Aogashima, uma pequena ilha japonesa a 320 km de Tóquio, abriga uma vila dentro da cratera de um vulcão ativo, cercados por falésias e fontes termais
Localizada a cerca de 320 quilômetros ao sul de Tóquio, Aogashima é uma das ilhas mais curiosas do planeta. Pertencente ao Japão, o pequeno território abriga uma vila que já chegou a ter aproximadamente 170 habitantes que vivem dentro da cratera de um vulcão ativo.
O cenário é impressionante. Cercada por falésias, a ilha se ergue sobre o Oceano Pacífico e guarda no centro o vulcão Ikenosawa, de 1,5 quilômetro de diâmetro.
Aogashima está a 358 quilômetros da capital japonesa e combina paisagem exuberante com um cotidiano marcado pela convivência direta com a natureza e seus riscos.
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História marcada por erupções
De acordo com registros históricos, o vulcão Ikenosawa já provocou grandes tragédias. Segundo o site Clarín, a primeira erupção ocorreu em 1781 e a segunda em 1785, quando a população era de cerca de 300 pessoas.
Esses episódios deixaram dezenas de mortos e forçaram a evacuação completa da ilha. No entanto, cinco anos depois, cerca de 100 moradores decidiram retornar e reconstruir a comunidade dentro da cratera.
A história mostra a persistência de quem vive ali. Mesmo com o risco de nova atividade vulcânica, os habitantes se mantêm, geração após geração, em um dos lugares mais isolados e fascinantes do Japão.
Acesso difícil e controlado
Chegar a Aogashima não é tarefa simples. O isolamento geográfico e o relevo acidentado tornam a viagem um desafio. Há duas formas principais de acesso: barco ou helicóptero.
Quem opta pela viagem aérea parte da Ilha Hachijojima, localizada a 64 quilômetros. O serviço é operado pelo “Tokyo Island Shuttle”, que realiza apenas uma viagem por dia, com capacidade máxima para nove passageiros.
O percurso dura cerca de 20 minutos e custa valores acima de US$ 100.
Outra alternativa é a balsa “Aogashira Maru”, que realiza entre quatro e cinco viagens semanais. O trajeto é mais demorado, mas também mais barato.
Ainda assim, as condições marítimas nem sempre permitem a ancoragem, porque o litoral da ilha é cercado por rochas vulcânicas.
Um cotidiano entre o fogo e o mar
Apesar dos riscos, viver dentro de um vulcão traz vantagens surpreendentes. As fontes termais ativas ao longo do ano oferecem calor natural e energia.
Os moradores aproveitam os vapores do solo até para cozinhar: uma tradição local é fritar ovos diretamente nas bordas da cratera.
Além disso, o calor geotérmico impulsiona a produção de um sal artesanal feito com a água do mar rica em minerais e cálcio.
Essa iguaria é considerada uma das principais fontes de renda da comunidade, junto com o turismo.
A ilha conta com estrutura básica que inclui ruas pavimentadas, escola, correio, bares, restaurantes, saunas e áreas de camping.
Turismo e fenômenos naturais na ilha
O turismo é uma das principais atividades econômicas da região. Agosto é o mês mais movimentado, porque coincide com o verão japonês e com o pico das chuvas de meteoros, que podem ser observadas em um observatório localizado no topo da ilha.
Por sua geografia singular e história marcada pela resistência, Aogashima é hoje um destino que mistura aventura, isolamento e beleza. Um lugar onde a vida pulsa, literalmente, sobre o fogo.
Com informações de Metroworldnews.

