Um petroleiro russo carregando 730 mil barris de petróleo bruto atracou em Cuba após três meses de bloqueio energético dos EUA, e a Rússia já carrega um segundo navio enquanto Trump minimiza o envio e diz que Cuba está “acabada”, dias depois de ter declarado que a ilha seria o próximo alvo dos Estados Unidos após a guerra com o Irã.
O petróleo voltou a Cuba depois de três meses de desabastecimento. Na terça-feira (1º de abril), o petroleiro russo Anatoly Kolodkin atracou no terminal de Matanzas carregando cerca de 730 mil barris de petróleo bruto o primeiro grande carregamento de petróleo a chegar à ilha desde que os Estados Unidos impuseram um bloqueio energético após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela em janeiro. A chegada do petróleo foi recebida com alívio por autoridades cubanas e acompanhada por pescadores no porto, enquanto jornalistas de todo o mundo cobriam um evento incomum: o abastecimento de petróleo como notícia global.
Mas o primeiro carregamento de petróleo é apenas o começo. Nesta quinta-feira (2), o ministro da Energia russo, Sergei Tsivilev, confirmou que um segundo navio de petróleo já está sendo carregado em um porto russo e será enviado em breve para Cuba. “Um navio russo rompeu o bloqueio. De acordo com o portal do G1, agora o segundo está sendo carregado. Não abandonaremos os cubanos”, declarou Tsivilev durante um fórum de energia em Kazan. O envio de petróleo ocorre em meio a ameaças de Trump contra Cuba que dias antes disse que a ilha seria “a próxima” após a guerra contra o Irã.
Como o bloqueio de petróleo dos EUA mergulhou Cuba em apagões diários e crise humanitária
Cuba dependia do petróleo venezuelano para manter seu sistema elétrico funcionando. Quando os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro em janeiro de 2026 e forçaram a Venezuela a suspender os envios de petróleo, Cuba ficou sem sua principal fonte de combustível.
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Trump foi além: ameaçou impor tarifas a qualquer país que vendesse ou fornecesse petróleo à ilha, o que fez o México também suspender seus envios. O resultado foi um bloqueio energético que durou três meses.
Sem petróleo, Cuba entrou em colapso. Apagões diários se tornaram rotina, a gasolina passou a ser rigidamente racionada, serviços de saúde foram comprometidos, aulas foram canceladas e a economia praticamente parou. Cuba precisa de cerca de 100 mil barris de petróleo por dia para funcionar, dos quais apenas 40 mil vêm da produção nacional.
O restante depende de importação e por 90 dias nenhum grande carregamento de petróleo conseguiu chegar à ilha.
O petroleiro russo que rompeu o bloqueio: 730 mil barris de petróleo e uma mensagem geopolítica
O petroleiro Anatoly Kolodkin partiu do porto de Primorsk, no Mar Báltico, carregando 100 mil toneladas métricas de petróleo bruto equivalente a cerca de 730 mil barris.
O navio pertence à estatal russa Sovcomflot e está incluído em listas de sanções dos EUA, da União Europeia e do Reino Unido por causa da guerra na Ucrânia. Ainda assim, o governo Trump permitiu que o navio de petróleo atracasse em Cuba uma decisão que gerou perplexidade entre aliados e analistas.
O vice-chanceler cubano Carlos Fernández de Cossío resumiu a situação: “A chegada de um petroleiro a um país provavelmente nunca gerou tanta notícia como o russo a Cuba é um sinal do brutal cerco que os cubanos enfrentam.”
O ministro cubano de Energia, Vicente de la O Levy, agradeceu publicamente à Rússia pelo petróleo, classificando o envio como “uma carga valiosa que chega em meio à complexa situação energética”. Os 730 mil barris de petróleo devem abastecer as usinas elétricas de Cuba por pelo menos uma semana.
Trump diz que Cuba está “acabada” e que a ilha é o próximo alvo dos EUA
A postura de Trump em relação ao petróleo para Cuba oscilou em questão de dias. Em janeiro, o presidente americano escreveu em letras garrafais nas redes sociais: “NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO OU DINHEIRO INDO PARA CUBA ZERO!” Dias antes da chegada do navio russo, Trump declarou que Cuba seria “a próxima” depois que a guerra contra o Irã fosse finalizada uma ameaça que o secretário de Estado Marco Rubio reforçou ao afirmar que a Casa Branca deseja “novos líderes” em Cuba.
Mas quando o petroleiro russo se aproximou de Cuba, Trump mudou o tom. “Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, não tenho problema nenhum com isso, seja a Rússia ou não”, disse o presidente a bordo do Air Force One.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os EUA avaliarão os envios de petróleo “caso a caso” por motivos humanitários, mas sem mudança formal na política de sanções. O próprio Trump minimizou a chegada do petróleo: “Cuba está acabada. Eles têm um regime ruim. Se chega ou não um navio de petróleo, isso não importa.”
Segundo navio de petróleo já está sendo carregado: a Rússia não pretende parar
Nesta quinta-feira (2), o ministro da Energia russo confirmou em fórum que um segundo navio de petróleo já está sendo carregado e será enviado a Cuba em breve.
A decisão foi tomada após uma reunião em São Petersburgo com representantes cubanos, e Tsivilev deixou claro que a Rússia não pretende abandonar seu aliado histórico. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a situação “desesperadora” de Cuba não deixa a Rússia indiferente e que Moscou vai “continuar trabalhando nisso”.
Os envios de petróleo russo a Cuba não são apenas uma questão humanitária são uma mensagem geopolítica.
A Rússia demonstra que pode projetar influência no Caribe, a poucas centenas de quilômetros dos EUA, ao mesmo tempo em que ignora a pressão americana por um cessar-fogo na Ucrânia e fornece inteligência a adversários americanos no Oriente Médio. O petróleo para Cuba é, nesse contexto, tanto combustível quanto provocação.
Petróleo russo em Cuba: alívio temporário em uma crise sem solução à vista
Os 730 mil barris de petróleo que chegaram a Cuba na terça-feira dão à ilha cerca de uma semana de fôlego.
Um segundo navio de petróleo está a caminho, mas Cuba precisa de 100 mil barris por dia e ninguém sabe quantos envios a Rússia vai conseguir ou querer manter, nem até quando Trump vai permitir que os navios passem.
O petróleo chegou, mas a crise continua. O bloqueio não foi oficialmente suspenso, as ameaças de Trump contra Cuba permanecem, e a ilha segue presa entre o alívio de um petroleiro russo e a incerteza de um futuro que depende da vontade de dois presidentes que jogam xadrez geopolítico sobre um país sem luz.
Você acha que o envio de petróleo russo a Cuba é gesto humanitário ou jogada geopolítica? E o que pensa sobre Trump permitir o navio russo enquanto mantém o bloqueio contra outros países? Deixe sua opinião nos comentários.
