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Adeus, Brasil: Gigante mundial dos doces fecha única fábrica brasileira após 10 anos, atinge 154 funcionários e mantém nos Estados Unidos uma unidade de US$ 300 milhões, além de novos planos de expansão

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 09/09/2026 às 08:35 Atualizado em 09/09/2026 às 08:51
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Fabricante dos tradicionais Goldbears encerrou a produção em Bauru, mas pretende continuar vendendo no mercado brasileiro. Nos Estados Unidos, a empresa mantém a fábrica inaugurada em Wisconsin e anunciou neste ano uma nova etapa de crescimento, com as primeiras lojas próprias no país.

A Haribo encerrou a produção de sua única fábrica no Brasil depois de aproximadamente dez anos de atividade em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade deixou de fabricar doces em julho deste ano, três meses após a empresa anunciar o fechamento.

A decisão atingiu 154 funcionários diretos, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bauru e Região à 94 FM de Bauru. A própria companhia havia indicado um quadro de aproximadamente 150 trabalhadores na operação.

Profissionais terceirizados ligados a atividades como limpeza, segurança e portaria também estavam sujeitos aos efeitos do encerramento. Em períodos anteriores, a fábrica chegou a manter cerca de 350 empregados, antes da redução gradual da atividade industrial e do quadro de pessoal.

Produção brasileira começou em 2016

A fábrica de Bauru entrou em operação em 2016 como parte da expansão internacional da fabricante alemã. Além de abastecer consumidores brasileiros, a unidade participou de operações de exportação e chegou a produzir itens destinados ao mercado dos Estados Unidos.

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Esse cenário era diferente em 2018, quando a operação brasileira ainda aparecia associada a planos de expansão e aumento da produção. Nos anos seguintes, porém, o ritmo da unidade diminuiu, e representantes dos trabalhadores relataram preocupação com a redução da atividade durante 2025.

Ao anunciar o fechamento em abril deste ano, a Haribo relacionou a decisão à competitividade da operação, ao ambiente de negócios e à sustentabilidade da fábrica no longo prazo. A companhia também citou fatores externos, sem apresentar uma causa única para explicar o encerramento.

Por isso, não há base para atribuir o fechamento exclusivamente a impostos, custos trabalhistas, câmbio ou a uma decisão específica do governo brasileiro. O fato confirmado é que a empresa concluiu que a estrutura industrial de Bauru não se encaixava mais nas condições consideradas necessárias para a continuidade da produção.

O encerramento da fábrica também não significou a saída anunciada da Haribo do mercado brasileiro. A companhia informou que pretende continuar comercializando seus produtos no país e que avaliava alternativas para manter um modelo de operação comercial sustentável e competitivo após o fim da fabricação local.

Fábrica de US$ 300 milhões segue nos Estados Unidos

Enquanto a produção brasileira foi descontinuada, a Haribo manteve nos Estados Unidos uma estrutura industrial inaugurada antes do fechamento de Bauru. Sua primeira fábrica própria na América do Norte começou a operar em Pleasant Prairie, no estado de Wisconsin, em 2023.

No comunicado oficial sobre a inauguração da unidade, a empresa informou investimento de aproximadamente US$ 300 milhões. Na ocasião, classificou o projeto como o maior investimento individual realizado em sua história até aquele momento.

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A fábrica norte-americana foi planejada para receber expansões em etapas, com possibilidade de incorporar equipamentos, tecnologias, novas linhas e capacidade adicional. Desde a apresentação do projeto, a companhia vinculou a instalação ao crescimento de sua operação no mercado dos Estados Unidos.

A diferença de cronologia é importante porque não há indicação de que a fábrica brasileira tenha sido simplesmente transferida para Wisconsin. A unidade norte-americana começou a produzir em 2023, três anos antes do encerramento em Bauru, e não houve anúncio de transferência de máquinas, linhas produtivas ou funcionários entre os dois países.

Também não é correto afirmar que a fábrica norte-americana assumirá automaticamente todo o abastecimento do Brasil. O material divulgado pela empresa sobre Wisconsin apresentou a unidade principalmente como parte da estrutura destinada ao mercado dos Estados Unidos.

Expansão inclui primeiras lojas próprias

Em agosto deste ano, a Haribo anunciou uma nova etapa de crescimento nos Estados Unidos. Os planos incluem investimentos ligados à inovação, maior aproximação com consumidores e a abertura das primeiras lojas próprias da marca no país.

Entre os locais previstos estão o Woodbury Common Premium Outlets, no estado de Nova York, e o Wrentham Village Premium Outlets, em Massachusetts. A proposta inclui produtos sazonais, itens exclusivos e opções de escolha personalizada de doces nesses pontos de venda.

Os movimentos nos dois mercados, portanto, ocorreram paralelamente: a empresa encerrou sua estrutura de produção no Brasil enquanto manteve em funcionamento a fábrica de Wisconsin e avançou com iniciativas comerciais nos Estados Unidos. Não há anúncio que estabeleça uma transferência direta da operação brasileira para a norte-americana.

Fundada em 1920 por Hans Riegel, em Bonn, na Alemanha, a Haribo tornou os Goldbears seu produto mais conhecido internacionalmente. O nome da companhia combina referências ao fundador e à cidade de origem: Hans Riegel Bonn.

No Brasil, a marca poderá continuar nas prateleiras mesmo sem produção nacional, inicialmente com estoques e depois com itens fabricados no exterior. A Haribo ainda não informou oficialmente qual fábrica ficará responsável de forma permanente pelo abastecimento destinado ao mercado brasileiro.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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