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Adeus, Citroën! Marca que ficou conhecida por carros problemáticos e ‘bomba’ no Brasil ensaia despedida do país após vendas decepcionantes e dona (Stellantis) priorizar Fiat Fastback, novo Argo e Jeep Avenger no mercado brasileiro

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 25/05/2026 às 12:36
Atualizado em 25/05/2026 às 13:07
Citroën pode deixar o Brasil após vendas fracas, enquanto Stellantis prioriza Fiat, Jeep Avenger e investimento bilionário.
Citroën pode deixar o Brasil após vendas fracas, enquanto Stellantis prioriza Fiat, Jeep Avenger e investimento bilionário.
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Estratégia global do grupo Stellantis redefine o papel de cada marca dentro do conglomerado, e o posicionamento da Citroën no mercado brasileiro enfrenta questionamentos internos diante da sobreposição crescente com os produtos da Fiat e da ausência de perspectivas claras de novos lançamentos para o país.

A Citroën pode encerrar suas operações no Brasil em um futuro próximo, segundo informações apuradas pelo Jornal do Carro junto a fontes ligadas à Stellantis, incluindo ao menos uma próxima à tomada de decisão da empresa, que apontam que o encerramento das atividades da marca francesa no país é o caminho atualmente em discussão dentro do conglomerado automotivo.

O movimento integra o novo plano estratégico da Stellantis, anunciado pelo CEO global Antonio Filosa, que representa a maior reestruturação do portfólio de marcas do grupo desde sua fundação em 2021, com a proposta de concentrar os investimentos nas marcas com maior escala e potencial de lucratividade — Jeep, Ram, Peugeot e Fiat — e redefinir a atuação das demais como marcas de escopo regional.

O plano prevê um investimento de R$ 350 bilhões até 2030 para o lançamento de 60 novos modelos globalmente, com 70% dos recursos destinados às marcas consideradas pilares globais do grupo e apenas 30% para as denominadas de atuação regional — categoria em que se enquadram Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo, de acordo com a nova classificação adotada pela companhia em sua reestruturação estratégica.

A Stellantis respondeu às especulações com um comunicado oficial afirmando que a “Citroën segue como parte relevante da estratégia da companhia no Brasil e América do Sul”, acrescentando que a marca se beneficiará de plataformas, powertrains e tecnologias compartilhadas globalmente, além de contar com uma recente reformulação de portfólio que reforça seu posicionamento com produtos espaçosos, confortáveis e adequados ao consumidor local.

No entanto, um detalhe da apresentação do CEO para a América do Sul, Herlander Zola, chamou a atenção dos analistas do setor: ao detalhar os planos para o futuro da região, o executivo mencionou apenas as marcas Fiat, Ram, Jeep, Leapmotor e Peugeot, sem incluir a Citroën nas perspectivas estratégicas, ainda que a marca tenha sido citada brevemente no balanço de resultados de 2025.

Fontes ligadas ao grupo que preferiram não se identificar afirmaram que o portfólio atual da Citroën não faria sentido para o mercado brasileiro, pois, apesar de relativamente novo, os modelos da marca francesa — C3, Basalt e Aircross — terão grande sobreposição com os próximos lançamentos da Fiat, incluindo os novos Argo e Fastback e um SUV inédito de sete lugares, todos baseados nas mesmas plataformas e com propostas similares.

Sobreposição com a Fiat e a lógica da rentabilidade

A sobreposição entre os portfólios da Citroën e da Fiat é apontada pelas fontes como um dos principais argumentos contrários à manutenção da marca francesa no mercado brasileiro, já que ambas disputariam os mesmos consumidores com produtos de proposta semelhante, reduzindo a eficiência do grupo e criando uma concorrência interna que prejudica a rentabilidade das duas marcas simultaneamente.

A retomada pela Fiat do projeto do novo Mobi, antecipada pelo site AutoPapo, tornaria ainda mais difícil a sobrevivência do C3 no mercado brasileiro, já que o modelo da Fiat atuaria diretamente no mesmo segmento de entrada em que o compacto francês se posiciona, eliminando o espaço que a Citroën poderia ocupar dentro do próprio grupo para justificar sua existência no país.

A estratégia global definida pela Stellantis para a Citroën aponta para um foco em SUVs eletrificados e no modelo acessível que resgata o nome histórico 2CV, uma orientação que, segundo as fontes, não teria tração no mercado brasileiro, que deverá ser abastecido em eletrificados pela Leapmotor, pela Fiat e pela Jeep, com propostas comercialmente mais adequadas ao perfil do consumidor nacional.

Nesse cenário, a Citroën se transformaria em uma espécie de laboratório de produtos de entrada dentro do grupo, enquanto a Fiat assumiria a função de escala, por possuir a rede de concessionárias mais capilar do Brasil, dominar as vendas diretas, ter presença consolidada em frotistas, maior valor residual dos veículos usados e uma imagem mais resiliente junto ao consumidor brasileiro ao longo do tempo.

Estagnação de vendas e inquietação entre os concessionários

Mesmo após a renovação completa de seu portfólio com os lançamentos de C3, Basalt e Aircross, a Citroën não conseguiu alavancar suas vendas de forma expressiva no Brasil, e o que foi seu melhor resultado desde 2014 — com 39.890 licenciamentos em 2025 — foi alcançado à custa de descontos agressivos e de um volume expressivo de vendas diretas, que representaram 32.200 unidades do total registrado no período.

A necessidade de sacrificar margens para atingir os números de venda é vista internamente como uma demonstração de que a marca não consegue se sustentar comercialmente no mercado brasileiro sem subsídios e abatimentos que comprimem a rentabilidade, cenário incompatível com a nova lógica pragmática adotada pela Stellantis sob a gestão de Antonio Filosa, que prioriza o retorno sobre o investimento acima do volume de emplacamentos.

O efeito da incerteza sobre o futuro da Citroën no Brasil já se faz sentir na rede de concessionários, com parte deles buscando alternativas dentro do próprio grupo Stellantis, especialmente na Leapmotor, que chega ao mercado com apoio direto da companhia, portfólio de veículos elétricos acessíveis, prioridade estratégica clara e perspectivas de crescimento que a Citroën não consegue mais oferecer aos seus parceiros comerciais.

Um plano de “hibernação” das concessionárias permite que lojistas suspendam suas operações por até três anos mantendo a concessão ativa, podendo utilizar o espaço para outros negócios enquanto aguardam uma definição sobre o futuro da marca, mecanismo que serve como válvula de escape para uma rede que já não enxerga previsibilidade suficiente na operação sob a bandeira da Citroën no Brasil.

O futuro da Citroën no Brasil permanece, portanto, dependente das decisões estratégicas que a Stellantis tomará nos próximos meses, em um contexto em que a lógica de concentração de recursos em marcas com maior escala e retorno tende a favorecer Fiat, Jeep, Peugeot e Ram em detrimento das marcas com atuação mais regional e menor capacidade de gerar valor dentro da estrutura do conglomerado automotivo.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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