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A cidade com 1,5 milhão de mortos e apenas 1.385 vivos tem cemitérios por toda parte, recebeu milhares de corpos de São Francisco e transformou túmulos em parte da rotina

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 18/07/2026 às 12:33 Atualizado em 18/07/2026 às 12:35
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Na pequena cidade americana, 16 cemitérios ocupam grande parte do território, moradores locais convivem naturalmente com túmulos e cortejos, e o lema local celebra, com humor, o fato de ainda estar vivo em Colma diariamente

Cerca de 1,5 milhão de mortos estão enterrados nos 16 cemitérios de Colma, pequena cidade de 5,7 quilômetros quadrados na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos. Com somente 1.385 moradores vivos, o município transformou os cemitérios em parte da paisagem, da história e da rotina da população.

A diferença significa que há mais de mil pessoas sepultadas para cada habitante vivo. A presença dos mortos é tão marcante que a cidade adotou o lema bem-humorado “É ótimo estar vivo em Colma!”.

Além dos 16 cemitérios destinados a pessoas, existe um 17º espaço reservado exclusivamente para animais de estimação. As áreas funerárias ocupam grande parte do território e aparecem ao redor de ruas, moradias e estabelecimentos comerciais.

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Colma cresceu após São Francisco proibir novos enterros

A região onde hoje está Colma era formada principalmente por pastagens na década de 1880. Produtores cultivavam repolhos e violetas, além de criarem porcos no território que posteriormente seria dominado por cemitérios.

A mudança começou em 1900, quando São Francisco aprovou uma lei municipal que interrompeu os enterros dentro da cidade.

A medida buscava liberar terrenos para atender uma população crescente e também respondia a preocupações sanitárias consideradas infundadas posteriormente.

Com a proibição, a indústria funerária avançou para o sul. A área de Colma ficava perto o suficiente para permitir viagens de ida e volta no mesmo dia, partindo das funerárias instaladas no bairro Mission, em São Francisco.

Centenas de milhares de corpos enterrados anteriormente em São Francisco foram exumados e transferidos.

Cemitérios como Holy Cross e Cypress Lawn chegaram a manter estações ferroviárias próprias para receber cortejos, trabalhadores e os restos mortais levados até o município.

Os cemitérios tiveram participação direta na organização política local. O primeiro conselho da cidade, então chamado de conselho de curadores, era formado por representantes de cinco cemitérios.

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Cemitérios funcionam como parte da vida cotidiana

Apesar da concentração de túmulos, os moradores não tratam os cemitérios como lugares assustadores. Para muitas famílias, esses espaços funcionam como parques, áreas de caminhada, locais de convivência e museus ao ar livre.

Owen Molloy cresceu andando de bicicleta pelas estradas sinuosas que atravessam os cemitérios. Também aprendeu a dirigir nesses caminhos e, durante a infância, brincava de pega-pega com irmãos e amigos entre lápides e túmulos.

Segundo Molloy, as crianças sabiam que não deveriam pisar sobre os pontos onde os corpos estavam enterrados.

Não havia, porém, uma relação de medo, pois os cemitérios eram simplesmente os espaços disponíveis para brincar.

Helen Fisicaro, que ocupou oito vezes o cargo de prefeita e atualmente é vice-prefeita, costuma descrever os mortos como “vizinhos muito tranquilos”.

A frase resume a convivência respeitosa mantida entre a população e os locais de sepultamento.

A cidade também organiza o “Cinema no Cemitério”, atividade que exibe filmes infantis nos gramados durante noites mais quentes do outono.

A programação utiliza áreas funerárias como espaços comunitários, sem retirar delas o caráter de respeito e memória.

A cidade com 1,5 milhão de mortos e apenas 1.385 vivos tem cemitérios por toda parte, recebeu milhares de corpos de São Francisco e transformou túmulos em parte da rotina
Imagem: Reprodução

Cortejos, piqueniques e cerimônias ocupam a paisagem

A rotina de Colma inclui longos cortejos fúnebres, salvas de tiros em cerimônias militares e fogos de artifício nos cemitérios chineses durante o Festival Qingming, conhecido como Dia da Limpeza dos Túmulos.

Algumas famílias passam horas nos cemitérios, visitando túmulos e realizando grandes piqueniques. A prática era comum durante a era vitoriana, perdeu espaço ao longo do século XX e começou a reaparecer no município.

Entre as personalidades sepultadas estão Joe DiMaggio, Levi Strauss, Willie McCovey, William Randolph Hearst, o Imperador Norton e Dianne Feinstein.

Seus túmulos integram uma paisagem que reúne histórias locais, empresariais, políticas e esportivas.

A relação entre a cidade e seus cemitérios também aparece no Molloy’s Tavern, bar localizado diante do cemitério católico Holy Cross.

O estabelecimento começou a funcionar em 1927, dentro de um antigo hotel utilizado por trabalhadores funerários.

As paredes do bar exibem fotografias antigas, homenagens a moradores e programas funerários. O local atende clientes habituais e pessoas que participaram de enterros e procuram um ambiente para conversar ou prestar condolências.

Moradias chegaram depois da expansão funerária

A ocupação residencial cresceu principalmente após a Segunda Guerra Mundial, quando os subúrbios da Península passaram a receber trabalhadores dos estaleiros e veteranos.

Sterling Park, maior bairro residencial de Colma, foi construído em 1950 e possui aproximadamente 200 casas.

As moradias passaram a dividir o território com uma estrutura funerária que já estava consolidada havia décadas.

Assim, os 1.385 moradores convivem diariamente com cerca de 1,5 milhão de pessoas sepultadas. Ruas, cemitérios, residências e negócios formam uma cidade onde a morte permanece visível, mas é tratada como parte natural e respeitada da comunidade.

Esta matéria foi elaborada com base nas informações presentes no material-base fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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