Fabricante dos tradicionais Goldbears encerrou a produção em Bauru, mas pretende continuar vendendo no mercado brasileiro. Nos Estados Unidos, a empresa mantém a fábrica inaugurada em Wisconsin e anunciou neste ano uma nova etapa de crescimento, com as primeiras lojas próprias no país.
A Haribo encerrou a produção de sua única fábrica no Brasil depois de aproximadamente dez anos de atividade em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade deixou de fabricar doces em julho deste ano, três meses após a empresa anunciar o fechamento.
A decisão atingiu 154 funcionários diretos, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bauru e Região à 94 FM de Bauru. A própria companhia havia indicado um quadro de aproximadamente 150 trabalhadores na operação.
-
Entregador leva pedido de apenas RM 14,50 para idosa, descobre que ela dividiria a comida com o neto, devolve RM 10 e dias depois retorna com alimentos e doações após história comover a Malásia
-
Jovem boceja, desloca a mandíbula e precisa ser levado de ambulância para outro hospital em Brasília após primeira unidade não ter especialista para recolocar a articulação no lugar
-
Geladeiras, máquinas de lavar e fogões a partir de R$ 291: em crise, Casas Bahia põe 130 lotes em leilão com até 68% de desconto, mas vende itens sem garantia e devolução
-
Carro que vira barco: Renault lança super motor 2.0 turbo capaz de funcionar debaixo d’água, é ultraeconômico, o B20 suporta imersão de até 1,1 metro, pesa 130 kg e já equipa SUV híbrido na China
Profissionais terceirizados ligados a atividades como limpeza, segurança e portaria também estavam sujeitos aos efeitos do encerramento. Em períodos anteriores, a fábrica chegou a manter cerca de 350 empregados, antes da redução gradual da atividade industrial e do quadro de pessoal.
Produção brasileira começou em 2016
A fábrica de Bauru entrou em operação em 2016 como parte da expansão internacional da fabricante alemã. Além de abastecer consumidores brasileiros, a unidade participou de operações de exportação e chegou a produzir itens destinados ao mercado dos Estados Unidos.
Esse cenário era diferente em 2018, quando a operação brasileira ainda aparecia associada a planos de expansão e aumento da produção. Nos anos seguintes, porém, o ritmo da unidade diminuiu, e representantes dos trabalhadores relataram preocupação com a redução da atividade durante 2025.
Ao anunciar o fechamento em abril deste ano, a Haribo relacionou a decisão à competitividade da operação, ao ambiente de negócios e à sustentabilidade da fábrica no longo prazo. A companhia também citou fatores externos, sem apresentar uma causa única para explicar o encerramento.
Por isso, não há base para atribuir o fechamento exclusivamente a impostos, custos trabalhistas, câmbio ou a uma decisão específica do governo brasileiro. O fato confirmado é que a empresa concluiu que a estrutura industrial de Bauru não se encaixava mais nas condições consideradas necessárias para a continuidade da produção.
O encerramento da fábrica também não significou a saída anunciada da Haribo do mercado brasileiro. A companhia informou que pretende continuar comercializando seus produtos no país e que avaliava alternativas para manter um modelo de operação comercial sustentável e competitivo após o fim da fabricação local.
Fábrica de US$ 300 milhões segue nos Estados Unidos
Enquanto a produção brasileira foi descontinuada, a Haribo manteve nos Estados Unidos uma estrutura industrial inaugurada antes do fechamento de Bauru. Sua primeira fábrica própria na América do Norte começou a operar em Pleasant Prairie, no estado de Wisconsin, em 2023.
No comunicado oficial sobre a inauguração da unidade, a empresa informou investimento de aproximadamente US$ 300 milhões. Na ocasião, classificou o projeto como o maior investimento individual realizado em sua história até aquele momento.
A fábrica norte-americana foi planejada para receber expansões em etapas, com possibilidade de incorporar equipamentos, tecnologias, novas linhas e capacidade adicional. Desde a apresentação do projeto, a companhia vinculou a instalação ao crescimento de sua operação no mercado dos Estados Unidos.
A diferença de cronologia é importante porque não há indicação de que a fábrica brasileira tenha sido simplesmente transferida para Wisconsin. A unidade norte-americana começou a produzir em 2023, três anos antes do encerramento em Bauru, e não houve anúncio de transferência de máquinas, linhas produtivas ou funcionários entre os dois países.
Também não é correto afirmar que a fábrica norte-americana assumirá automaticamente todo o abastecimento do Brasil. O material divulgado pela empresa sobre Wisconsin apresentou a unidade principalmente como parte da estrutura destinada ao mercado dos Estados Unidos.
Expansão inclui primeiras lojas próprias
Em agosto deste ano, a Haribo anunciou uma nova etapa de crescimento nos Estados Unidos. Os planos incluem investimentos ligados à inovação, maior aproximação com consumidores e a abertura das primeiras lojas próprias da marca no país.
Entre os locais previstos estão o Woodbury Common Premium Outlets, no estado de Nova York, e o Wrentham Village Premium Outlets, em Massachusetts. A proposta inclui produtos sazonais, itens exclusivos e opções de escolha personalizada de doces nesses pontos de venda.
Os movimentos nos dois mercados, portanto, ocorreram paralelamente: a empresa encerrou sua estrutura de produção no Brasil enquanto manteve em funcionamento a fábrica de Wisconsin e avançou com iniciativas comerciais nos Estados Unidos. Não há anúncio que estabeleça uma transferência direta da operação brasileira para a norte-americana.
Fundada em 1920 por Hans Riegel, em Bonn, na Alemanha, a Haribo tornou os Goldbears seu produto mais conhecido internacionalmente. O nome da companhia combina referências ao fundador e à cidade de origem: Hans Riegel Bonn.
No Brasil, a marca poderá continuar nas prateleiras mesmo sem produção nacional, inicialmente com estoques e depois com itens fabricados no exterior. A Haribo ainda não informou oficialmente qual fábrica ficará responsável de forma permanente pelo abastecimento destinado ao mercado brasileiro.

