Projeto prevê túnel de 8,7 quilômetros sob a cordilheira Pir Panjal, barragem de 19 metros e transferência de água para reforçar geração hidrelétrica, segurança hídrica e abastecimento no norte da Índia em áreas estratégicas regionais
A Índia avançou nos preparativos para construir um túnel de desvio de água com 8,7 quilômetros de extensão através da cordilheira Pir Panjal, no estado de Himachal Pradesh. Avaliado em aproximadamente ₹ 2.352,17 crore, o equivalente a 23,52 bilhões de rúpias, o projeto pretende ligar as bacias dos rios Chenab e Beas.
Conhecido como Chenab–Beas Link Tunnel Project, o empreendimento será implantado nas proximidades de Koksar, no distrito de Lahaul e Spiti, uma região montanhosa do Himalaia indiano.
O objetivo é captar parte da água considerada excedente no rio Chandra, um dos cursos d’água que formam o Chenab, e conduzi-la por baixo das montanhas até a bacia do Beas.
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Túnel atravessará a cordilheira Pir Panjal
O elemento central do projeto será um túnel hidráulico de 8,7 quilômetros, construído através da cordilheira Pir Panjal. A estrutura permitirá superar a barreira montanhosa que atualmente separa as duas bacias hidrográficas.
O ponto de captação será instalado no rio Chandra, próximo à vila de Koksar, no vale de Lahaul. O Chandra se encontra com o rio Bhaga em Tandi, formando o Chenab, um dos principais afluentes do sistema do Indo.
Depois de atravessar a montanha, a água será descarregada na bacia do Beas, cujo curso segue em direção ao vale de Kullu e posteriormente abastece importantes estruturas de geração elétrica e distribuição hídrica no norte da Índia.
Obra terá barragem, estruturas de captação e sistema de descarga
O projeto não será formado apenas pelo túnel. A documentação da estatal NHPC prevê a construção de uma barragem de derivação, bacia de dissipação, estruturas para desviar temporariamente o rio durante as obras, tomada de água, saída do túnel e equipamentos hidromecânicos.
A primeira etapa inclui uma barragem com 19 metros de altura sobre o rio Chandra, perto de Koksar. Essa estrutura deverá elevar e controlar o nível da água antes de encaminhá-la para a entrada do túnel.
Também estão previstos um canal ou estrutura de descarga, acessos subterrâneos auxiliares e sistemas para reduzir a força da água na saída.
A NHPC descreve ainda a execução de uma trincheira impermeável a montante, utilizada para limitar infiltrações sob a barragem.
Projeto do túnel é estimado em mais de 23 bilhões de rúpias
O custo divulgado para o Chenab–Beas Link Tunnel é de ₹ 2.352,17 crore, ou cerca de 23,52 bilhões de rúpias. O cronograma indicado prevê quatro anos e um mês para a conclusão, contados a partir do início efetivo da execução.
A National Hydroelectric Power Corporation, conhecida como NHPC, estatal indiana especializada em energia hidrelétrica, é a empresa responsável pela condução do empreendimento.
Em julho de 2026, a página oficial da NHPC apresentava uma licitação para os trabalhos civis do projeto, incluindo a barragem, o túnel de transferência, a tomada de água, a estrutura de saída e os equipamentos associados. A abertura das propostas estava marcada para 28 de julho de 2026.
Esse estágio indica que o empreendimento ainda se encontra na fase preparatória e de contratação. Portanto, é mais preciso afirmar que a Índia iniciou os preparativos e o processo de licitação, e não que o túnel já esteja sendo escavado.
Menos de 1 MAF poderá ser retirado do sistema do Chenab
A estimativa divulgada é que o projeto desvie menos de 1 milhão de acre-pés de água por ano, unidade conhecida pela sigla MAF. Um MAF equivale a aproximadamente 1,23 bilhão de metros cúbicos.
O volume exato de transferência, entretanto, ainda não foi detalhado publicamente. O fluxo anual estimado do Chenab é de aproximadamente 35 MAF, ou cerca de 43 bilhões de metros cúbicos.
Assim, o projeto utilizaria menos de 1/35 do fluxo anual estimado do rio. A água transferida poderia reforçar a disponibilidade hídrica e energética em áreas ligadas ao sistema do Beas, incluindo Punjab, Haryana e Rajasthan.
Água poderá alimentar usinas da bacia do Beas
O projeto não prevê, pelo menos nas informações divulgadas, a construção imediata de uma nova usina de 4 mil MW junto ao túnel.
A estimativa apresentada é que a água adicional permita ampliar ou sustentar o aproveitamento de até 4 mil MW de capacidade hidrelétrica instalada ou planejada na bacia do Beas.
Portanto, o número representa o conjunto de empreendimentos potencialmente beneficiados, e não a potência de uma única usina ligada diretamente ao túnel.
O desvio poderá aumentar a disponibilidade de água especialmente em períodos de menor vazão, permitindo que instalações hidrelétricas localizadas rio abaixo operem com maior regularidade.
Projeto do túnel avançou após suspensão do Tratado das Águas do Indo
A obra ganhou importância depois de a Índia colocar em suspenso o Tratado das Águas do Indo, acordo assinado com o Paquistão em 19 de setembro de 1960.
O tratado dividiu o sistema entre os rios orientais Ravi, Beas e Sutlej, destinados ao uso da Índia, e os rios ocidentais Indo, Jhelum e Chenab, destinados principalmente ao Paquistão, embora a Índia pudesse utilizá-los de maneira limitada para consumo, irrigação e projetos hidrelétricos a fio d’água.
O governo indiano reafirmou em junho de 2026 que o tratado permaneceria suspenso. O Ministério das Relações Exteriores da Índia também confirmou que o projeto Chenab–Beas estava entre as iniciativas questionadas pelo Paquistão.
A transferência entre bacias acrescenta uma dimensão diplomática ao empreendimento, porque o Chenab pertence ao grupo dos rios ocidentais, enquanto o Beas integra os rios orientais.
Construção enfrenta desafios geológicos e ambientais
O túnel será implantado em uma área do Himalaia sujeita a movimentos de encostas, terremotos, chuvas intensas, neve e variações extremas de temperatura. A perfuração poderá encontrar rochas fraturadas, infiltrações e zonas geologicamente instáveis.
Outro ponto sensível é a alteração do fluxo entre duas bacias diferentes. A retirada de água do Chandra poderá produzir efeitos sobre habitats aquáticos e comunidades a jusante, enquanto o aumento do volume no Beas precisará ser avaliado diante do histórico recente de inundações na região.
Estudos citados pelo Indian Express apontam mudanças nos padrões de precipitação no Alto Himalaia e aumento das chuvas líquidas durante o verão.
Como a bacia do Beas já enfrentou enchentes severas durante períodos de monção, a introdução de água adicional exigirá mecanismos rigorosos de controle.
Diâmetro, empregos e início das escavações ainda não foram informados
Até 27 de julho de 2026, as fontes oficiais e jornalísticas consultadas não apresentavam de maneira verificável o diâmetro interno do túnel, sua profundidade máxima, a quantidade de trabalhadores ou o número de empregos diretos e indiretos.
Também não havia confirmação pública de que as escavações principais já tivessem começado. O dado mais seguro é que a NHPC avançou na contratação das obras civis, com processo licitatório em andamento.
As informações foram obtidas em documentos da NHPC, do governo indiano e em reportagens do Indian Express e DD News.

