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Dois navios gigantes para instalar turbinas eólicas ganham propulsão, posicionamento dinâmico e automação integrados para entrega em 2030 e 2031

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 05/09/2026 às 19:51 Atualizado em 05/09/2026 às 19:55
Navio de instalação de turbinas eólicas offshore da Cadeler
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Dois novos navios T-class da Cadeler receberão da Kongsberg sistemas integrados de propulsão, energia, automação e posicionamento dinâmico para instalar turbinas e fundações eólicas offshore maiores, com entregas previstas para 2030 e 2031.

O contrato foi anunciado em 3 de setembro e será executado em cooperação com o estaleiro COSCO Shipping Offshore, responsável pela construção das duas embarcações.

A Cadeler encomendou os navios em agosto como parte de sua expansão de longo prazo. O objetivo é atender parques eólicos no mar que usam componentes cada vez mais altos, pesados e complexos.

A Kongsberg não revelou o valor do pacote. Confirmou, entretanto, que entregará propulsores, geração e distribuição elétrica, acionamentos, automação, controle e gestão de energia.

A integração importa porque um navio instalador precisa funcionar como plataforma industrial estável. Durante o içamento, pequenas variações de posição podem comprometer alinhamento e segurança.

Navio de instalação preparado para turbinas e fundações maiores
Os T-class foram encomendados para projetos eólicos offshore de nova geração.

Posicionamento dinâmico mantém o navio sobre o ponto de instalação

O sistema de posicionamento dinâmico combina satélites, sensores de movimento, vento e corrente. Computadores calculam correções e comandam propulsores para limitar o deslocamento da embarcação.

Em uma instalação offshore, a fundação e a torre devem encontrar pontos definidos no leito marinho. A precisão reduz esforços inesperados no guindaste e nas peças suspensas.

A Kongsberg fornecerá propulsores azimutais e de túnel. Os primeiros giram para aplicar força em diferentes direções; os segundos ajudam a mover lateralmente a proa ou a popa.

O controle precisa distribuir potência entre propulsão e equipamentos de bordo. Uma rajada pode exigir resposta imediata enquanto guindastes, bombas e sistemas auxiliares já consomem energia.

Por isso, geração, distribuição e gestão entram no mesmo pacote. Componentes projetados em conjunto diminuem conflitos de interface e facilitam diagnóstico durante a operação.

Automação transforma várias máquinas em uma única plataforma

Um navio desse tipo reúne ponte, casa de máquinas, propulsores, guindaste, pernas de elevação e sistemas elétricos. Cada subsistema possui controles próprios, mas as decisões precisam conversar.

A automação integrada oferece à tripulação uma visão comum de alarmes, cargas e disponibilidade. Operadores podem acompanhar energia e posição sem consultar telas isoladas para cada fornecedor.

Acionamentos de propulsão regulam motores elétricos com precisão. Isso melhora resposta e evita aplicar mais potência que o necessário quando o mar permite condições estáveis.

A gestão de energia também ajuda a reduzir consumo e emissões. Motores geradores podem operar próximos da faixa eficiente, enquanto o sistema conecta ou retira unidades conforme a demanda.

O comunicado não apresenta economia percentual de combustível. Assim, o benefício confirmado é o desenho voltado à eficiência, não uma redução quantificada em operação real.

Representantes da Kongsberg e do estaleiro no contrato dos navios
Kongsberg e COSCO trabalharão juntas no projeto, na engenharia e na entrega.

Turbinas maiores mudam a escala do trabalho no mar

A potência das turbinas offshore aumentou, levando pás, naceles, torres e fundações a dimensões superiores. Isso reduz a quantidade de máquinas por parque, mas exige navios mais capazes.

Convés, estabilidade, altura de içamento e capacidade do guindaste precisam acompanhar o crescimento. Uma embarcação limitada pode ficar fora de licitações mesmo antes do fim de sua vida estrutural.

Os T-class foram concebidos para atender essa próxima geração. A Cadeler busca garantir frota disponível quando projetos planejados para o fim da década chegarem à fase de construção.

Entregas em 2030 e 2031 mostram a antecedência necessária. Projetar, fabricar módulos, integrar equipamentos e testar uma unidade especializada ocupa vários anos.

A encomenda também carrega risco de mercado. Se projetos forem adiados, o navio pode procurar trabalho em um ambiente diferente daquele previsto quando o contrato foi assinado.

A construção chinesa reúne tecnologia norueguesa e operação dinamarquesa

O estaleiro COSCO Shipping Offshore, em Qidong, construirá as embarcações. A Kongsberg, da Noruega, fornecerá o pacote integrado, enquanto a Cadeler opera a frota a partir de sua estrutura internacional.

Essa cadeia distribui responsabilidades por países e empresas. Documentação, normas de classe e interfaces precisam ser controladas para que equipamentos cheguem no momento certo.

A Kongsberg já participa de outros projetos da Cadeler realizados com o mesmo estaleiro. Repetir a parceria reduz curva de aprendizado e permite reaproveitar padrões testados.

Isso não elimina ajustes. Cada navio recebe requisitos próprios, e tecnologias precisam acompanhar mudanças regulatórias que possam ocorrer antes de 2030.

A fabricante informa que mais de 30 mil embarcações utilizam seus sistemas. Esse número cobre segmentos variados e serve como escala da base instalada, não como frota comparável aos T-class.

O contrato prepara capacidade antes da demanda chegar ao pico

Parques eólicos offshore dependem de janelas de clima, portos de apoio e navios especializados. A falta de uma dessas peças pode atrasar toda a sequência de instalação.

Ao encomendar agora, a Cadeler reserva capacidade para a próxima década. A empresa aposta que turbinas maiores continuarão exigindo plataformas com controle preciso e grande alcance.

Para a Kongsberg, fornecer o sistema completo aumenta responsabilidade. Uma falha de integração pode afetar mais funções, mas um pacote comum também simplifica suporte e atualização.

Os navios T-class da Cadeler ainda existem como projetos em construção. O contrato de 3 de setembro define parte crítica de como irão mover-se, manter posição e administrar energia.

Quando forem entregues em 2030 e 2031, seu desempenho ajudará a determinar se a indústria naval acompanhou o crescimento das turbinas que precisa instalar.

A disponibilidade desses navios também influencia o preço final da energia. Se poucos ativos disputarem muitas campanhas na mesma janela de clima, diárias e riscos de atraso podem crescer. Uma frota maior cria concorrência, mas só se houver projetos suficientes para manter embarcações tão especializadas trabalhando.

Até a entrega, Cadeler, COSCO e Kongsberg terão de transformar o pacote contratado em sistemas testados no mar, com tripulações preparadas para operar equipamentos interdependentes.

Você acredita que a falta de navios especializados pode se tornar o maior gargalo da eólica offshore?

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Emerson
Emerson
05/09/2026 20:31

Douglas esses navios serão utilizados especificamente para o mercado brasileiro ?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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