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Capaz de ser vista do espaço, a maior colônia individual de coral já registrada no planeta mede 34 metros de comprimento, 32 metros de largura e 5,5 metros de altura, tem cerca de 300 anos e abriga quase 1 bilhão de pólipos

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 05/09/2026 às 20:00 Atualizado em 05/09/2026 às 20:01
Estrutura que parecia um naufrágio revelou-se um coral de 34 metros, com quase 1 bilhão de pólipos e idade estimada em cerca de 300 anos.
Estrutura que parecia um naufrágio revelou-se um coral de 34 metros, com quase 1 bilhão de pólipos e idade estimada em cerca de 300 anos. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)
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Estrutura que parecia um naufrágio revelou-se um coral de 34 metros, com quase 1 bilhão de pólipos e idade estimada em cerca de 300 anos.

Da superfície, a formação escura parecia os restos de um antigo naufrágio abandonado no fundo do Oceano Pacífico. O cinegrafista Manu San Félix decidiu mergulhar para observar a estrutura de perto e encontrou algo completamente diferente: uma gigantesca colônia de coral com aproximadamente 34 metros de comprimento e 32 metros de largura, descoberta durante uma expedição realizada em outubro de 2024 nas Ilhas Salomão.

A equipe do projeto Pristine Seas, da National Geographic Society, considera o organismo a maior colônia de corais já registrada. A descoberta ocorreu quase por acaso, na noite anterior à saída dos pesquisadores para outra região. Apesar das dimensões, a formação havia permanecido desconhecida a cerca de 12 metros de profundidade.

Coral encontrado por acaso é mais comprido que uma baleia-azul

As dimensões ajudam a explicar por que o primeiro olhar sugeriu a existência de um naufrágio. A colônia ocupa uma área enorme no fundo do mar e supera em comprimento até mesmo uma baleia-azul, considerada o maior animal existente na Terra.

Sua altura chega a aproximadamente 4,8 metros. Pela escala alcançada, a estrutura pode inclusive ser identificada em observações feitas do espaço, embora sua verdadeira natureza só tenha sido reconhecida depois do mergulho.

Molly Timmers, cientista-chefe da expedição, descreveu o encontro como fortuito. A equipe estava próxima de encerrar os trabalhos naquela área quando San Félix resolveu conferir pessoalmente o que havia sob a superfície.

Quase 1 bilhão de animais formam uma única colônia

Embora possa parecer uma grande rocha, o coral é formado por organismos vivos. A espécie identificada é a Pavona clavus, um coral duro conhecido também como coral-omoplata por apresentar estruturas que lembram ombros.

Estrutura que parecia um naufrágio revelou-se um coral de 34 metros, com quase 1 bilhão de pólipos e idade estimada em cerca de 300 anos.
Estrutura que parecia um naufrágio revelou-se um coral de 34 metros, com quase 1 bilhão de pólipos e idade estimada em cerca de 300 anos. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

Os pesquisadores estimam que a colônia reúna quase 1 bilhão de pólipos geneticamente idênticos. Cada pólipo é um pequeno animal, mas todos permanecem conectados e funcionam conjuntamente dentro da mesma estrutura.

Esse detalhe diferencia uma colônia de um recife inteiro. Um recife pode ser formado por numerosas colônias de diferentes corais, enquanto a formação encontrada nas Ilhas Salomão corresponde a um único organismo colonial de proporções excepcionais.

Sua coloração é predominantemente marrom, com pontos em tons de amarelo, vermelho, rosa e azul.

Cerca de 300 anos podem estar registrados em sua estrutura

A altura também forneceu uma pista sobre a idade. Pesquisadores utilizam o crescimento vertical dos corais como uma das formas de estimar há quanto tempo uma colônia se desenvolve.

Com seus 4,8 metros, o exemplar pode ter aproximadamente 300 anos, embora Timmers considere possível que seja ainda mais antigo.

Isso significa que o organismo já estava vivo durante acontecimentos muito anteriores à ciência contemporânea. Seu crescimento atravessou o século XIX, quando chegaram os primeiros missionários cristãos às Ilhas Salomão, e continuou durante a Segunda Guerra Mundial e a pandemia de Covid-19.

O formato também chama atenção. Corais desse tipo costumam crescer como uma cúpula, mas essa colônia se espalhou de maneira mais achatada e extensa pelo fundo arenoso.

Profundidade pode explicar por que ninguém havia reconhecido o coral

A descoberta levantou uma pergunta inevitável: como algo tão grande permaneceu desconhecido? A resposta pode estar na dificuldade de enxergá-lo diretamente. O coral fica aproximadamente 12 metros abaixo da superfície, profundidade que exige equipamento adequado para observação mais próxima.

Sem máscara, snorkel ou equipamentos de mergulho, moradores da região poderiam simplesmente interpretar a formação como uma grande rocha.

A oceanógrafa biológica Helen Findlay, do Laboratório Marinho de Plymouth, no Reino Unido, que não participou da expedição, destacou a surpresa provocada pelo fato de uma estrutura dessa dimensão ter sido reconhecida somente agora.

Estrutura que parecia um naufrágio revelou-se um coral de 34 metros, com quase 1 bilhão de pólipos e idade estimada em cerca de 300 anos.
Estrutura que parecia um naufrágio revelou-se um coral de 34 metros, com quase 1 bilhão de pólipos e idade estimada em cerca de 300 anos. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

As Ilhas Salomão estão inseridas no chamado Triângulo de Coral, região conhecida pela grande diversidade desses organismos. Mesmo em uma área amplamente associada à vida marinha, ainda existem estruturas capazes de permanecer praticamente invisíveis aos olhos humanos por séculos.

Colônia está saudável, mas pesquisadores alertam para ameaças

O estado atual do organismo foi considerado excelente pelos pesquisadores. Seu tamanho e sua longevidade mostram que a colônia conseguiu sobreviver durante séculos às mudanças ocorridas ao redor. Isso não significa, porém, que esteja livre dos problemas enfrentados pelos ambientes marinhos.

A equipe chama atenção principalmente para ameaças como aquecimento global e sobrepesca, que atingem ecossistemas de corais em diferentes regiões. A expectativa é que a descoberta ajude a ampliar o interesse pela proteção dos habitats marinhos das Ilhas Salomão.

Enric Sala, fundador do Pristine Seas e explorador residente da National Geographic, comparou a importância do achado à descoberta da árvore mais alta do planeta.

Suposto naufrágio acabou revelando um organismo construído ao longo de séculos

O encontro começou com uma interpretação completamente diferente. Manu San Félix desceu esperando compreender melhor o que parecia ser um naufrágio e encontrou uma estrutura viva criada lentamente por incontáveis pequenos animais.

A escala da descoberta só ficou evidente depois das medições: dezenas de metros de extensão, bilhões de pólipos e aproximadamente três séculos de crescimento contínuo. Mais do que estabelecer um possível recorde, o coral das Ilhas Salomão mostrou quanto ainda pode permanecer desconhecido mesmo em águas costeiras.

Durante gerações, uma das maiores estruturas vivas desse tipo esteve a apenas 12 metros da superfície — grande o suficiente para parecer os destroços de uma embarcação, mas discreta o bastante para continuar sem identificação até um mergulho realizado quase por acaso.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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