Mina de Sal de Wieliczka recebe até 9.000 visitantes por dia após 700 anos de operação, 240 quilômetros de túneis, nove níveis subterrâneos e profundidade de 330 metros na Polônia
Após descer 380 degraus, visitantes chegam ao complexo da Mina de Sal de Wieliczka, a sudeste de Cracóvia, na Polônia, que recebe até 9.000 pessoas por dia em um labirinto com mais de 240 quilômetros de túneis e 330 metros de profundidade.
Mina de Sal de Wieliczka concentra 240 quilômetros de túneis em nove níveis subterrâneos
Situada a sudeste de Cracóvia, a Mina de Sal de Wieliczka combina patrimônio histórico, legado industrial e turismo.
Declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1978, encerrou a extração comercial de sal em 1996, após cerca de 700 anos de operação contínua.
-
Ex-caminhoneiro de Santa Catarina saiu da boleia, criou empresa de logística em uma sala de 40 m² e agora mira R$ 360 milhões em faturamento com 11 filiais, 700 clientes por mês e investimento de R$ 50 milhões em frota
-
Primeiro vestido de plasma do mundo transforma desfile em espetáculo científico ao combinar descargas elétricas controladas, gases ionizados e engenharia avançada em criação inédita de Iris Van Herpen com impacto na moda tecnológica
-
Celular caiu de avião a 300 metros de altura no Rio de Janeiro, continuou filmando a própria queda por 15 segundos e foi achado no dia seguinte por um ambientalista, numa história em que vento, natureza e sorte transformaram um descuido em cena difícil de acreditar
-
Garoto de 8 anos procurava fósseis em uma praia de Gotland quando encontrou uma peça escura e triangular, levou o objeto nas mãos sem imaginar o valor histórico e descobriu uma fivela viking de bronze com mais de 900 anos, possivelmente exposta por trabalhos agrícolas em uma sepultura danificada
Ao longo desse período, foram escavados mais de 240 quilômetros de túneis distribuídos em nove níveis, atingindo 330 metros de profundidade.
Atualmente, cerca de 2% da estrutura está aberta ao público, enquanto o restante permanece restrito à manutenção e preservação.
O percurso turístico clássico tem pouco mais de três quilômetros e duração aproximada de duas horas, terminando a 137 metros de profundidade.
Há também a rota dos mineiros, com três horas de duração, equipada com capacete, lanterna de cabeça e absorvedor de monóxido de carbono.
Essa segunda rota percorre áreas situadas entre 57 e 100 metros abaixo da superfície. O acesso ao complexo ocorre após a descida de 380 degraus, conduzindo os visitantes a corredores de paredes cinzentas com gosto salgado.
Estrutura geológica e métodos de extração ao longo dos séculos
As câmaras foram escavadas manualmente durante séculos e hoje abrigam esculturas, estátuas e lustres feitos de cristais de sal. As paredes não são brancas porque o cloreto de sódio não é puro.
Entre 90% e 95% da rocha é sal, enquanto o restante inclui minerais, areia, silte e argila, responsáveis pelo tom acinzentado. Apesar das impurezas, o sal é comestível e já foi utilizado para conservar alimentos sem purificação.
O depósito de halita, nome científico do sal-gema, tem cerca de 13,5 milhões de anos. Movimentos tectônicos nos Montes Cárpatos empurraram as camadas de sal para mais perto da superfície, facilitando a exploração.
Até 1743, a escavação era feita centímetro por centímetro. Depois, a pólvora passou a ser utilizada, e as perfuratrizes mecânicas surgiram cerca de 150 anos mais tarde. Para evitar desabamentos, camadas de sal eram deixadas sustentando as câmaras.
Atualmente, essas estruturas contam com reforço de engenharia moderna, incluindo hastes de fibra de vidro, garantindo maior estabilidade às áreas abertas e fechadas.
Papel econômico e histórico da Mina de Sal de Wieliczka
A exploração começou no final do século XIII, quando poços cavados para acessar salmoura revelaram blocos de sal-gema.
No século XIV, sob o reinado de Casimiro III da Polônia, a mina tornou-se propriedade real.
A receita do sal chegou a representar até um terço do tesouro do reino e ajudou a financiar a primeira universidade da Polônia. No final do século XV, a produção anual variava entre 7.000 e 8.000 toneladas.
Embora considerada menos perigosa que outras minas, a atividade era extenuante. Escavar uma câmara podia levar décadas.
Entre as funções mais arriscadas estavam os penitentes, responsáveis por queimar o metano acumulado.
Cavalos introduzidos no século XVI para mover polias viviam permanentemente no subsolo. A rotina era marcada por esforço contínuo e risco constante, mesmo com técnicas evoluindo ao longo do tempo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, sob ocupação nazista, a mina foi convertida em fábrica subterrânea de componentes de aeronaves, com trabalho forçado de prisioneiros do campo de concentração de Płaszów. A operação durou apenas alguns meses devido às condições inadequadas para metalurgia.
Turismo, produção atual e manutenção permanente
O turismo na Mina de Sal de Wieliczka existe há cerca de 300 anos. Entre os visitantes históricos está Nicolau Copérnico, que teria estado ali em 1493.
Um dos principais destaques é a Capela de Santa Kinga, escavada ao longo de 67 anos e concluída em 1964. O espaço possui altar, relevos bíblicos e lustres de sal, e ainda recebe missas e casamentos.
O complexo abriga também espaços para eventos, incluindo uma sala de quase 37 metros de altura que já recebeu salto de bungee jumping e passeio de balão ancorado.
Há ainda um spa a 137 metros de profundidade, especializado em tratamentos respiratórios.
Mesmo após o fim da mineração comercial, mais de 10.000 toneladas de sal são produzidas anualmente a partir da salmoura resultante da infiltração de água, que é bombeada e evaporada na superfície.
Atualmente, mais de 380 mineiros trabalham na manutenção e proteção contra infiltrações, garantindo a segurança e a preservação contínua da Mina de Sal de Wieliczka, um dos mais extensos complexos subterrâneos de sal do mundo, mantendo sua estrutura ativa e acessível.
Com informações de CNN.

