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A última loucura de Elon Musk: uma enorme planta fotovoltaica no espaço, de 160 x 160 km, que seria suficiente para atender à demanda de energia dos EUA

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 17/11/2025 às 18:37
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Elon Musk voltou a provocar o debate sobre o futuro energético dos Estados Unidos ao defender que todo o consumo do país poderia ser suprido apenas com energia solar. Para o empresário, não há mistério: já temos um reator de fusão funcionando gratuitamente há bilhões de anos, brilhando sobre nossas cabeças. Basta aproveitar melhor o Sol. Durante uma conversa no podcast The Joe Rogan Experience, o CEO da Tesla e da SpaceX afirmou que uma gigantesca instalação fotovoltaica de aproximadamente 160 por 160 quilômetros seria suficiente para cobrir toda a demanda energética norte-americana.

A frase tem o impacto típico das declarações de Musk, mas não é apenas provocação. Embora pareça grandiosa, a proposta se encaixa em um movimento global muito mais amplo, que envolve desde megaprojetos solares em terra até pesquisas sérias sobre a conversão de energia no espaço.

A superplanta que poderia alimentar um país

Ao comentar o assunto com Joe Rogan, Musk descreveu um cenário simples: escolher uma área remota, ocupar cerca de 25.600 km² com painéis solares e enviar essa energia para todo o país com apoio de sistemas de armazenamento. A afirmação deixou o apresentador intrigado, que chegou a perguntar se era realmente possível abastecer os EUA inteiros a partir de um único ponto. Musk foi direto ao responder:

“Absolutamente. Seria necessário um grande conjunto de baterias, mas funciona. Temos um reator de fusão gigante no céu.”

A visão do empresário não surge do nada. Faz parte de uma filosofia que ele defende há anos, e que vai muito além das palavras. A Tesla, por exemplo, já transformou o armazenamento de energia em um pilar central do negócio, com linhas como Powerwall e Powerpack, pensadas justamente para garantir autonomia energética a residências, indústrias e cidades.

Projeções da Agência Espacial Europeia indicam que sistemas de captação solar em órbita poderiam gerar até dez vezes mais energia do que instalações no solo, abrindo caminho para futuras redes elétricas globais baseadas no espaço

A estratégia solar da Tesla e o crescimento explosivo do setor

Em 2016, Musk consolidou de vez a entrada da Tesla no setor ao adquirir a SolarCity por cerca de US$ 2,6 bilhões. Desde então, a empresa tornou-se um dos nomes mais influentes em soluções integradas que combinam painéis solares, baterias e sistemas inteligentes de distribuição.

E o momento não poderia ser mais favorável para esse tipo de expansão. Segundo projeções da Solar Energy Industries Association e da Wood Mackenzie, os Estados Unidos devem instalar 32 GW de nova capacidade solar apenas neste ano, um salto de 53% em relação a 2022. Até 2028, a estimativa é que o país ultrapasse 375 GW de capacidade operacional. A Europa segue ritmo semelhante, indicando uma transformação global em andamento.

Megaprojetos e a ambição de captar energia fora da Terra

A ideia de Musk não é a mais futurista da lista. Enquanto ele defende uma superplanta fotovoltaica instalada em solo americano, outras agências estudam algo ainda mais ousado: gerar energia solar diretamente no espaço.

A Agência Espacial Europeia (ESA) trabalha há anos com a hipótese de desenvolver sistemas SBSP (Space-Based Solar Power). Na prática, isso significaria utilizar enormes satélites em órbita geoestacionária para captar luz solar sem interferência atmosférica ou climática. Essa energia seria convertida em micro-ondas de baixa densidade e enviada para gigantescas antenas receptoras na Terra.

Parece ficção científica, mas o projeto está sendo levado a sério. A iniciativa SOLARIS, da ESA, foi criada justamente para medir a viabilidade técnica e econômica dessa abordagem. Os desafios são enormes: montagem de estruturas colossais no espaço, desenvolvimento de antenas terrestres gigantes e estudos sobre o impacto ambiental das micro-ondas.

A JAXA, agência espacial japonesa, também pesquisa o tema há décadas. Nos anos 1990, a antecessora da JAXA chegou a projetar o SPS2000, um sistema de 10.000 kW. Já nos anos 2000, o Japão propôs um módulo conceitual de 1 milhão de kW, mantendo vivo o interesse nesse tipo de tecnologia.

NASA e China também investigam soluções semelhantes. Em 2024, a NASA confirmou estudos internos sobre a viabilidade da SPS, destacando que avanços tecnológicos recentes podem tornar esses sistemas economicamente atraentes no futuro próximo.

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A corrida por megausinas solares aqui na Terra

Enquanto o espaço ainda é um objetivo distante, países como a China já constroem instalações gigantescas em território nacional. Um dos exemplos mais ambiciosos fica na Mongólia Interior, onde 196 mil painéis ocupam 1,4 milhão de metros quadrados, formando a maior estação solar já instalada em um deserto.

A Tesla também participa de projetos de grande porte nos EUA e em outros países, reforçando a ideia de que o setor vive uma fase de expansão acelerada.

Quando a ficção científica inspira a ciência real

Nenhum megaprojeto solar supera o conceito da Esfera de Dyson, proposto pelo físico Freeman Dyson nos anos 1960. A ideia consistia em construir uma estrutura que envolveria completamente uma estrela — no caso, o Sol — capturando praticamente toda sua energia. Hoje, a esfera é referência em discussões sobre civilizações avançadas e inspirou inúmeros estudos teóricos.

A comparação serve apenas para dimensionar o tamanho da ambição humana quando o assunto é energia. Entre uma superplanta de 160 km e a construção de estruturas orbitais, o que Musk propõe parece até modesto.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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