logísticos e grandes frotistas.

Para frotistas, a eletrificação não depende apenas do veículo.

O custo total de operação, a vida útil da bateria, o tempo parado para recarga e a rede de suporte pesam tanto quanto o valor de aquisição.

Por isso, fabricantes que conseguirem oferecer estrutura completa devem ter vantagem nos próximos anos.

A BYD tenta usar a experiência acumulada com ônibus elétricos e automóveis para ganhar espaço nesse novo segmento.

Ainda assim, o mercado brasileiro de pesados elétricos permanece em fase inicial, com poucas unidades em circulação e aplicações mais concentradas em operações controladas.

Paiva resume o momento como uma etapa de observação e consolidação.

“Estamos vendo a foto agora, mas o filme ainda vai rodar. Nos próximos cinco anos vamos entender quais produtos vão se consolidar”, afirmou o executivo.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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