Início Vale desenvolve areia sustentável produzida a partir de rejeitos de minério de ferro

Vale desenvolve areia sustentável produzida a partir de rejeitos de minério de ferro

19 de junho de 2022 às 09:22
Compartilhe
Siga-nos no Google News
Areia sustentável - vale - minério de ferro - areia
Areia sustentável da vale reduzirá rejeitos – imagem: Divulgação

A Vale está desenvolvendo uma nova areia sustentável que pode ser produzida a partir de rejeitos de minério de ferro. A empresa já investiu R$ 50 milhões para o desenvolvimento do produto.

Após anos de estudos, grande parte dos rejeitos na operação de minério de ferro da Vale receberão um novo destino. De materiais descartados, a empresa fez outro produto: uma areia sustentável. Cada tonelada produzida significa também uma tonelada a menos de rejeitos nas barragens, e é justamente este o propósito da Vale. Reduzir a necessidade de barragens é um dos pilares do princípio de garantia de não repetição de acidentes.

Vale investe R$ 50 milhões para produção da areia sustentável

Desde 2014, a empresa está empenhada em pesquisar usos para o reaproveitamento dos rejeitos no país e, para isso, realizou investimentos na ordem de R$ 50 milhões para desenvolver a areia não tóxica e de qualidade atestada por estudos de laboratórios e universidades especializadas.

Artigos recomendados

De acordo com André Vilhena, gerente de Novos Negócios da Vale, o foco principal da atividade é a sustentabilidade das operações da empresa no minério de ferro, reduzindo o passivo ambiental, além de buscar o fomento de emprego e renda através de novos negócios. Para gerar a areia sustentável, os rejeitos que seriam descartados em barragens passam por algumas etapas de concentração, filtragem e classificação.

Trabalhe no Setor Eólico do Brasil

O processo segue os mesmos controles de qualidade da produção de minério de ferro e gera economia circular nas operações de Minas Gerais. Já de acordo com Marcello Spinelli, vice-presidente executivo de Ferrosos da Vale, esta iniciativa gera economia circular dentro das unidades da empresa e mitiga o impacto da disposição de rejeitos para o meio ambiente e a sociedade, além de ser uma alternativa confiável para a indústria da construção civil, que conta com uma grande demanda por areia.

Mais de 250 mil toneladas já foram processadas

Como os rejeitos são compostos basicamente por sílica, o principal componente da areia, e baixo teor de ferro, o resultado é uma areia com qualidade para aplicação no mercado da construção civil. Apenas no ano passado, foram aproximadamente 250 mil toneladas processadas e destinadas à venda e doação, com aplicação em concretos, pré-fabricados, argamassas, artefatos, cimento e pavimentação rodoviária.

A estimativa é destinar um milhão de toneladas em 2022 e chegar a dois milhões de toneladas em 2023. O reaproveitamento desse material diminui a disposição em barragens e está alinhado ao esforço da empresa em evitar rompimentos como o de Brumadinho. Segundo Rogério Nogueira, diretor de marketing de Ferrosos da Vale, a empresa está se preparando para escalar ainda mais a destinação da areia sustentável a partir de 2023.

Para isso, a empresa está com um time de profissionais focados neste novo negócio e adequando suas operações para suprir as demandas do mercado. Os benefícios continuam: além de reduzir a produção de rejeitos e a dependência de barragens, o produto é uma forma sustentável para um material que sofre com a extração predatória.

R$ 7,1 milhões já foram investidos na areia sustentável em nichos específicos

Atualmente, a produção da Vale acontece na Mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), e outras minas da companhia estão em processo de regularização minerária e ambiental para produção do insumo.

Além de utilizar a infraestrutura já existente, a Vale também possui a rede rodoviária já desenvolvida para escoamento da areia para mercados no Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal e São Paulo.

Três nichos de aplicação da areia foram priorizados após estudos técnicos e mercadológicos: pavimentação, cimento e pré-moldados ou concreto.

Apenas em pesquisa e inovação para uso em pavimentos rodoviários, já foram investidos mais de R$ 7,1 milhões.

Relacionados
Mais recentes