Projeto desenvolvido por pesquisadores da UFCG, UFC e Universidade de Kassel recebeu 2.500 euros na categoria Novos Talentos e combina eletrônica de potência, armazenamento em baterias e controle modular em uma arquitetura ainda em fase de laboratório.
Um transformador de estado sólido que combina conversão de tensão e armazenamento em baterias levou uma equipe com participação brasileira ao primeiro lugar da categoria “Novos Talentos” do Prêmio Estadual de Energia de Hessen 2026, na Alemanha. O projeto recebeu 2.500 euros.
A iniciativa reúne a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade de Kassel. O trabalho foi desenvolvido no Departamento de Eletrônica de Potência da instituição alemã e envolve os estudantes Arthur de Queiroz Mesquita, Eduardo Vilas Boas e Vitor Emanuel Dourado, além de professores das três universidades.
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O site oficial do Prêmio Estadual de Energia de Hessen informa que a edição de 2026 recebeu 98 inscrições distribuídas em seis categorias. Uma banca de nove integrantes selecionou os vencedores, e o projeto de transformador inteligente com bateria integrada ficou em primeiro lugar entre os trabalhos de “Novos Talentos”.
A proposta se diferencia dos transformadores convencionais porque reúne funções que normalmente dependem de equipamentos distintos. Além de alterar o nível de tensão, o sistema incorpora eletrônica de potência, um transformador de alta frequência e armazenamento em baterias na mesma arquitetura.
Como funciona o transformador de alta frequência
A operação em alta frequência permite reduzir as dimensões dos componentes magnéticos usados na transformação de energia. A UFCG informa, em comunicado sobre o projeto, que a tecnologia pode diminuir em até dez vezes o tamanho físico do equipamento e a necessidade de materiais como cobre e aço elétrico.
A comparação está ligada à miniaturização do equipamento e ao uso desses materiais. As informações divulgadas não indicam que custo de fabricação, consumo de energia ou preço final cairiam na mesma proporção, nem apresentam potência nominal ou autonomia das baterias.
O armazenamento integrado permite guardar excedentes de geração renovável para utilização posterior. A arquitetura foi concebida para liberar essa energia quando houver necessidade e também para prestar suporte à estabilização de redes que recebem produção variável de fontes solares e eólicas.
Ao reunir transformação e armazenamento, o projeto também reduz a necessidade de manter essas funções em equipamentos separados em determinadas configurações. A energia acumulada pode ser empregada no suporte à rede ou em aplicações capazes de operar de forma independente, conforme a estrutura prevista para o sistema.
Outro elemento é o controle descentralizado dos módulos. Em vez de concentrar todo o comando em um sistema central, cada unidade utiliza microchips programáveis GreenPAK, que executam funções locais dentro da arquitetura desenvolvida pelos pesquisadores.
A estrutura elétrica emprega ainda pontes H em cascata, configuração que permite interligar células de potência de acordo com a necessidade da aplicação. Esse desenho modular possibilita combinar diferentes unidades do sistema conforme a escala de potência exigida.
Entre as aplicações previstas estão microrredes industriais e estações de recarga rápida para veículos elétricos, além de instalações destinadas a armazenar excedentes de geração renovável. Nesses casos, as baterias podem absorver energia disponível em determinado momento e devolvê-la posteriormente.
Projeto ainda está em fase de laboratório
A organização do prêmio descreve a solução como um projeto acadêmico ainda em desenvolvimento. Após simulações computacionais, a equipe avançou para a preparação de um primeiro protótipo de hardware em escala de laboratório, etapa anterior a uma eventual aplicação mais ampla.
O reconhecimento na Alemanha, portanto, não representa a certificação de um produto disponível comercialmente. As informações publicadas não apresentam resultados de operação em redes comerciais nem detalham custos de fabricação, vida útil do sistema ou desempenho das baterias em condições reais de uso.
Uma eventual implantação em maior escala ainda depende de etapas como desenvolvimento do protótipo, ensaios, avaliação de confiabilidade e atendimento aos requisitos aplicáveis à conexão com redes elétricas. Esses fatores não foram apresentados como concluídos pelas instituições responsáveis pelo projeto.
O prêmio é concedido pelo Ministério da Economia, Energia, Transportes, Habitação e Áreas Rurais de Hessen e organizado pela agência estadual de energia LEA Hessen. A edição de 2026 distribuiu 53,5 mil euros entre as diferentes categorias da competição.
A participação brasileira resulta da cooperação acadêmica entre as universidades envolvidas. Os estudantes trabalharam com pesquisadores brasileiros e alemães no desenvolvimento de uma arquitetura que reúne transformador de alta frequência, módulos de eletrônica de potência, baterias e controle descentralizado.
Além dos 2.500 euros, a equipe recebeu troféu e certificado pelo primeiro lugar em “Novos Talentos”. As informações divulgadas pelas instituições não apresentam cronograma para testes de campo, certificação, fabricação em série ou comercialização do sistema.
